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	<title>Arquivos Ivandro Oliveira - Tá na Área</title>
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	<description>Mais que notícia, informação!</description>
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		<title>Inauguração do atraso; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 13:16:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há obras públicas que nascem para resolver problemas — e há aquelas que parecem existir apenas para ilustrar o problema em si. A recente inauguração de um arremedo de elevado na BR-230 encaixa-se com precisão cirúrgica na segunda categoria. Não é apenas concreto: é metáfora. Uma metáfora erguida lentamente, ao longo de quase uma década, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há obras públicas que nascem para resolver problemas — e há aquelas que parecem existir apenas para ilustrar o problema em si. A recente inauguração de um arremedo de elevado na BR-230 encaixa-se com precisão cirúrgica na segunda categoria. Não é apenas concreto: é metáfora. Uma metáfora erguida lentamente, ao longo de quase uma década, sobre os escombros da eficiência administrativa.</p>
<p>A tal triplicação da rodovia atravessou três governos — Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva — e, como um bastão mal passado numa corrida de revezamento burocrática, conseguiu a proeza de não ser plenamente assumida por nenhum deles. Cada gestão contribuiu com seu quinhão de promessas, revisões, paralisações e, claro, justificativas. O resultado final é uma obra que chega não como solução, mas como lembrete incômodo do tempo perdido.</p>
<p>E aqui reside o detalhe mais eloquente — e talvez mais constrangedor: depois de quase dez anos, a obra não está nem perto da metade. O que se inaugurou, portanto, não é um marco de conclusão, nem sequer de avanço consistente, mas um fragmento. Um recorte conveniente de um projeto inacabado, apresentado como conquista quando, na prática, escancara o ritmo claudicante da execução. É como cortar a fita de chegada no meio da corrida e esperar aplausos pela ousadia.</p>
<p>E então entra em cena o senador Veneziano Vital do Rego, aparentemente decidido a colher dividendos políticos de um empreendimento que mais testa a paciência do cidadão do que resolve seu cotidiano. Se a intenção era capitalizar, o efeito foi inverso: expôs-se ao desgaste. Porque há algo de profundamente desconectado — para dizer o mínimo — em celebrar com entusiasmo uma fração de obra, enquanto o todo permanece distante, quase miragem.</p>
<p>Como se não bastasse, o evento de inauguração flertou com o surrealismo. A presença do ministro dos Transportes, em clima de comício improvisado, sendo aplaudido por uma plateia que caberia confortavelmente em uma mesa de bar, compôs um espetáculo que beirou o constrangimento. Não faltou entusiasmo — faltou público. E sobrou encenação.</p>
<p>A cena evocou inevitavelmente Odorico Paraguaçu, o icônico prefeito de Sucupira, mestre na arte de transformar banalidades em eventos épicos e inaugurações em atos teatrais. A diferença é que, na ficção, o exagero é proposital e satírico. Aqui, a realidade parece ter adotado o mesmo roteiro sem perceber que virou caricatura.</p>
<p>No fim das contas, o elevado recém-inaugurado não eleva apenas o tráfego — ele eleva o nível de frustração de quem acompanha essa novela há anos. E talvez esse seja o ponto mais simbólico: depois de tanto tempo, tanto discurso e tanta expectativa, o que se entrega não é uma obra à altura da espera, mas um monumento à mediocridade administrativa — ainda incompleto, ainda distante, ainda devendo.</p>
<p>Se havia intenção de celebrar progresso, o efeito foi o oposto. A cerimônia não marcou uma conquista — escancarou uma falha. E, ironicamente, fez isso com direito a aplausos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Ivandro Oliveira é jornalista </em></p>
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		<title>CRÔNICA DA SEMANA: País das conveniências; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 10:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabe quando a realidade resolve brincar de ironia… e a gente fica sem saber se ri ou se se preocupa? Pois é. O Brasil tem esse talento peculiar de transformar o improvável em rotina. De um lado, temos o ministro Alexandre de Moraes abrindo caminho para julgar uma ação apresentada pelo Partido dos Trabalhadores. No [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="flex flex-col text-sm pb-25">
