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	<title>Arquivos Ivandro Oliveira - Tá na Área</title>
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		<title>A derrota que devolveu a camisa do Brasil aos brasileiros; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 14:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje vou atrás de uma coisa improvável: encontrar uma boa notícia escondida dentro de uma derrota. O Brasil caiu na Copa. Mais uma vez, uma seleção europeia cruzou o caminho da Canarinho e interrompeu o sonho do hexa, repetindo um roteiro que se tornou frequente desde 2006. Dentro de campo, sobraram frustração, críticas e a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">Hoje vou atrás de uma coisa improvável: encontrar uma boa notícia escondida dentro de uma derrota. O Brasil caiu na Copa. Mais uma vez, uma seleção europeia cruzou o caminho da Canarinho e interrompeu o sonho do hexa, repetindo um roteiro que se tornou frequente desde 2006. Dentro de campo, sobraram frustração, críticas e a sensação de que o futebol brasileiro ainda busca reencontrar o protagonismo que um dia parecia natural.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas foi justamente fora das quatro linhas que surgiu um fato digno de registro. Em um momento em que talvez o brasileiro estivesse mais descrente da Seleção em toda a história recente, algo inesperado aconteceu: a camisa da Seleção Brasileira voltou a ser motivo de orgulho para pessoas de todas as posições políticas. Esquerda e direita, que hoje parecem incapazes de concordar sobre qualquer assunto, voltaram a vestir a mesma amarelinha sem constrangimento, sem disputa e sem a necessidade de explicar o porquê.</p>
<p class="isSelectedEnd">Durante anos, um dos maiores símbolos nacionais acabou sendo arrastado para o centro da polarização política. A camisa que representava conquistas, emoção e identidade nacional passou a carregar significados que dividiam os brasileiros. Aos poucos, muita gente deixou de usá-la para evitar interpretações ideológicas. Nesta Copa, porém, a &#8220;verde e amarelo&#8221;, como fazia questão de dizer o saudoso Mario Jorge Lobo Zagallo, voltou a cumprir sua função original: representar um país inteiro, e não apenas um grupo.</p>
<p class="isSelectedEnd">É claro que o futebol, sozinho, não resolverá as profundas divergências que marcam o Brasil. A polarização continuará existindo, e o debate político seguirá intenso em 2026. Mas símbolos nacionais pertencem à nação, não a partidos, governos ou movimentos. Talvez a eliminação tenha sido amarga dentro de campo, mas deixou uma pequena vitória fora dele: a recuperação de um patrimônio afetivo que sempre foi de todos os brasileiros.</p>
<p>No fim das contas, perder uma Copa nunca será motivo de comemoração. Mas, se era preciso encontrar uma boa notícia escondida na derrota, ela está justamente na arquibancada, nas ruas e nas redes sociais: a camisa da Seleção voltou a unir mais do que dividir. E, num Brasil tão fragmentado, isso pode não valer uma taça, mas certamente já representa uma conquista.</p>
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<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</em></strong></p>
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		<title>Crise entre Michelle e os filhos de Bolsonaro pode redesenhar a direita brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 15:03:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes tratada como um ruído passageiro, a crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha contornos de um terremoto político com potencial para extrapolar as fronteiras do PL e do próprio bolsonarismo. A decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher, recusando a trégua costurada por aliados, não representa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Antes tratada como um ruído passageiro, a crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha contornos de um terremoto político com potencial para extrapolar as fronteiras do PL e do próprio bolsonarismo. A decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher, recusando a trégua costurada por aliados, não representa apenas um gesto administrativo. É um recado político. Michelle demonstra que, para ela, a disputa deixou de ser uma divergência familiar e passou a envolver princípios, lealdade e, sobretudo, a forma como pretende construir seu próprio espaço na direita brasileira.</p>
<p>E mais: Michelle se sentiu confortável para soltar a bomba na pré-campanha de Flávio porque está ciente do imenso capital político e eleitoral que construiu no PL Mulher e do quanto o resto do bolsonarismo carece dele: o voto feminino é um ativo em disputa, um dos poucos, nesta eleição. Jair não o detinha. Flávio não o conquista. Eduardo o despreza</p>
