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	<title>Arquivos Ivandro Oliveira - Tá na Área</title>
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	<description>Mais que notícia, informação!</description>
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		<title>Reconhecimento e veredito das urnas; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 15:09:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desfecho da eleição de 2026 na Paraíba começou muito antes de o Tribunal Regional Eleitoral totalizar os votos. A reeleição de Lucas Ribeiro (PP), já no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, e a eleição de João Azevêdo (PSB) para o Senado podem ser lidas como a expressão eleitoral de um sentimento construído [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O desfecho da eleição de 2026 na Paraíba começou muito antes de o Tribunal Regional Eleitoral totalizar os votos. A reeleição de Lucas Ribeiro (PP), já no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, e a eleição de João Azevêdo (PSB) para o Senado podem ser lidas como a expressão eleitoral de um sentimento construído ao longo dos últimos anos: a percepção, por uma parcela majoritária do eleitorado, de que o governo chegou à ponta. Não apenas por discursos, slogans ou peças publicitárias, mas por obras, programas e serviços que passaram a fazer parte do cotidiano de diferentes regiões do estado.</p>
<p>Foi esse inventário administrativo que chegou às urnas. O Polo Turístico Cabo Branco ganhou corpo; a Ponte do Futuro saiu do discurso para integrar a agenda concreta de infraestrutura; programas como Tá na Mesa e Opera Paraíba alcançaram milhares de pessoas; a saúde avançou em direção ao interior; novos equipamentos hospitalares foram implantados; e obras de mobilidade modificaram a paisagem da Região Metropolitana e de municípios do interior. As travessias urbanas talvez sejam uma das imagens mais simbólicas dessa estratégia: o asfalto chegando a cidades e comunidades que durante décadas pouco viram grandes investimentos estaduais. O próprio governo registra, entre seus projetos estruturantes, investimentos bilionários no Polo Turístico e centenas de milhões de reais em novas ligações rodoviárias e equipamentos de saúde.</p>
<p>É nesse contexto que se explica politicamente a votação das urnas. João Azevêdo apareceu para seus eleitores como o principal formulador e condutor desse ciclo administrativo, enquanto Lucas Ribeiro conseguiu apresentar-se como a continuidade de um projeto sem transmitir simplesmente a imagem de repetição. João recebeu 1.391.994 votos para o Senado. Lucas foi além na disputa pelo governo: 1.470.252 votos, alcançando 64,30% dos válidos e encerrando a eleição estadual no primeiro turno. São números que dão dimensão objetiva à força eleitoral alcançada pelo grupo governista.</p>
<p>Mas reduzir a vitória de Lucas exclusivamente à herança de João seria uma leitura incompleta. Ao assumir o governo e, depois, enfrentar sua primeira eleição para comandá-lo diretamente pelo voto, ele precisava construir identidade própria. Apostou na juventude, na presença física, no ritmo de agenda e na ideia de continuidade com renovação. Durante a campanha, procurou transmitir disposição no corpo a corpo e segurança nos debates, enquanto sua comunicação buscou associar sua imagem ao conceito de um governo em movimento. A campanha conseguiu, assim, transformar a continuidade administrativa em argumento eleitoral sem apagar a figura do candidato.</p>
<p>Há ainda um componente que merece atenção: campanhas majoritárias também são decididas pela capacidade de evitar erros. Lucas atravessou a disputa mantendo uma estratégia relativamente disciplinada, sustentada por uma estrutura política ampla, comunicação de governo e marketing eleitoral voltado à associação entre obras, resultados e futuro. Em vez de romper com o legado recebido, reivindicou-o e tentou acrescentar a ele sua própria identidade. O tamanho da votação sugere que essa mensagem encontrou ressonância expressiva entre os eleitores.</p>
<p>A eleição de 2026 deixa, portanto, uma fotografia política bastante clara da Paraíba daquele momento. O eleitorado não julgou apenas candidatos; julgou também um ciclo administrativo. E a maioria decidiu pela continuidade. João Azevêdo saiu das urnas para o Senado e Lucas Ribeiro permaneceu no Palácio da Redenção legitimado diretamente pelo voto. Mais do que uma simples transferência de capital político, o resultado mostra como obras, serviços públicos, alianças, comunicação e percepção de presença governamental podem convergir eleitoralmente.</p>
<p>No fim das contas, talvez esteja aí a principal explicação daquele 4 de outubro: antes de pedir continuidade nas urnas, o grupo governista trabalhou para construir uma narrativa de continuidade nas ruas. Quando as urnas foram abertas, essa percepção já estava formada. A eleição apenas a transformou em números.</p>