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<p data-start="0" data-end="100">Sabe quando a realidade resolve brincar de ironia… e a gente fica sem saber se ri ou se se preocupa?</p>
<p data-start="102" data-end="183">Pois é. O Brasil tem esse talento peculiar de transformar o improvável em rotina.</p>
<p data-start="185" data-end="425">De um lado, temos o ministro <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Alexandre de Moraes</span></span> abrindo caminho para julgar uma ação apresentada pelo <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Partido dos Trabalhadores</span></span>. No centro da discussão, um velho conhecido do noticiário: as delações premiadas.</p>
<p data-start="427" data-end="442">Aquelas mesmas.</p>
<p data-start="444" data-end="679">As que já foram exaltadas como instrumentos quase sagrados de combate à corrupção. As que ajudaram a construir narrativas, derrubar reputações, condenar figuras de peso — incluindo o ex-presidente <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Jair Bolsonaro</span></span>.</p>
<p data-start="681" data-end="721">Até aí, nada de novo sob o sol tropical.</p>
<p data-start="723" data-end="780">Mas o Brasil não seria o Brasil sem um enredo caprichado.</p>
<p data-start="782" data-end="940">O curioso — para usar uma palavra gentil — é o momento. Justamente agora, quando surgem rumores de uma possível delação que poderia respingar… em quem decide.</p>
<p data-start="942" data-end="988">E aí a realidade dá aquela piscadinha irônica.</p>
<p data-start="990" data-end="1235">Porque, veja bem: quando a ferramenta serve, ela é símbolo de justiça. Quando ameaça inverter o jogo, vira problema jurídico. Quando atinge o outro, é avanço institucional. Quando pode alcançar o próprio quintal… talvez seja hora de “reavaliar”.</p>
<p data-start="1237" data-end="1313">Não é que a lei mude. É a conveniência que parece ganhar nova interpretação.</p>
<p data-start="1315" data-end="1506">E assim seguimos, nesse país onde o roteiro não precisa de ficção científica. Aqui, o absurdo vem com carimbo oficial e linguagem técnica — o que só torna tudo mais sofisticadamente estranho.</p>
<p data-start="1508" data-end="1582">No fim, fica a sensação de que a justiça brasileira, às vezes, não é cega.</p>
<p data-start="1584" data-end="1625">Ela só escolhe muito bem onde quer olhar.</p>
<p data-start="1627" data-end="1680">E, claro, tudo isso — sempre — em nome da democracia.</p>
<p data-start="1682" data-end="1770" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Uma democracia que, de tão elástica, já não se sabe mais se é princípio… ou instrumento.</p>
</div>
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<div class="z-0 flex min-h-[46px] justify-start"><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></div>
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		<title>Um País endividado; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 01:09:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O retrato mais recente do endividamento das famílias brasileiras não é apenas preocupante — é um alerta claro de que algo estruturalmente não vai bem na economia do país. Quando se fala em 81 milhões de brasileiros inadimplentes, não estamos diante de uma estatística fria ou de um número abstrato. Trata-se de um contingente gigantesco [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O retrato mais recente do endividamento das famílias brasileiras não é apenas preocupante — é um alerta claro de que algo estruturalmente não vai bem na economia do país. Quando se fala em 81 milhões de brasileiros inadimplentes, não estamos diante de uma estatística fria ou de um número abstrato. Trata-se de um contingente gigantesco de pessoas excluídas, na prática, do funcionamento pleno da economia.</p>
<p>A inadimplência em massa revela um ciclo perverso. Famílias endividadas deixam de consumir, priorizando a sobrevivência imediata. Esse recuo no consumo impacta diretamente o comércio, a indústria e os serviços, reduzindo receitas, freando investimentos e, consequentemente, limitando a geração de empregos. O efeito cascata é inevitável: menos renda, mais dificuldade de pagamento, mais inadimplência.</p>
<p>Além disso, o crédito — motor essencial de qualquer economia moderna — torna-se restrito. Instituições financeiras elevam juros, endurecem critérios e reduzem a oferta. O resultado é um sistema travado, onde quem mais precisa de crédito não consegue acessar, e quem concede crédito o faz com cautela extrema. Cria-se, assim, um ambiente de baixa confiança generalizada.</p>