<p>O fato de Michelle ter sido convencida por Damares Alves e Celina Leão a permanecer no PL, mas não na estrutura partidária que comandava, revela que há uma preocupação muito maior do que simplesmente preservar a unidade interna. O receio é eleitoral. Michelle se consolidou como uma das figuras mais populares do campo conservador, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, e um eventual rompimento definitivo poderia provocar uma migração de lideranças, candidaturas e bases de apoio que hoje orbitam em torno do bolsonarismo. Sua permanência na legenda parece ser, neste momento, muito mais uma decisão estratégica do que propriamente um gesto de pacificação.</p>
<p>A postura dos filhos do ex-presidente também ajuda a ampliar a dimensão da crise. O silêncio de Flávio Bolsonaro diante dos ataques promovidos por aliados de Eduardo Bolsonaro contra Michelle foi interpretado como uma escolha política. Mais do que uma disputa por espaço, o conflito evidencia a existência de dois projetos distintos dentro do universo bolsonarista: um mais familiar, ideológico e digital, liderado pelos filhos do ex-presidente; outro mais institucional, pragmático e eleitoral, que vê em Michelle a principal liderança capaz de ampliar o alcance da direita para além da militância mais radical. A republicação do vídeo de Anthony Garotinho, acompanhada da frase &#8220;a verdade de Jesus vai prevalecer&#8221;, mostra que Michelle também decidiu responder politicamente, ainda que de forma indireta.</p>
<p>O grande desafio para o bolsonarismo talvez nem seja administrar a crise doméstica, mas impedir que ela provoque uma divisão permanente entre dois públicos que até agora caminhavam juntos: o bolsonarismo raiz, fortemente conectado aos filhos de Jair Bolsonaro, e o conservadorismo mais amplo, que encontrou em Michelle uma liderança de perfil menos conflituoso e mais competitivo eleitoralmente. Se essa fissura se aprofundar, seus efeitos poderão ser sentidos muito além das convenções do PL, influenciando alianças, candidaturas e até o desenho da direita brasileira para 2026. Pela primeira vez desde que o bolsonarismo se consolidou como força política nacional, a principal disputa parece não ser contra os adversários externos, mas dentro da própria família que sempre simbolizou sua unidade.</p>
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		<title>Michelle destrona Flávio e mexe no tabuleiro bolsonarista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 11:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O pronunciamento feito por Michelle Bolsonaro nas redes sociais não foi apenas uma resposta a ataques internos ou uma manifestação de lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi, acima de tudo, um discurso político cuidadosamente construído, pensado nos detalhes, nos símbolos e, principalmente, nas mensagens que não precisaram ser ditas de forma explícita. Em poucos minutos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O pronunciamento feito por Michelle Bolsonaro nas redes sociais não foi apenas uma resposta a ataques internos ou uma manifestação de lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi, acima de tudo, um discurso político cuidadosamente construído, pensado nos detalhes, nos símbolos e, principalmente, nas mensagens que não precisaram ser ditas de forma explícita. Em poucos minutos, a ex-primeira-dama conseguiu reposicionar seu papel dentro do bolsonarismo e, de quebra, colocar em xeque as pretensões políticas daquele que muitos consideravam o herdeiro natural do movimento: o senador Flávio Bolsonaro.</p>
<p>O primeiro detalhe que chama atenção é a repetição quase litúrgica da palavra “marido”. Michelle não fala como candidata, nem como líder autônoma. Não reivindica protagonismo próprio. Ao contrário. Apresenta-se como alguém que recebeu uma missão e que a executa fielmente em nome daquele que continua sendo o centro gravitacional do bolsonarismo. Trata-se de um movimento inteligente. No universo político construído por Jair Bolsonaro, legitimidade não vem de sobrenome, partido ou cargo. Vem da proximidade e da fidelidade ao líder. E, nesse quesito, Michelle tratou de deixar claro quem fala em nome dele.</p>
<p>Ao abordar as divergências internas, a ex-primeira-dama também acertou o alvo sem precisar nominá-lo excessivamente. Ao contrapor valores e pragmatismo, estabeleceu uma linha divisória dentro do campo bolsonarista. Quando afirma que não trocará princípios por conveniências políticas, Michelle sugere que determinados atores, ainda que próximos do ex-presidente, teriam se afastado das bandeiras que impulsionaram a ascensão do movimento. É uma crítica elegante, mas devastadora. No imaginário bolsonarista, a maior acusação possível não é a incompetência, mas a infidelidade.</p>
<p>Os símbolos também tiveram papel central na encenação política. A estrela de Davi sobre a mesa, a referência à fé cristã, a menção a Jesus Cristo, o gesto em Libras representando “eu te amo” e a narrativa do perdão diante das traições compuseram um cenário cuidadosamente montado para dialogar com diferentes segmentos da base conservadora. Michelle vestiu, ao mesmo tempo, os figurinos de esposa dedicada, mãe cuidadora, mulher de fé e líder política. Não foi uma personagem improvisada. Foi a materialização da imagem que ela deseja consolidar junto ao eleitorado.</p>