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		<title>A urna mudou o jogo; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 02:12:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eleição só termina quando acaba. Mas algumas coisas terminam antes da contagem final. O primeiro turno deixou duas evidências políticas: o lulismo que governou o país nos últimos quatro anos chegou ao limite de sua fórmula e o STF dificilmente atravessará o próximo ciclo político operando sob o mesmo grau de liberdade institucional e sem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-pm-slice="1 1 []">Eleição só termina quando acaba. Mas algumas coisas terminam antes da contagem final. O primeiro turno deixou duas evidências políticas: o lulismo que governou o país nos últimos quatro anos chegou ao limite de sua fórmula e o STF dificilmente atravessará o próximo ciclo político operando sob o mesmo grau de liberdade institucional e sem enfrentar uma cobrança muito maior por freios, limites e controles. Lula ainda pode vencer o segundo turno. Mas, mesmo que vença, terá pela frente um país politicamente diferente daquele que encontrou em 2023.</p>
<p>As entrevistas depois da apuração foram quase uma fotografia do momento. De um lado, Flávio Bolsonaro falando em mudança e no fim de um ciclo. Do outro, Lula prometendo derrotar o bolsonarismo. O petista parece não ter entendido o recado mais importante das urnas: esta eleição não gira apenas em torno de Bolsonaro. Gira em torno de mudança. Lula continua lutando contra o passado enquanto uma parcela expressiva do eleitorado parece discutir o futuro. E talvez esse seja seu maior adversário no segundo turno: não Flávio, não o marketing, não as redes sociais, mas a dificuldade de reconhecer que o Brasil de hoje já não responde aos mesmos comandos políticos de vinte anos atrás.</p>
<p>Enquanto o lulismo procura culpados e aposta novamente em medidas de forte apelo eleitoral, Flávio tenta ocupar justamente o espaço que pode decidir a eleição: o centro. Apresenta-se com um discurso menos estridente que o do pai e busca transformar o sentimento antipetista em algo maior: uma candidatura de mudança. E Brasília, como sempre, fareja rapidamente para onde sopra o vento. Apoios começam a aparecer, setores do Centrão se movimentam e políticos que ontem calculavam cada palavra agora recalculam suas posições. Na política brasileira, convicções costumam caminhar ao lado das pesquisas e, principalmente, das urnas.</p>
<p>O STF também recebeu seu recado. Não porque ministros estivessem na cédula, mas porque a atuação da Corte tornou-se parte central da disputa política brasileira. Uma ala importante do Supremo esteve durante anos no epicentro dos confrontos com o bolsonarismo e, agora, encontrará um Congresso fortalecido à direita e um debate renovado sobre prerrogativas, decisões monocráticas, impeachment de ministros e equilíbrio entre os Poderes. A Corte continuará exercendo suas competências constitucionais, evidentemente. O que parece muito menos sustentável politicamente é imaginar que a relação entre Supremo, Congresso e Executivo permanecerá exatamente como esteve até aqui.</p>
<p>Lula ainda está vivo na disputa. E eleição, vale repetir, só acaba quando termina. Mas seu relógio corre mais depressa. Ele precisa convencer o eleitor de que pode representar o futuro depois de ter passado boa parte da campanha defendendo o legado do passado. Flávio, por sua vez, precisa demonstrar que a palavra “mudança” significa algo além da troca de nomes no Palácio do Planalto. Seja qual for o resultado do segundo turno, porém, uma mensagem já saiu das urnas: Brasília mudou. Quem ainda não percebeu talvez seja justamente quem mais precisava perceber.</p>
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		<title>Supremo e o velório de si mesmo; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 19:01:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há dias em que uma instituição perde uma batalha. Há outros em que perde algo muito mais precioso: a autoridade moral diante da sociedade. O que o Brasil assistiu, ontem, foi, talvez, o episódio mais constrangedor da história do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte constitucional se desmoralizou diante da Nação de um jeito que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias em que uma instituição perde uma batalha. Há outros em que perde algo muito mais precioso: a autoridade moral diante da sociedade. O que o Brasil assistiu, ontem, foi, talvez, o episódio mais constrangedor da história do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte constitucional se desmoralizou diante da Nação de um jeito que nem o mais obstinado de seus detratores poderia desejar. Foi, metaforicamente, o velório do Supremo — e o mais impressionante é que o caixão parecia estar sendo carregado pelos próprios ministros.</p>