<p>O mais grave é que estamos falando de “metade do país fora do jogo econômico”. Isso significa menos dinamismo, menor circulação de dinheiro e um crescimento estruturalmente comprometido. Não há recuperação econômica sustentável quando uma parcela tão expressiva da população está financeiramente asfixiada.</p>
<p>É preciso ir além de diagnósticos superficiais. O aumento do endividamento não pode ser atribuído apenas ao comportamento individual ou à falta de educação financeira. Ele reflete uma combinação de fatores: renda estagnada, inflação persistente em itens essenciais, crédito caro e políticas econômicas que, muitas vezes, não dialogam com a realidade da maioria da população.</p>
<p>A normalização desse cenário é, talvez, o maior risco. Tratar a inadimplência em massa como algo corriqueiro é aceitar um país permanentemente limitado em seu potencial de crescimento. O Brasil não pode se dar ao luxo de conviver com milhões de cidadãos excluídos do consumo, do crédito e das oportunidades econômicas.</p>
<p>Se o objetivo é retomar o crescimento de forma consistente, o enfrentamento do endividamento das famílias precisa ser prioridade. Isso passa por políticas de renegociação de dívidas mais amplas, estímulo à renda, revisão estrutural do custo do crédito e, sobretudo, pela construção de um ambiente econômico que permita às famílias não apenas sobreviver, mas voltar a participar ativamente da economia.</p>
<p>Porque, no fim das contas, 81 milhões de inadimplentes não representam apenas um problema social — representam um freio direto no futuro do país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></p>
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		<title>Senado da Paraíba: um jogo com uma certeza e muitas variáveis; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 16:01:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A disputa pelo Senado na Paraíba começa a ganhar contornos mais nítidos — e, ao mesmo tempo, mais imprevisíveis. A preço de hoje, há uma percepção praticamente consolidada no meio político: apenas uma das duas vagas parece ter dono definido. Trata-se da  candidatura do atual governador João Azevêdo (PSB), que chega ao tabuleiro com um [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="flex flex-col text-sm pb-25">
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<p data-start="67" data-end="451">A disputa pelo Senado na Paraíba começa a ganhar contornos mais nítidos — e, ao mesmo tempo, mais imprevisíveis. A preço de hoje, há uma percepção praticamente consolidada no meio político: apenas uma das duas vagas parece ter dono definido. Trata-se da  candidatura do atual governador João Azevêdo (PSB), que chega ao tabuleiro com um ativo raro — a força da própria gestão.</p>
<p data-start="453" data-end="943">João Azevêdo construiu, ao longo dos últimos anos, uma imagem administrativa consistente, marcada por pacificação entre os poderes, entregas e estabilidade. Mesmo entre setores que divergem de sua orientação ideológica — situada no campo da centro-esquerda e alinhada ao presidente Lula (PT) — há reconhecimento de resultados concretos. Esse capital político não apenas o credencia como favorito natural a uma vaga no Senado, como também reduz significativamente o grau de incerteza em torno de sua postulação.</p>
<p data-start="945" data-end="1382">Se a primeira cadeira parece encaminhada, é na disputa pela segunda vaga que o cenário ganha densidade e tensão. É nesse espaço que surge, com cada vez mais nitidez, o nome de Nabor Wanderley (Republicanos). Prefeito de Patos e figura em ascensão, Nabor vem ampliando sua base de apoio em ritmo consistente, conquistando prefeitos em diversas regiões do estado e estruturando uma pré-campanha que já demonstra capilaridade e organização.</p>
<p data-start="1384" data-end="1957">O crescimento de Nabor não é apenas numérico — ele é qualitativo. Sua presença mais frequente no debate político e nos bastidores eleitorais começa a alterar o equilíbrio da disputa. E isso ajuda a explicar o movimento de um outro personagem central nesse jogo: Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Até então visto como um candidato com caminho relativamente confortável à reeleição, Veneziano passou a adotar um tom mais incisivo, sinal claro de que o ambiente mudou. Quando um adversário começa a aparecer no retrovisor com consistência, a estratégia inevitavelmente se ajusta.</p>