<p>Outro aspecto relevante foi a construção da própria condição de vítima. Assim como Jair Bolsonaro transformou a facada de 2018 em um poderoso símbolo político, Michelle procurou estabelecer um paralelo emocional ao relatar as “apunhaladas” que teria recebido dentro da própria família política. Ao fazer isso, ela se coloca não apenas como guardiã da obra do ex-presidente, mas como alguém que também sofreu por defendê-la. É uma narrativa que fortalece vínculos afetivos com a militância e amplia seu capital político.</p>
<p>O resultado é que Michelle saiu do vídeo maior do que entrou. Sem anunciar candidatura, comportou-se como candidata. Sem declarar guerra, abriu uma disputa. Sem citar diretamente uma sucessão, lançou dúvidas sobre quem realmente possui condições de conduzir o bolsonarismo na ausência de Jair Bolsonaro. A mensagem transmitida foi simples: a herança política não é automática, tampouco hereditária. Ela pertence a quem demonstrar maior fidelidade ao líder e aos valores que ele representa.</p>
<p>Se essa era a intenção, o objetivo foi alcançado. Michelle mexeu no tabuleiro interno do bolsonarismo e alterou a correlação de forças dentro do PL. A partir de agora, qualquer projeto político que envolva Flávio Bolsonaro terá de enfrentar uma adversária que fala diretamente à base, domina a linguagem simbólica do movimento e, sobretudo, reivindica para si a condição de intérprete mais fiel da vontade de Jair Bolsonaro. As próximas cenas prometem ser decisivas. E, desta vez, o jogo parece estar apenas começando.</p>
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		<title>Comensais da República; crônica da semana por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 10:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A mão que afaga é a mesma que apedreja”. O verso de Augusto dos Anjos, escrito há mais de um século, atravessa o tempo para iluminar um dos mais antigos vícios da República brasileira. Nas mesas fartas do poder, onde o povo raramente é convidado a sentar, multiplicam-se os brindes discretos, os favores elegantes e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">“<strong>A mão que afaga é a mesma que apedreja</strong>”. O verso de Augusto dos Anjos, escrito há mais de um século, atravessa o tempo para iluminar um dos mais antigos vícios da República brasileira. Nas mesas fartas do poder, onde o povo raramente é convidado a sentar, multiplicam-se os brindes discretos, os favores elegantes e as amizades oportunas. O escândalo que emerge das relações entre Daniel Vorcaro e figuras influentes da política, do Judiciário e do sistema financeiro não revela apenas um caso isolado. Expõe um modo de funcionamento. Um hábito. Quase uma cultura.</p>
<p class="isSelectedEnd">Enquanto o trabalhador comum conta moedas para pagar a prestação da casa ou abastecer o carro, há uma aristocracia de cargos e gravatas que circula por hotéis luxuosos, voos privados, restaurantes exclusivos e festas regadas a uísques raros. Nada disso é oferecido por generosidade. O banqueiro não distribui favores por caridade, assim como o poder raramente concede atenção sem esperar algo em troca. A moeda dessa relação nunca foi o dinheiro; sempre foi a influência.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando os vínculos vêm à tona, entretanto, instala-se o teatro da inocência. Surgem os esquecimentos convenientes, as explicações improváveis e os discursos indignados de quem se julga vítima da própria exposição. Fingem surpresa diante do que todos sabiam. Fazem-se de distraídos diante do evidente. E o fazem porque conhecem o funcionamento da engrenagem: a proteção mútua dos que pertencem ao mesmo círculo, a certeza de que a indignação popular é intensa, mas passageira, e de que a impunidade costuma sobreviver aos escândalos.</p>
<p>O caso Master deveria ser maior que qualquer disputa ideológica. Não é uma questão de direita ou esquerda, governo ou oposição. É uma questão de decência pública. Quando a República se transforma em salão de privilégios, o prejuízo não é apenas financeiro; é moral. E talvez seja justamente isso que mais assuste. Porque o Brasil não sofre apenas com a corrupção dos cofres, mas com a corrosão dos valores. E uma nação pode reconstruir pontes, estradas e edifícios. Mais difícil é reconstruir a confiança quando ela se torna apenas mais um item do cardápio dos comensais do poder.</p>