<p>A sessão que deveria examinar, com serenidade e rigor jurídico, se existem elementos para investigar Alexandre de Moraes transformou-se em uma sucessão de acusações, bate-bocas e disputas internas. Moraes acusou André Mendonça de agir para incluí-lo numa eventual delação de Daniel Vorcaro; Mendonça respondeu que era mentira; Gilmar Mendes entrou no confronto; outros ministros se digladiaram sobre procedimentos, suspeições e relatorias. A própria ministra Cármen Lúcia declarou estar em “profunda consternação e tristeza” e disse que o episódio provocava “um mal-estar cívico” no país.</p>
<p>A certa altura, a cena já não lembrava uma Corte Constitucional discutindo os limites do poder de seus próprios integrantes. Parecia uma reunião de grupos rivais disputando território. E esse talvez seja o aspecto mais devastador de tudo: não é preciso que um detrator do STF faça campanha contra o Supremo quando seus próprios ministros conseguem produzir, diante das câmeras, uma imagem tão corrosiva da instituição.</p>
<p>Também causa estranheza transformar Jair Bolsonaro, ora em prisão domiciliar, no personagem oculto capaz de explicar tudo o que está acontecendo. A ligação de André Mendonça com Bolsonaro é um fato — ele foi indicado pelo então presidente ao Supremo. Mas isso não responde às perguntas objetivas que estão sobre a mesa. Bolsonaro não obrigou Alexandre de Moraes a manter contato com Daniel Vorcaro, não o obrigou a se encontrar com o banqueiro e tampouco determinou a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro. A Polícia Federal encontrou mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes, além de registros de encontros e documentos relativos ao contrato. O relatório, porém, não contém integralmente eventuais respostas de Moraes, e a existência desses elementos, por si só, não prova irregularidade ou favorecimento. É justamente por isso que a investigação, se autorizada, serviria para esclarecer os fatos.</p>
<p>É aqui que mora a questão essencial: <strong>a mesma régua que vale para a plebe precisa valer para quem está sentado no mais alto tribunal do país</strong>. Não existe Estado de Direito quando o cidadão comum precisa explicar seus vínculos, contratos, mensagens e relações, enquanto integrantes do Poder que deveria fiscalizar a aplicação da lei ficam protegidos por uma espécie de círculo de imunidade institucional.</p>
<p>Se, ao final de toda essa história, o Supremo decidir simplesmente não investigar Moraes, sem permitir que as questões objetivas levantadas pelos documentos sejam devidamente esclarecidas, a crise será muito maior do que a de um ministro. Será uma crise de credibilidade da própria Corte. E o STF corre o risco de deixar de ser percebido por parcela da sociedade como um Poder da República para passar a ser visto como uma extensão do escritório de advocacia da família do ministro — e de sabe-se lá mais quem. Essa percepção pode ser injusta, mas é precisamente por isso que uma instituição republicana precisa permitir que os fatos sejam esclarecidos com transparência e independência.</p>
<p>O pedido de vista de Flávio Dino adiou a conclusão do julgamento. Na prática, a tropa de choque do Supremo fez duas coisas nesta terça-feira: <strong>deu tempo a Alexandre de Moraes e tirou tempo do Brasil</strong>.</p>
<p>O problema é que instituições não vivem apenas de decisões judiciais. Vivem também de confiança. E confiança não se impõe por votos, toga ou autoridade. Conquista-se pela coerência, pela transparência e, sobretudo, pela capacidade de aplicar a si mesma a mesma lei que aplica aos outros.</p>
<p>O Supremo ainda pode interromper essa marcha rumo ao descrédito. Mas isso exige uma coisa que faltou em boa parte da sessão desta terça-feira: menos corporativismo, menos acusações cruzadas e mais disposição para deixar que os fatos falem. Porque, quando a própria Corte parece ter perdido a serenidade para investigar seus integrantes, quem termina no banco dos réus não é apenas um ministro.</p>
<p>É a credibilidade da instituição.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Toga diante do espelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 14:43:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há crises que chegam fazendo barulho. Outras começam em silêncio, acumulando sombras nos corredores, portas fechadas, documentos que não se deixam ler e perguntas que ninguém parece disposto a responder. A mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal em mais de 130 anos talvez seja justamente assim: não nasceu de um único estampido, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há crises que chegam fazendo barulho. Outras começam em silêncio, acumulando sombras nos corredores, portas fechadas, documentos que não se deixam ler e perguntas que ninguém parece disposto a responder. A mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal em mais de 130 anos talvez seja justamente assim: não nasceu de um único estampido, mas de uma sucessão de ruídos abafados. Nesta semana, ao sair de uma longa meditação, Edson Fachin tentou interromper o bangue-bangue. Mas há momentos em que o silêncio acumulado pesa mais do que qualquer tiro — e já não basta pedir calma quando a própria instituição parece ter perdido o compasso.</p>