<p data-start="1959" data-end="2464">Há ainda um elemento que eleva o patamar da candidatura de Nabor Wanderley: o peso político de seu filho, Hugo Motta (Republicanos), na presidência da Câmara dos Deputados. Não se trata de um detalhe menor. Em Brasília, posições institucionais dessa magnitude ampliam a capacidade de articulação, atração de apoios e influência sobre decisões estratégicas. Na prática, isso significa mais musculatura política, mais visibilidade e maior poder de mobilização — fatores decisivos em uma disputa majoritária.</p>
<p data-start="2466" data-end="2919">Nesse contexto, a comparação com a eleição de Daniella Ribeiro (PP) surge de forma quase inevitável. À época, Daniella era uma deputada estadual com alcance ainda limitado junto ao grande eleitorado, mas conseguiu viabilizar sua eleição ao Senado impulsionada pela força política de seu irmão, Aguinaldo Ribeiro. O paralelo não é perfeito, mas ajuda a ilustrar como estruturas familiares e redes de poder podem ser determinantes em eleições desse porte.</p>
<p data-start="2921" data-end="3417">O que se desenha, portanto, é um cenário em que a segunda vaga ao Senado está longe de qualquer definição. Há um campo aberto, competitivo e em franca movimentação, onde alianças, posicionamentos e estratégias ainda serão decisivos. Se João Azevêdo larga com ampla vantagem na corrida por uma das cadeiras, a outra promete ser palco de uma disputa intensa — daquelas que se resolvem nos detalhes, nos bastidores e, sobretudo, na capacidade de cada candidato de transformar força política em voto.</p>
<p data-start="3419" data-end="3507" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Na Paraíba, o jogo começou. E, como toda boa disputa eleitoral, ainda reserva surpresas.</p>
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		<title>Quando investigar o poder vira crime; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 00:55:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A decisão do ministro Alexandre de Moraes de autorizar busca e apreensão na residência de um jornalista do Maranhão abre um precedente grave para a democracia brasileira. O caso envolve uma denúncia publicada pelo profissional sobre o suposto uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão por familiares do [&#8230;]</p>
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<p data-start="42" data-end="803">A decisão do ministro <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Alexandre de Moraes</span></span> de autorizar busca e apreensão na residência de um jornalista do Maranhão abre um precedente grave para a democracia brasileira. O caso envolve uma denúncia publicada pelo profissional sobre o suposto uso irregular de um veículo oficial do <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão</span></span> por familiares do também ministro do <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Flávio Dino</span></span>. Em vez de o foco institucional recair sobre a apuração do fato denunciado — isto é, se houve ou não uso indevido de patrimônio público — a reação do aparato estatal parece ter se voltado contra quem divulgou a informação. O recado transmitido à sociedade é preocupante: investigar o poder pode se transformar em um risco para o próprio jornalista.</p>
<p data-start="805" data-end="1356">O ponto mais alarmante da decisão é o objetivo da investigação: identificar quem teria fornecido ao jornalista as informações que embasaram a reportagem. Em outras palavras, busca-se descobrir a fonte da notícia. Trata-se de uma iniciativa frontalmente contrária ao princípio do sigilo da fonte, garantido pela Constituição como um dos pilares da liberdade de imprensa. Sem essa proteção, simplesmente não existe jornalismo investigativo. Fontes deixam de falar, denúncias deixam de surgir e irregularidades permanecem escondidas nas sombras do poder.</p>
<p data-start="1358" data-end="1883">A Constituição brasileira é cristalina ao assegurar o direito ao sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional do jornalista. Não se trata de um privilégio corporativo, mas de uma garantia institucional da própria sociedade. É por meio dessa proteção que escândalos vêm à tona, que abusos são revelados e que autoridades são submetidas ao escrutínio público. Quando o Estado passa a usar instrumentos de investigação para tentar quebrar esse mecanismo, abre-se uma porta perigosa para o cerceamento da imprensa.</p>
<p data-start="1885" data-end="2359">A decisão também levanta um debate delicado sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal em episódios que envolvem críticas ou denúncias direcionadas a seus próprios integrantes. Quando um tribunal que deveria ser o guardião da Constituição passa a protagonizar decisões que parecem restringir direitos fundamentais, a credibilidade institucional sofre abalos inevitáveis. O Judiciário precisa ser o primeiro a demonstrar compromisso inequívoco com as garantias democráticas.</p>