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		<title>Recados e cascudos no STF; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 15:02:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O julgamento realizado nesta terça-feira pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal produziu um resultado importante: vencidos os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, o empresário Daniel Vorcaro e seu pai permanecerão presos, sem direito à prisão domiciliar. Mas, mais do que o resultado em si, chamou atenção a disputa de narrativas travada dentro do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">O julgamento realizado nesta terça-feira pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal produziu um resultado importante: vencidos os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, o empresário Daniel Vorcaro e seu pai permanecerão presos, sem direito à prisão domiciliar. Mas, mais do que o resultado em si, chamou atenção a disputa de narrativas travada dentro do plenário, com direito a recados diretos e indiretos, e até cascudos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Gilmar Mendes tentou mais uma vez reeditar o seu conhecido repertório antilavajatista. Durante anos, esse discurso encontrou eco em setores da política, da imprensa e até do próprio Judiciário. O problema é que o tempo passou. O repertório envelheceu. As músicas já não empolgam como antes e, para muitos brasileiros, soam cada vez mais cafonas. O país já conhece os erros cometidos pela Lava Jato, mas também conhece os excessos cometidos posteriormente na tentativa de transformar um dos maiores escândalos de corrupção da história nacional em algo próximo de uma ficção jurídica.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quem dominou o palco desta vez foi o ministro André Mendonça. Relator do caso, ele aproveitou o voto para enviar mensagens claras e inequívocas. A primeira delas foi a de que as investigações estão longe do fim. A segunda, talvez ainda mais significativa, foi a demonstração de que acompanha atentamente as movimentações que, segundo interlocutores do processo, tentam enfraquecer ou interromper as apurações. E a terceira foi um aviso ao próprio colegiado: os próximos capítulos tendem a aumentar a tensão dentro da Segunda Turma.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ao afirmar que não se presta a realizar “trabalhos abjetos” para obter delações e registrar que “não estamos falando da Lava Jato”, André Mendonça procurou estabelecer uma linha divisória entre os abusos que marcaram aquela operação e os fatos atualmente investigados. E, de fato, não estamos falando da Lava Jato. Mas também não se pode permitir que os erros daquela operação sirvam como escudo permanente para qualquer investigação que envolva suspeitas graves de corrupção e tráfico de influência.</p>
<p class="isSelectedEnd">O que torna o chamado escândalo do Banco Master especialmente explosivo é justamente a natureza das suspeitas investigadas. Não se trata apenas de questões financeiras ou empresariais. As apurações apontam para a possível cooptação de agentes públicos em posições estratégicas do Estado brasileiro. Entre os nomes que circulam nas investigações e nos bastidores, surgem referências até mesmo a integrantes do próprio Supremo. Se tais suspeitas forem confirmadas, estaremos diante de algo que ultrapassa os limites de um caso criminal comum e alcança o próprio coração das instituições.</p>
<p>Por isso, o julgamento desta semana talvez seja lembrado menos pela manutenção das prisões e mais pelo recado político e institucional deixado por André Mendonça. Enquanto alguns ainda insistem em tocar os velhos sucessos do antilavajatismo, o relator sinalizou que o foco agora está em outro lugar: na continuidade das investigações, na resistência às pressões e na busca por respostas para um caso que promete produzir muitos desdobramentos.</p>
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<p><em><strong>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</strong></em></p>
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		<title>Não adianta falar apenas para uma bolha; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 14:02:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda estamos em junho. Faltam mais de três meses para a eleição presidencial e qualquer tentativa de decretar vencedores ou derrotados seria precipitada. A história política brasileira está repleta de reviravoltas, candidaturas que cresceram na reta final e favoritos que tropeçaram quando menos se esperava. Mas uma constatação já pode ser feita: alguma coisa não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">Ainda estamos em junho. Faltam mais de três meses para a eleição presidencial e qualquer tentativa de decretar vencedores ou derrotados seria precipitada. A história política brasileira está repleta de reviravoltas, candidaturas que cresceram na reta final e favoritos que tropeçaram quando menos se esperava. Mas uma constatação já pode ser feita: alguma coisa não vai bem com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).</p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio aposta quase exclusivamente no discurso antipetista. O problema é que o Brasil de 2026 não é mais o mesmo de 2018. O sentimento de rejeição ao PT continua existindo e mantém uma parcela significativa do eleitorado mobilizada, mas, sozinho, já não parece suficiente para construir uma maioria nacional. O antipetismo segue vivo, porém cada vez mais restrito a um nicho político que se retroalimenta nas redes sociais e nos ambientes onde todos já pensam da mesma forma.</p>