<section>Entre as medidas anunciadas, uma pode abrir uma fresta de luz num quarto mantido escuro por quase oito anos: retirar de Alexandre de Moraes a condução do inquérito das fake news e admitir a possibilidade de tornar públicos seus procedimentos derivados. Se isso acontecer, talvez não seja apenas o conteúdo de papéis que venha à tona, mas a anatomia de uma época. Mais de cem procedimentos, muitos deles secretos, poderão revelar como uma exceção jurídica se transformou em método, como uma investigação concebida sob o argumento de proteger a Corte acabou se tornando uma espécie de labirinto no qual os próprios limites foram sendo redesenhados enquanto se caminhava.Há algo de trágico nessa história. O Supremo nasceu para ser o lugar onde o poder encontra a lei. Agora, é a própria Corte que precisa ser examinada pela luz daquilo que ensina aos outros. Durante anos, heterodoxias foram toleradas em nome de uma urgência maior — a defesa da democracia. Talvez tenha sido necessário atravessar terrenos extraordinários para enfrentar ameaças extraordinárias. Mas toda excepcionalidade carrega dentro de si uma pergunta que um tribunal constitucional jamais pode esquecer: quem vigia o vigia? Quando a porta da exceção permanece aberta por tempo demais, o provisório começa a parecer permanente, e a defesa da democracia pode terminar produzindo uma instituição que já não aceita ser escrutinada por ela.</p>
<p>O mais doloroso, porém, não está nos corredores do Supremo, mas do lado de fora deles. Está na rua, na boca de brasileiros e brasileiras que querem, por direito, respostas claras, objetivas e convincentes de alguns dos seus já não tão ilustres membros.</p>
<p>Ivandro Oliveira é jornalista .</p>
</section>
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		<title>O que está ruim pode piorar; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 01:35:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil entrou numa grave crise institucional — e tudo indica que ela ainda pode piorar. Nas aparências, o novo capítulo surgiu com o conteúdo dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de comandar uma organização criminosa. O material revelado levanta questionamentos extremamente graves sobre as relações do banqueiro com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">O Brasil entrou numa grave crise institucional — e tudo indica que ela ainda pode piorar. Nas aparências, o novo capítulo surgiu com o conteúdo dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de comandar uma organização criminosa. O material revelado levanta questionamentos extremamente graves sobre as relações do banqueiro com autoridades do mais alto escalão da República, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, um dos homens mais poderosos do Supremo Tribunal Federal. A suspeita de que um ministro da Suprema Corte possa ter atuado de forma tão próxima aos interesses de um empresário acusado de fraudes já seria, por si só, devastadora.</p>
<p class="isSelectedEnd">A situação se tornou ainda mais intragável pela reação das próprias instituições. O STF não demonstrou, até agora, a disposição que a gravidade do caso exigiria, enquanto a Procuradoria-Geral da República questionou a atuação do ministro André Mendonça que resultou na coleta dos dados que alimentaram as suspeitas. Agora, a eventual abertura de investigação sobre Moraes poderá ser decidida pelo próprio plenário do Supremo. É um daqueles casos em que a Corte parece não ter boas opções: se nada fizer, aprofundará a percepção de corporativismo; se investigar, reconhecerá que existem elementos graves o suficiente para colocar um de seus integrantes sob escrutínio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas a crise é maior do que Moraes, Toffoli ou o Banco Master. O que está em jogo é a percepção de uma perigosa proximidade entre grandes interesses econômicos, poder político e instituições que deveriam funcionar com absoluta independência. Quando decisões e relações entre integrantes dos Poderes passam a ser vistas pela sociedade como parte de acordos de conveniência, a confiança pública começa a ruir. E sem confiança, nenhuma democracia funciona plenamente.</p>
<p class="isSelectedEnd">O mais preocupante é que esse ambiente alimenta a sensação de que existem cidadãos e grupos que estão acima das regras aplicadas ao restante da sociedade. Pouco importa, nesse momento, quem será absolvido ou responsabilizado ao final das investigações. O estrago institucional já está feito quando milhões de brasileiros passam a acreditar que o sistema protege os poderosos e funciona de maneira diferente conforme o nome envolvido.</p>
<p class="isSelectedEnd">É assim que uma crise política se transforma em uma crise de legitimidade. O sentimento de indignação cresce, a descrença se espalha e surge algo ainda mais perigoso: o nojo diante das instituições e daqueles que deveriam representá-las. Quando a sociedade deixa de acreditar que Justiça, Congresso e Executivo são capazes de impor limites a seus próprios integrantes, abre-se espaço para o descrédito, para o radicalismo e até para a desobediência às próprias regras democráticas.</p>