<p data-start="2361" data-end="2840">Em uma democracia madura, denúncias envolvendo autoridades públicas devem ser apuradas com transparência e serenidade — e não gerar medidas que possam ser interpretadas como tentativa de intimidação da imprensa. A melhor resposta institucional a uma denúncia nunca é perseguir o mensageiro, mas esclarecer os fatos.</p>
<p data-start="2842" data-end="3185">A busca e apreensão contra um jornalista por causa de uma reportagem cria um efeito inibidor que ultrapassa o caso concreto. Outros profissionais passam a se perguntar se vale a pena investigar temas sensíveis. Fontes passam a temer retaliações. Aos poucos, instala-se um clima de autocensura silenciosa, extremamente prejudicial à democracia.</p>
<p data-start="3187" data-end="3448">A liberdade de imprensa não é um favor concedido pelo Estado; é uma garantia conquistada pela sociedade justamente para evitar abusos de poder. Sempre que uma decisão judicial ameaça esse princípio, o debate público se torna não apenas legítimo, mas necessário.</p>
<p data-start="3450" data-end="3774">Se a Constituição garante o sigilo da fonte, qualquer tentativa de quebrá-lo por meio de pressão investigativa representa um grave retrocesso democrático. O Brasil não pode normalizar decisões que colocam jornalistas no banco dos investigados simplesmente por fazerem aquilo que a sociedade espera deles: fiscalizar o poder.</p>
<p data-start="3776" data-end="3972" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Quando a pergunta central deixa de ser “o que aconteceu?” para se tornar “quem contou ao jornalista?”, algo está profundamente errado. E é exatamente nesse momento que a democracia precisa reagir.</p>
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<p data-start="3776" data-end="3972" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
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<div class="text-center"><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></div>
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		<title>Vem aí a Lava Jato 2 &#8211; A Missão; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 14:02:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal não é um fato trivial. Ao determinar a prisão de Daniel Vorcaro, chefão do Banco Master, o ministro André Mendonça deixou claro que há momentos em que a República precisa falar mais alto que os interesses de bastidores. Não houve diplomacia, nem armistício. Foi um gesto que [&#8230;]</p>
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<p data-start="0" data-end="292">A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal não é um fato trivial. Ao determinar a prisão de Daniel Vorcaro, chefão do Banco Master, o ministro <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">André Mendonça</span></span> deixou claro que há momentos em que a República precisa falar mais alto que os interesses de bastidores.</p>
<p data-start="294" data-end="708">Não houve diplomacia, nem armistício. Foi um gesto que soa como míssil certeiro em meio à névoa espessa que há anos encobre Brasília. Está retomada — ao menos simbolicamente — a guerra contra a corrupção sistêmica. E esta é a pior das guerras: aquela travada contra inimigos ocultos, engravatados, bem relacionados, que operam nos salões refrigerados do poder enquanto corroem, por dentro, as estruturas do Estado.</p>
<p data-start="710" data-end="1040">A prisão de Daniel Vorcaro expõe muito mais do que a conduta de um banqueiro. Ela ilumina um modo de funcionamento que há décadas se infiltra na política, no Judiciário e no Executivo. Uma bandidagem sofisticada, que não age com armas, mas com influência, dinheiro e articulações silenciosas — e que prostituiu a nossa democracia.</p>
<p data-start="1042" data-end="1598">O episódio do suposto plano para agredir jornalistas, entre eles <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Lauro Jardim</span></span>, articulado em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, é revelador. Não se trata apenas de uma bravata irresponsável. É a demonstração de como certos personagens se sentem protegidos, cercados por redes de apoio que os fazem acreditar na própria intocabilidade. Vorcaro só pôde agir assim porque, ao que tudo indica, tinha muitas outras “turmas” em Brasília — alianças informais e poderosas que o mantiveram, por muito tempo, fora do alcance das grades.</p>