<p class="isSelectedEnd">O desafio para Flávio Bolsonaro é justamente romper essa bolha. Eleições presidenciais não são vencidas apenas com a militância mais fiel. É preciso conquistar os eleitores independentes, moderados e aqueles que transitam pelo centro político. E esse segmento do eleitorado demonstra sinais claros de fadiga tanto em relação ao lulismo quanto ao bolsonarismo. Não por acaso, nomes que tentaram ocupar esse espaço, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, também não conseguiram despertar entusiasmo suficiente para se consolidar como alternativa viável.</p>
<p class="isSelectedEnd">O fato é que falta à candidatura bolsonarista algo mais substancial do que a simples oposição ao PT. Falta uma agenda nacional clara, um projeto de país capaz de convencer os brasileiros de que existe um caminho melhor do que o atual. Criticar Lula pode garantir aplausos dos já convertidos, mas dificilmente amplia fronteiras eleitorais. O eleitor quer saber o que será feito para acelerar o crescimento econômico, melhorar os serviços públicos, enfrentar a violência e reduzir as desigualdades. Até agora, essas respostas continuam pouco visíveis.</p>
<p>Se esse cenário permanecer inalterado, o maior beneficiado será justamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo enfrentando desgastes naturais de governo e índices de aprovação longe da unanimidade, Lula segue ocupando o espaço de quem possui uma narrativa mais estruturada para apresentar ao eleitorado. E, diante de uma oposição que ainda não encontrou um discurso capaz de dialogar para além do próprio campo ideológico, o caminho para um quarto mandato presidencial torna-se cada vez menos improvável.</p>
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<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></p>
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		<title>Lula já escolheu seu adversário e a direita deveria olhar para Michelle; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 13:36:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A sucessão presidencial de 2026 continua em aberto, mas as pesquisas divulgadas nos últimos meses revelam um movimento que merece atenção. Tudo indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já encontrou o adversário que mais lhe interessa enfrentar: o senador Flávio Bolsonaro (PL). Não por acaso, o filho mais velho do ex-presidente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">A sucessão presidencial de 2026 continua em aberto, mas as pesquisas divulgadas nos últimos meses revelam um movimento que merece atenção. Tudo indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já encontrou o adversário que mais lhe interessa enfrentar: o senador Flávio Bolsonaro (PL). Não por acaso, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro reúne características que se encaixam perfeitamente na estratégia política do lulopetismo. Enquanto alguns levantamentos recentes mostram oscilações no cenário eleitoral, outros apontam Lula abrindo vantagem sobre Flávio em simulações de segundo turno, reforçando a percepção de que o senador enfrenta dificuldades para ampliar seu eleitorado além da base mais fiel do bolsonarismo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Foi justamente sobre isso que escrevi há cerca de um ano neste mesmo espaço. Naquela oportunidade, defendi que Michelle Bolsonaro poderia se transformar em um dos nomes mais competitivos do campo conservador para disputar o Palácio do Planalto. O tempo passou e, independentemente das oscilações naturais das pesquisas, a ex-primeira-dama continua aparecendo como uma das figuras mais relevantes da oposição, frequentemente em condições de disputar o eleitorado de centro e de reduzir a rejeição que acompanha outros nomes da direita.</p>
<p class="isSelectedEnd">O diferencial de Michelle não está apenas nos números. Sua imagem pública foi construída em torno de valores que encontram ressonância em parcelas importantes da sociedade brasileira: família, religiosidade, discrição e lealdade política. Ao contrário de outros expoentes do bolsonarismo, ela não carrega o mesmo histórico de confrontos partidários e disputas institucionais, o que permite que seja vista por parte do eleitorado como uma alternativa de continuidade sem reproduzir integralmente a polarização que domina o país desde 2018.</p>
<p class="isSelectedEnd">É justamente nesse ponto que a direita brasileira precisa fazer uma reflexão estratégica. Se o objetivo for construir uma candidatura verdadeiramente competitiva contra Lula, talvez seja hora de abandonar preferências pessoais e enxergar a realidade eleitoral com maior pragmatismo. Michelle parece pronta para entrar em campo, mas sua viabilidade dependerá da capacidade do grupo político liderado por Jair Bolsonaro de colocar o projeto eleitoral acima de interesses individuais.</p>