<p>Por isso, o Brasil precisa de respostas — não de silêncio, corporativismo ou acordos de bastidores. Se existem indícios, que sejam investigados; se não existem crimes, que isso seja demonstrado com transparência. O que não pode acontecer é a República assistir passivamente à destruição de sua própria credibilidade. Porque governos passam, ministros passam, empresários passam. <strong>Mas quando uma sociedade perde a confiança nas instituições, reconstruí-la pode levar uma geração inteira.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></p>
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		<title>Fotografia do momento e o vento a favor; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 02:58:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há pesquisas que apenas registram uma fotografia. E há aquelas que, além de retratar o momento, ajudam a compreender o ambiente político em que uma eleição começa a tomar forma. A primeira pesquisa do Instituto Quaest sobre a sucessão estadual na Paraíba, divulgada nesta terça-feira pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, pertence claramente à segunda [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://www.tanaarea.com.br/opiniao/ivandro-oliveira/fotografia-do-momento-e-o-vento-a-favor-por-ivandro-oliveira/">Fotografia do momento e o vento a favor; por Ivandro Oliveira</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.tanaarea.com.br">Tá na Área</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">Há pesquisas que apenas registram uma fotografia. E há aquelas que, além de retratar o momento, ajudam a compreender o ambiente político em que uma eleição começa a tomar forma. A primeira pesquisa do Instituto Quaest sobre a sucessão estadual na Paraíba, divulgada nesta terça-feira pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, pertence claramente à segunda categoria.</p>
<p>Os números colocam o governador Lucas Ribeiro (PP) em uma posição bastante confortável a pouco mais de um mês da eleição. O governador aparece com <strong>38% das intenções de voto</strong>, contra 19% de Cícero Lucena e 18% de Efraim Filho. Considerando apenas os votos válidos, Lucas chega a aproximadamente <strong>48,7%</strong>, ficando a pouco mais de um ponto percentual dos 50% necessários para uma vitória no primeiro turno.</p>
<p>É uma vantagem expressiva, mas o que chama atenção está também nos números que estão por trás dela.</p>
<p>Lucas tem <strong>a menor rejeição entre os três principais candidatos</strong>: 22%, contra 46% de Cícero e 46% de Efraim. Ao mesmo tempo, é o menos conhecido: 30% dos entrevistados dizem ainda não conhecê-lo. Traduzindo: Lucas tem mais espaço para crescer e encontra menos resistência entre aqueles que já conhecem seu nome.</p>
<p>O segundo ponto é a avaliação do governo. <strong>61% dos paraibanos aprovam a gestão de Lucas</strong>, enquanto apenas 17% desaprovam. Ou seja, existe um contingente significativo de eleitores que aprova o governo, mas ainda não transformou essa aprovação em voto. É justamente aí que está um dos maiores potenciais de crescimento do governador.</p>
<p>E há um terceiro dado politicamente poderoso: <strong>65% dizem que João Azevêdo merece eleger um sucessor</strong>, contra 24% que discordam. Como Lucas representa diretamente a continuidade do projeto político e administrativo de João, esse sentimento se transforma em um importante ativo eleitoral.</p>
<p>É claro que pesquisa não ganha eleição. Ainda faltam cerca de 40 dias, e política é dinâmica. Adversários podem reagir, campanhas podem mudar e fatos novos podem alterar o cenário.</p>
<p>Mas é preciso reconhecer o óbvio: <strong>a fotografia apresentada pela Quaest é extremamente favorável a Lucas Ribeiro</strong>.</p>
<p>Cícero e Efraim terão de reagir rapidamente para mudar essa dinâmica. Hoje, o governador está na frente, tem baixa rejeição, governa com alta aprovação e está muito próximo da marca que pode lhe garantir a vitória já no primeiro turno.</p>
<p><strong>Pesquisa é retrato do momento. E, neste momento, a fotografia de Lucas é muito boa.</strong></p>
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		<title>Os vices improváveis; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 00:40:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se alguém tivesse apostado, meses atrás, que Diogo Cunha Lima, Nayana Pontes e Lígia Feliciano seriam os vices de Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro, respectivamente, provavelmente teria perdido dinheiro — e ainda seria chamado de maluco pelos entendidos do riscado. Pois os três estão aí, devidamente escalados, provando mais uma vez que, na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se alguém tivesse apostado, meses atrás, que <strong>Diogo Cunha Lima, Nayana Pontes e Lígia Feliciano</strong> seriam os vices de Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro, respectivamente, provavelmente teria perdido dinheiro — e ainda seria chamado de maluco pelos entendidos do riscado. Pois os três estão aí, devidamente escalados, provando mais uma vez que, na política, o “óbvio” costuma durar menos que promessa de palanque. Diogo foi oficializado na chapa de Cícero ainda em abril; Nayana acabou compondo com Efraim; e, nesta terça-feira, Lucas fechou a sua chapa com Lígia.</p>