<p data-start="1600" data-end="1896">O mais estarrecedor, contudo, foi a posição da <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Procuradoria-Geral da República</span></span> ao se manifestar contra a prisão. Num momento em que a sociedade exige firmeza no combate à corrupção estrutural, a divergência institucional lança sombras que precisam ser dissipadas com transparência absoluta.</p>
<p data-start="1898" data-end="2265">É por isso que o levantamento do sigilo desse inquérito torna-se imperativo. O Brasil precisa conhecer os bastidores. Precisa saber quem são os comparsas, os facilitadores, os protetores — se é que existem — nas engrenagens da política, do Judiciário e do Executivo. A luz do dia é o melhor antídoto contra a promiscuidade entre poder econômico e poder institucional.</p>
<p data-start="2267" data-end="2656">O país já viveu um ciclo de enfrentamento duro com a corrupção por meio da <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Operação Lava Jato</span></span>. Com erros e excessos, é verdade, mas também com resultados concretos que mostraram que ninguém deveria estar acima da lei. O que se espera agora não é a repetição cega daquele modelo, mas a retomada do espírito republicano que o animava: a ideia de que a lei vale para todos.</p>
<p data-start="2658" data-end="2906">A decisão de André Mendonça pode marcar um ponto de inflexão. Se for seguida por investigações profundas, independentes e transparentes, poderá reacender na sociedade a esperança de que a República ainda tem anticorpos contra a corrupção sistêmica.</p>
<p data-start="2908" data-end="3194" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A guerra mais difícil é aquela travada contra quem se esconde atrás de cargos, contratos e conexões. Mas é também a mais necessária. O Brasil não precisa de heróis ocasionais — precisa de instituições que funcionem. E que não temam disparar, quando necessário, os mísseis da legalidade.</p>
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<div class="pointer-events-none h-px w-px absolute bottom-0" aria-hidden="true" data-edge="true"><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></div>
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		<title>Flávio Bolsonaro vai ter que atravessar o centro para chegar ao Planalto; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 14:46:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cenário político-eleitoral brasileiro volta a desenhar, com antecedência, o mesmo traço central que marcou a disputa de 2022: a polarização como ponto de partida — e o centro como ponto de chegada obrigatório. Se a atual clivagem entre lulopetistas e bolsonaristas permanecer como eixo estruturante da disputa de 2026, quem assumir a Presidência da [&#8230;]</p>
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<p data-start="0" data-end="211">O cenário político-eleitoral brasileiro volta a desenhar, com antecedência, o mesmo traço central que marcou a disputa de 2022: a polarização como ponto de partida — e o centro como ponto de chegada obrigatório.</p>
<p data-start="213" data-end="657">Se a atual clivagem entre lulopetistas e bolsonaristas permanecer como eixo estruturante da disputa de 2026, quem assumir a Presidência da República em 2027 dificilmente o fará apenas mobilizando sua base ideológica. Assim como ocorreu na última eleição, será necessário dialogar com o eleitorado de centro, especialmente a classe média urbana, cada vez mais pragmática, sensível à economia doméstica e menos tolerante a radicalismos retóricos.</p>
<h3 data-start="659" data-end="683">O precedente de 2022</h3>
<p data-start="685" data-end="1156">Em 2022, na disputa contra <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Jair Bolsonaro</span></span>, foi <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Luiz Inácio Lula da Silva</span></span> quem conseguiu executar com mais eficácia esse movimento estratégico. Lula moderou o discurso, construiu pontes com setores do empresariado, escolheu um vice identificado com o centro e buscou transmitir previsibilidade institucional. O gesto foi decisivo para reduzir resistências fora do eleitorado tradicional da esquerda e consolidar maioria no segundo turno.</p>
<p data-start="1158" data-end="1255">A lógica foi clara: na polarização, vence quem amplia — não quem apenas reafirma a própria bolha.</p>
<h3 data-start="1257" data-end="1291">O movimento antecipado de 2026</h3>