<p>Isso inclui, inevitavelmente, os filhos do ex-presidente. Caso prevaleçam projetos familistas voltados apenas à preservação de espaços políticos, a oposição corre o risco de desperdiçar uma oportunidade relevante. A eleição de 2026 ainda está longe de ser decidida, mas uma conclusão parece cada vez mais evidente: Michelle Bolsonaro deixou de ser apenas uma personagem de apoio para se tornar uma das figuras centrais da sucessão presidencial. Resta saber se aqueles que comandam o bolsonarismo estarão dispostos a reconhecer os sinais emitidos pelo eleitorado.</p>
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<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</em></strong></p>
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		<title>Alek Maracajá e o protagonismo do Nordeste na economia digital brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 14:44:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A eleição de Alek Maracajá para a vice-presidência de Relações Governamentais e Institucionais da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi) representa muito mais do que uma conquista pessoal. Trata-se de um marco histórico para o Nordeste e para todos aqueles que acreditam em um Brasil mais integrado, plural e conectado às transformações do século XXI. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A eleição de Alek Maracajá para a vice-presidência de Relações Governamentais e Institucionais da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi) representa muito mais do que uma conquista pessoal. Trata-se de um marco histórico para o Nordeste e para todos aqueles que acreditam em um Brasil mais integrado, plural e conectado às transformações do século XXI.</p>
<p>Pela primeira vez na história da entidade, um representante nordestino passa a ocupar uma das vice-presidências nacionais da principal organização do setor digital do país. O fato, por si só, já demonstra a evolução do mercado brasileiro e a crescente relevância de uma região que há muito deixou de ser apenas espectadora para se tornar protagonista nos debates sobre inovação, tecnologia e economia criativa.</p>
<p>Falar sobre Alek Maracajá e ressaltar sua trajetória ajuda a explicar a importância dessa conquista. Empresário, pesquisador e especialista em inteligência de dados, Alek construiu uma carreira pautada pelo conhecimento, pela inovação e pela capacidade de enxergar tendências que moldam o futuro. Sua chegada à direção nacional da Abradi simboliza o reconhecimento de um trabalho consistente e, ao mesmo tempo, abre portas para que a voz do Nordeste seja ouvida com ainda mais força nos espaços de decisão.</p>
<p>Durante décadas, o desenvolvimento tecnológico brasileiro esteve concentrado em poucos centros econômicos. Hoje, porém, a realidade é diferente. O Nordeste abriga ecossistemas inovadores, startups competitivas, universidades de excelência e profissionais que contribuem decisivamente para o crescimento da economia digital. A presença de Alek na vice-presidência da Abradi é um reflexo direto dessa nova realidade.</p>
<p>Sua visão sobre a necessidade de descentralizar os debates e ampliar a participação das diferentes regiões do país é não apenas atual, mas necessária. Quando afirma que &#8220;o futuro da inovação brasileira passa pela capacidade de unir talentos, mercados e visões de todas as regiões do país&#8221;, Alek sintetiza um pensamento moderno e alinhado aos desafios de uma economia cada vez mais conectada e colaborativa.</p>
<p>O Brasil digital não pode ser construído apenas a partir dos grandes centros tradicionais. A diversidade regional é uma das maiores riquezas nacionais e deve ser encarada como um diferencial competitivo. Valorizar o Nordeste significa reconhecer o potencial de milhões de brasileiros que contribuem diariamente para a inovação, a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico.</p>
<p>A eleição de Alek Maracajá, portanto, transcende o simbolismo de um cargo. Ela representa uma mudança de paradigma. É a confirmação de que competência, conhecimento e liderança não têm endereço exclusivo. É também uma mensagem clara de que o futuro da economia digital brasileira será mais democrático, mais representativo e mais conectado com a realidade de todas as regiões do país.</p>
<p>O Nordeste celebra essa conquista porque ela não pertence apenas a um profissional de destaque. Ela pertence a uma geração inteira que trabalha para mostrar que a inovação brasileira tem sotaques diversos, talentos espalhados por todo o território nacional e um futuro que será construído coletivamente.</p>
<p>Mais que qualquer coisa, Alek, que é um amigo muito querido e por quem tenho profunda admiração, tem construído uma história no digital que já não pertence à Paraíba e ao Nordeste, mas ao País, que já o reconhece como uma voz respeitada e acreditada no universo digital.</p>
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<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e Sócio-Proprietário do Tá na Área</em></strong></p>