<p>Cícero queria Pedro Cunha Lima. Não levou. Acabou com o irmão, Diogo. É quase como pedir um Cunha Lima e receber outro — só que com a embalagem diferente. A escolha mantém o sobrenome mais cobiçado de Campina Grande na chapa, mas também deixa no ar aquela velha pergunta: quem diria, hein?</p>
<p>Efraim, por sua vez, passou meses flertando com a possibilidade de Juliana Cunha Lima. A “vice dos sonhos” virou, no fim, um sonho mesmo. Quem entrou em campo foi Nayana Pontes, esposa de Cabo Gilberto. A política tem dessas: quando o plano A não atende ao telefone, o plano B já está com a roupa de campanha passada e pronta para a foto.</p>
<p>E Lucas? Ah, Lucas viveu sua própria novela. Coronel Viviane foi a última apontada, comentada, analisada e até escalada por muita gente na prancheta dos entendidos e pitaqueiros — este colunista incluído. No fim, o governador puxou do banco uma velha conhecida: <strong>Lígia Feliciano</strong>, ex-vice-governadora, agora candidata a repetir a dose pela terceira vez. Se vencer, poderá pedir música no Fantástico: será a primeira paraibana a ocupar a vice-governadoria.</p>
<p>No fim das contas, <strong>Cícero tem Diogo, Efraim tem Nayana e Lucas tem Lígia</strong>. Três escolhas que dificilmente apareceriam juntas em qualquer bolão político feito no início do ano. Magalhães Pinto tinha razão: política é dinâmica. Na Paraíba, ultimamente, está quase em modo turbo.</p>
<p>Agora não há mais vice para escolher, especulação para alimentar nem “nome dos sonhos” para vender. Os times estão completos. A bola vai para o campo, a campanha de rua começa no domingo e, a partir daí, os analistas — inclusive os que juravam saber quem seriam os vices — terão uma nova missão: explicar por que tudo aconteceu exatamente como eles, claro, <strong>nunca disseram que aconteceria</strong>.</p>
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		<title>A vice ideal não é apenas um nome, é uma mensagem; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 15:16:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na política, a escolha do candidato a vice raramente se resume ao currículo. Em disputas majoritárias, a composição da chapa costuma refletir aquilo que o candidato ao governo deseja comunicar ao eleitor. Mais do que preencher um espaço, o vice ajuda a contar uma história. Tudo indica que, por questão de conjuntura, a chapa liderada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="39" data-end="312">Na política, a escolha do candidato a vice raramente se resume ao currículo. Em disputas majoritárias, a composição da chapa costuma refletir aquilo que o candidato ao governo deseja comunicar ao eleitor. Mais do que preencher um espaço, o vice ajuda a contar uma história.</p>
<p data-start="314" data-end="718">Tudo indica que, por questão de conjuntura, a chapa liderada pelo governador Lucas Ribeiro (PP) tende a investir menos em compensações estritamente partidárias e mais em atributos de natureza conceitual. A definição da vice — caso a opção seja por uma mulher — poderá ser orientada pela construção de uma narrativa que dialogue com os desafios do momento e amplie a capacidade de comunicação da campanha.</p>
<p data-start="720" data-end="1126">Nesse contexto, ganha força a ideia de um perfil feminino com inserção em João Pessoa, maior colégio eleitoral da Paraíba e principal reduto político do prefeito Cícero Lucena, apontado como um dos potenciais adversários da disputa estadual. Mais do que representar um partido, a escolhida precisará agregar simbolismo, complementar a mensagem da chapa e estabelecer uma conexão com um eleitorado decisivo.</p>
<p data-start="1128" data-end="1390">Quatro mulheres aparecem, hoje, no radar das articulações: Rafaela Camaraense (PDT), tenente-coronel Viviane Vieira (PSB), Lígia Feliciano (União Brasil) e Maísa Cartaxo (Republicanos). Todas têm perfis distintos e, por consequência, contam histórias diferentes.</p>
<p data-start="1128" data-end="1390"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-241327 aligncenter" src="https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas.jpg 800w, https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas-300x169.jpg 300w, https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p data-start="1392" data-end="1910">Rafaela Camaraense reúne atributos de confiança política. Ex-secretária de Estado, suplente de deputada federal e nome defendido pelo PDT para a composição da chapa, mantém relação de proximidade com Lucas Ribeiro e é vista como alguém capaz de facilitar a condução do projeto político de continuidade do governo. Seu desafio, entretanto, está na identificação mais consistente com João Pessoa, fator que pode pesar em uma eleição onde a capital tende a exercer papel estratégico.</p>