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		<title>CRÔNICA DA SEMANA: Legado de uma mãe; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 09:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Minha mãe partiu em 2019. Dois anos depois, meu pai também se foi. E desde então aprendi que a saudade não desaparece. Ela apenas muda de lugar dentro da gente. Há dias em que ela aperta mais forte, principalmente quando a memória resolve abrir gavetas antigas da vida. E quando isso acontece, eu volto à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="0" data-end="269"><strong>Minha mãe partiu em 2019.</strong> Dois anos depois, meu pai também se foi. E desde então aprendi que a saudade não desaparece. Ela apenas muda de lugar dentro da gente. Há dias em que ela aperta mais forte, principalmente quando a memória resolve abrir gavetas antigas da vida.</p>
<p data-start="271" data-end="315">E quando isso acontece, eu volto à infância.</p>
<p data-start="317" data-end="660">Volto ao tempo dos primeiros ensinamentos, das palavras firmes e cheias de amor, do cuidado silencioso que só uma mãe sabe ter. Minha mãe, professora por vocação e missão, me ensinou muito antes da escola me ensinar.<strong> Foi ela quem me apresentou o valor da leitura, da educação e do conhecimento como ferramentas capazes de transformar destinos.</strong></p>
<p data-start="662" data-end="1154">Lembro do primeiro gibi, dos primeiros livros, das enciclopédias que pareciam abrir janelas para o mundo dentro de casa. Lembro do brilho nos olhos dela ao perceber meu interesse pelas palavras, pelas histórias, pela comunicação. E jamais esquecerei a emoção do primeiro computador que ganhei quando entrei na Universidade Federal da Paraíba para cursar Jornalismo. Mais do que um presente, era um gesto de confiança. <strong>Ela acreditava nos meus sonhos antes mesmo de eu ter coragem de acreditar.</strong></p>
<p data-start="1156" data-end="1489">O amor que tenho pela minha mãe continua intacto. E cresce quando percebo o tamanho do legado que ela e meu pai deixaram em mim. Não herdei riquezas materiais. Herdei valores. <strong>Herdei caráter, fé, dignidade, respeito pelas pessoas, amor pelo estudo e a certeza de que o conhecimento é uma das maiores heranças que alguém pode receber.</strong> É essa herança que quero e vou deixar para <strong>Matheus, Maria Helena e Maria Heloísa, meus filhos. </strong></p>
<p data-start="1491" data-end="1733">Talvez por isso exista algo tão especial no fato de eu ter nascido no mesmo mês que ela e fazer aniversário apenas quatro dias depois. Como se Deus tivesse desenhado, no calendário da vida, uma forma bonita de eternamente nos manter próximos.</p>
<p data-start="1735" data-end="1904">Hoje entendo que algumas pessoas não vão embora por completo. Permanecem nos gestos que aprendemos com elas, nas escolhas que fazemos e na maneira como seguimos vivendo.</p>
<p data-start="1906" data-end="2051" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Minha mãe segue viva em mim.</strong> Nas palavras que escrevo, na fé que carrego, no homem que me tornei e na gratidão que sinto por ter sido filho dela.</p>
<p data-start="1906" data-end="2051" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
<p data-start="1906" data-end="2051" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do Tá na Área</em></strong></p>
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		<title>O silêncio também mata; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 15:26:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há tragédias que não podem ser tratadas como estatística, acidente doméstico ou mera fatalidade. O caso do elevador que despencou em um condomínio de alto padrão no bairro do Altiplano, em João Pessoa, deixando duas crianças feridas e uma mulher de apenas 36 anos paraplégica, precisa ser encarado pelo que aparentemente é: um retrato cruel [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="flex max-w-full flex-col gap-4 grow">
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<p data-start="24" data-end="494">Há tragédias que não podem ser tratadas como estatística, acidente doméstico ou mera fatalidade. O caso do elevador que despencou em um condomínio de alto padrão no bairro do Altiplano, em João Pessoa, deixando duas crianças feridas e uma mulher de apenas 36 anos paraplégica, precisa ser encarado pelo que aparentemente é: um retrato cruel da negligência, da morosidade institucional e do peso desigual que o poder econômico ainda exerce sobre as estruturas deste país.</p>
<p data-start="496" data-end="620">Não se trata apenas de um elevador que caiu. Trata-se de um sistema inteiro que falhou antes mesmo do equipamento despencar.</p>
<p data-start="622" data-end="1137">As informações já conhecidas tornam o episódio ainda mais grave. O condomínio havia acionado judicialmente a construtora GGP denunciando vícios estruturais, falhas recorrentes e riscos concretos envolvendo os elevadores do empreendimento. Não eram reclamações superficiais. Falava-se em incêndio no fosso de elevador, travamentos constantes, queda abrupta anterior, falhas em sistemas de segurança, interfone de emergência inoperante e ausência de solução definitiva mesmo após inúmeras reclamações administrativas.</p>