<p data-start="1912" data-end="2403">Lígia Feliciano, por sua vez, oferece experiência institucional. Foi vice-governadora por dois mandatos e construiu uma trajetória marcada pela discrição e pela estabilidade nas funções que exerceu. Sua presença transmitiria previsibilidade administrativa e diálogo político. Em contrapartida, sua imagem permanece mais associada a Campina Grande do que à Grande João Pessoa, justamente onde a chapa governista poderá buscar ampliar sua competitividade.</p>
<p data-start="2405" data-end="2947">É nesse cenário que o nome da tenente-coronel Viviane Vieira passa a chamar atenção. Indicada oficialmente pelo PSB como uma das opções para a vice, ela representa uma narrativa bastante específica. Mulher, oficial da Polícia Militar, comandante em Cabedelo e reconhecida por sua atuação no enfrentamento às organizações criminosas na Região Metropolitana, chega ao debate carregando um discurso diretamente conectado ao tema que figura entre as maiores preocupações dos brasileiros: a segurança pública.</p>
<p data-start="2949" data-end="3403">Sua história ainda dialoga com outro segmento importante do eleitorado. Mãe de uma criança atípica, Viviane aproxima a chapa de uma pauta que mobiliza milhares de famílias e mulheres paraibanas em torno da inclusão, do acolhimento e das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência. O resultado é um perfil que combina firmeza institucional com sensibilidade social, permitindo que a campanha transite entre dois temas de forte apelo eleitoral.</p>
<p data-start="3405" data-end="3989">Já Maísa Cartaxo aparece como um nome cuja principal força está na identidade com João Pessoa. Embora seu projeto político atual esteja voltado para uma candidatura à Câmara Federal, seu nome continua sendo citado nos bastidores para a composição majoritária. Ex-primeira-dama da capital, professora universitária e figura pública de atuação discreta, transmite serenidade, maturidade e familiaridade com a liturgia dos cargos públicos. Além disso, sua eventual indicação contemplaria o Republicanos, um dos principais aliados da base governista.</p>
<p data-start="3991" data-end="4419">No fim das contas, a decisão sobre a vice dificilmente será tomada apenas com base na biografia individual de cada nome. O cálculo envolve equilíbrio partidário, alianças, estratégia regional e potencial eleitoral. Mas, se a conjuntura realmente apontar para uma escolha baseada em conceitos e mensagens, talvez a pergunta mais importante deixe de ser &#8220;quem é a vice?&#8221; para se tornar &#8220;qual história essa vice ajudará a contar?&#8221;.</p>
<p data-start="4421" data-end="4627" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Em uma eleição cada vez mais orientada por símbolos, percepção e identificação com o eleitor, essa narrativa pode ser tão importante quanto o peso político do partido que ocupará a segunda posição na chapa.</p>
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		<title>A derrota que devolveu a camisa do Brasil aos brasileiros; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 14:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje vou atrás de uma coisa improvável: encontrar uma boa notícia escondida dentro de uma derrota. O Brasil caiu na Copa. Mais uma vez, uma seleção europeia cruzou o caminho da Canarinho e interrompeu o sonho do hexa, repetindo um roteiro que se tornou frequente desde 2006. Dentro de campo, sobraram frustração, críticas e a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">Hoje vou atrás de uma coisa improvável: encontrar uma boa notícia escondida dentro de uma derrota. O Brasil caiu na Copa. Mais uma vez, uma seleção europeia cruzou o caminho da Canarinho e interrompeu o sonho do hexa, repetindo um roteiro que se tornou frequente desde 2006. Dentro de campo, sobraram frustração, críticas e a sensação de que o futebol brasileiro ainda busca reencontrar o protagonismo que um dia parecia natural.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas foi justamente fora das quatro linhas que surgiu um fato digno de registro. Em um momento em que talvez o brasileiro estivesse mais descrente da Seleção em toda a história recente, algo inesperado aconteceu: a camisa da Seleção Brasileira voltou a ser motivo de orgulho para pessoas de todas as posições políticas. Esquerda e direita, que hoje parecem incapazes de concordar sobre qualquer assunto, voltaram a vestir a mesma amarelinha sem constrangimento, sem disputa e sem a necessidade de explicar o porquê.</p>
<p class="isSelectedEnd">Durante anos, um dos maiores símbolos nacionais acabou sendo arrastado para o centro da polarização política. A camisa que representava conquistas, emoção e identidade nacional passou a carregar significados que dividiam os brasileiros. Aos poucos, muita gente deixou de usá-la para evitar interpretações ideológicas. Nesta Copa, porém, a &#8220;verde e amarelo&#8221;, como fazia questão de dizer o saudoso Mario Jorge Lobo Zagallo, voltou a cumprir sua função original: representar um país inteiro, e não apenas um grupo.</p>