<p data-start="1139" data-end="1395">A Justiça de primeira instância reconheceu a gravidade do caso. Determinou a substituição integral dos elevadores e impôs multa diária para obrigar o cumprimento da decisão. O magistrado destacou, inclusive, o potencial risco de acidentes graves ou fatais.</p>
<p data-start="1397" data-end="1485">Mas então entrou em cena aquilo que o brasileiro conhece bem: o peso do poder econômico.</p>
<p data-start="1487" data-end="1749">A construtora recorreu. Conseguiu reverter a decisão no Tribunal de Justiça da Paraíba. E o processo, ao que tudo indica, repousa lentamente em alguma gaveta refrigerada do Palácio da Justiça, enquanto uma mãe jovem agora encara uma condenação física permanente.</p>
<p data-start="1751" data-end="1794">É impossível não fazer perguntas incômodas.</p>
<p data-start="1796" data-end="1898">Se já havia decisão judicial reconhecendo risco grave, por que o caso não recebeu prioridade absoluta?</p>
<p data-start="1900" data-end="2016">Se existiam laudos técnicos apontando falhas de alta periculosidade, por que o processo não teve tramitação urgente?</p>
<p data-start="2018" data-end="2131">Se o próprio condomínio denunciava risco iminente, por que ninguém agiu a tempo de evitar uma tragédia anunciada?</p>
<p data-start="2133" data-end="2482">O laudo técnico é devastador. Fala em ausência de sinalização de segurança, falhas no aterramento elétrico, inexistência de iluminação de emergência, problemas na ventilação, deficiência nos dispositivos de resgate e, talvez o mais alarmante: uma máquina de tração incompatível com a capacidade estrutural do elevador e fora das normas de segurança.</p>
<p data-start="2484" data-end="2563">Mais grave ainda: o documento recomendava substituição completa do equipamento.</p>
<p data-start="2565" data-end="2979">Agora, depois da tragédia consumada, surgem as notas frias, juridicamente calculadas, tentando delimitar responsabilidades. A construtora afirma que a manutenção dos equipamentos era responsabilidade do condomínio após a entrega do empreendimento. É uma tese previsível no campo jurídico. Mas ela não apaga o histórico documental já existente nem elimina as denúncias anteriores de vícios estruturais persistentes.</p>
<p data-start="2981" data-end="3329">E aqui reside o ponto central: o que houve no Altiplano não pode ser reduzido a uma disputa burocrática entre condomínio e construtora. Existe uma vítima humana no centro dessa história. Uma mulher que saiu de casa para viver sua rotina e teve a vida devastada. Duas crianças marcadas por um episódio traumático. Famílias destruídas emocionalmente.</p>
<p data-start="3331" data-end="3754">Há momentos em que o jornalismo precisa ultrapassar a simples narrativa factual e exercer sua função pública. Aprendi, ainda na universidade, com mestres como Luiz Custódio e Wellington Pereira, que o jornalismo não serve para bajular poderosos nem para anestesiar consciências. Serve para iluminar zonas escuras, cobrar respostas e impedir que a verdade seja soterrada pela influência política, econômica ou institucional.</p>
<p data-start="3756" data-end="3779">E este caso cheira mal.</p>
<p data-start="3781" data-end="3811">Cheira à negligência ignorada.</p>
<p data-start="3813" data-end="3840">Cheira à lentidão seletiva.</p>
<p data-start="3842" data-end="3947">Cheira ao velho Brasil onde processos envolvendo gente poderosa parecem caminhar em velocidade diferente.</p>
<p data-start="3949" data-end="4356">O Poder Judiciário da Paraíba também precisa explicações públicas à sociedade. Não basta o silêncio protocolar dos autos. Não basta dizer que “o processo segue tramitando”. Uma tragédia dessa dimensão exige transparência. Exige prestação de contas. Exige esclarecer por que uma decisão que reconhecia riscos graves foi revertida e por que medidas efetivas aparentemente não impediram que o pior acontecesse.</p>
<p data-start="4358" data-end="4621">A sociedade paraibana não pode aceitar que o caso desapareça do debate público após alguns dias de indignação nas redes sociais. Porque quando tragédias anunciadas deixam de gerar consequências concretas, cria-se uma autorização silenciosa para que novas ocorram.</p>
<p data-start="4623" data-end="4644">Não houve fatalidade.</p>
<p data-start="4646" data-end="4667">Fatalidade é um raio.</p>
<p data-start="4669" data-end="4695">Fatalidade é um terremoto.</p>
<p data-start="4697" data-end="4819">Quando existem alertas, denúncias, laudos, decisões judiciais e riscos previamente conhecidos, o nome disso é outra coisa.</p>
<p data-start="4821" data-end="5017">E os responsáveis — sejam empresários, técnicos, administradores ou agentes públicos — precisam ser identificados e responsabilizados, independentemente do tamanho de sua influência ou patrimônio.</p>
<p data-start="5019" data-end="5086">Porque nenhuma estrutura de concreto vale mais que uma vida humana.</p>
<p data-start="5088" data-end="5160" data-is-last-node="" data-is-only-node="">E porque o silêncio institucional, diante de casos assim, também desaba.</p>
</div>
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