<p class="isSelectedEnd">É claro que o futebol, sozinho, não resolverá as profundas divergências que marcam o Brasil. A polarização continuará existindo, e o debate político seguirá intenso em 2026. Mas símbolos nacionais pertencem à nação, não a partidos, governos ou movimentos. Talvez a eliminação tenha sido amarga dentro de campo, mas deixou uma pequena vitória fora dele: a recuperação de um patrimônio afetivo que sempre foi de todos os brasileiros.</p>
<p>No fim das contas, perder uma Copa nunca será motivo de comemoração. Mas, se era preciso encontrar uma boa notícia escondida na derrota, ela está justamente na arquibancada, nas ruas e nas redes sociais: a camisa da Seleção voltou a unir mais do que dividir. E, num Brasil tão fragmentado, isso pode não valer uma taça, mas certamente já representa uma conquista.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</em></strong></p>
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		<title>Crise entre Michelle e os filhos de Bolsonaro pode redesenhar a direita brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 15:03:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes tratada como um ruído passageiro, a crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha contornos de um terremoto político com potencial para extrapolar as fronteiras do PL e do próprio bolsonarismo. A decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher, recusando a trégua costurada por aliados, não representa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Antes tratada como um ruído passageiro, a crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha contornos de um terremoto político com potencial para extrapolar as fronteiras do PL e do próprio bolsonarismo. A decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher, recusando a trégua costurada por aliados, não representa apenas um gesto administrativo. É um recado político. Michelle demonstra que, para ela, a disputa deixou de ser uma divergência familiar e passou a envolver princípios, lealdade e, sobretudo, a forma como pretende construir seu próprio espaço na direita brasileira.</p>
<p>E mais: Michelle se sentiu confortável para soltar a bomba na pré-campanha de Flávio porque está ciente do imenso capital político e eleitoral que construiu no PL Mulher e do quanto o resto do bolsonarismo carece dele: o voto feminino é um ativo em disputa, um dos poucos, nesta eleição. Jair não o detinha. Flávio não o conquista. Eduardo o despreza</p>
<p>O fato de Michelle ter sido convencida por Damares Alves e Celina Leão a permanecer no PL, mas não na estrutura partidária que comandava, revela que há uma preocupação muito maior do que simplesmente preservar a unidade interna. O receio é eleitoral. Michelle se consolidou como uma das figuras mais populares do campo conservador, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, e um eventual rompimento definitivo poderia provocar uma migração de lideranças, candidaturas e bases de apoio que hoje orbitam em torno do bolsonarismo. Sua permanência na legenda parece ser, neste momento, muito mais uma decisão estratégica do que propriamente um gesto de pacificação.</p>
<p>A postura dos filhos do ex-presidente também ajuda a ampliar a dimensão da crise. O silêncio de Flávio Bolsonaro diante dos ataques promovidos por aliados de Eduardo Bolsonaro contra Michelle foi interpretado como uma escolha política. Mais do que uma disputa por espaço, o conflito evidencia a existência de dois projetos distintos dentro do universo bolsonarista: um mais familiar, ideológico e digital, liderado pelos filhos do ex-presidente; outro mais institucional, pragmático e eleitoral, que vê em Michelle a principal liderança capaz de ampliar o alcance da direita para além da militância mais radical. A republicação do vídeo de Anthony Garotinho, acompanhada da frase &#8220;a verdade de Jesus vai prevalecer&#8221;, mostra que Michelle também decidiu responder politicamente, ainda que de forma indireta.</p>
<p>O grande desafio para o bolsonarismo talvez nem seja administrar a crise doméstica, mas impedir que ela provoque uma divisão permanente entre dois públicos que até agora caminhavam juntos: o bolsonarismo raiz, fortemente conectado aos filhos de Jair Bolsonaro, e o conservadorismo mais amplo, que encontrou em Michelle uma liderança de perfil menos conflituoso e mais competitivo eleitoralmente. Se essa fissura se aprofundar, seus efeitos poderão ser sentidos muito além das convenções do PL, influenciando alianças, candidaturas e até o desenho da direita brasileira para 2026. Pela primeira vez desde que o bolsonarismo se consolidou como força política nacional, a principal disputa parece não ser contra os adversários externos, mas dentro da própria família que sempre simbolizou sua unidade.</p>
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