<p data-start="1293" data-end="1735">A pouco mais de um ano do início formal da corrida eleitoral, sinais semelhantes começam a emergir no campo da direita. O senador <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Flávio Bolsonaro</span></span> (PL-RJ) tem adotado um tom mais moderado e institucional, distanciando-se do estilo mais confrontacional do pai. A estratégia parece mirar exatamente o eleitorado que decidiu 2022: a classe média que oscila entre o cansaço da instabilidade política e a frustração econômica.</p>
<p data-start="1737" data-end="2172">Os números mais recentes indicam que esse reposicionamento pode estar produzindo efeitos. Pesquisa AtlasIntel em parceria com a <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Bloomberg</span></span>, divulgada nesta quarta-feira, aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula em um eventual segundo turno. O senador aparece com 46,3% das intenções de voto, ante 46,2% do presidente. Em janeiro, o mesmo levantamento mostrava Lula à frente (49,2% contra 44,9%).</p>
<p data-start="2174" data-end="2361">No cenário alternativo testado pelo instituto, o governador de São Paulo, <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Tarcísio de Freitas</span></span> (Republicanos), também surge competitivo, com 47,1% contra 45,9% de Lula.</p>
<p data-start="2363" data-end="2494">A pesquisa ouviu 4.986 eleitores entre 19 e 24 de fevereiro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.</p>
<h3 data-start="2496" data-end="2533">O centro como território decisivo</h3>
<p data-start="2535" data-end="2762">Mais do que números pontuais, o levantamento revela uma tendência: o eleitorado está menos cristalizado do que parece. A vantagem já não é automática para quem lidera no campo ideológico. O centro volta a ser o fiel da balança.</p>
<p data-start="2764" data-end="3011">A classe média — pressionada por inflação, crédito caro, insegurança e incertezas fiscais — tende a premiar quem oferecer estabilidade com racionalidade econômica, e não apenas identidade ideológica. É um eleitor menos militante e mais avaliativo.</p>
<p data-start="3013" data-end="3331">Se Lula, em 2022, compreendeu essa dinâmica e ajustou o discurso para além da esquerda tradicional, a movimentação atual de Flávio Bolsonaro sugere aprendizado semelhante no campo conservador. A diferença está no desafio: enquanto Lula buscava reduzir rejeição, a direita agora precisa ampliar confiança institucional.</p>
<h3 data-start="3333" data-end="3364">Polarização com pragmatismo</h3>
<p data-start="3366" data-end="3619">A eleição de 2026, ao que tudo indica, não será uma ruptura da polarização — mas sua maturação. A disputa continuará entre polos bem definidos, porém o discurso vencedor será aquele capaz de transmitir moderação, previsibilidade e capacidade de diálogo.</p>
<p data-start="3621" data-end="3874">O Brasil que decide eleições não é apenas o das redes sociais ou dos extremos ideológicos. É o Brasil da renda apertada, do pequeno empreendedor, do servidor público, do profissional liberal — a classe média que, silenciosamente, define o segundo turno.</p>
<p data-start="3876" data-end="3984" data-is-last-node="" data-is-only-node="">E, mais uma vez, quem quiser governar a partir de 2027 terá que atravessar o centro para chegar ao Planalto.</p>
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<p data-start="3876" data-end="3984" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
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		<title>Mico do tamanho do King Kong; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 20:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A noite prometia brilho, tamborim e narrativa épica. Mas terminou com gosto de constrangimento. A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí entrou para o anedotário político como um daqueles momentos em que o excesso de confiança tropeça no próprio figurino. O Carnaval, esse território onde o Brasil costuma rir [&#8230;]</p>
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<p data-start="0" data-end="300">A noite prometia brilho, tamborim e narrativa épica. Mas terminou com gosto de constrangimento. A homenagem ao presidente <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Luiz Inácio Lula da Silva</span></span> na Marquês de Sapucaí entrou para o anedotário político como um daqueles momentos em que o excesso de confiança tropeça no próprio figurino.</p>
<p data-start="302" data-end="843">O Carnaval, esse território onde o Brasil costuma rir de si mesmo, virou palanque. E palanque, em ano pré-eleitoral, é terreno minado. Ao transformar a avenida em vitrine personalista, correu-se o risco de confundir celebração cultural com propaganda antecipada — algo que, em tempos de lupa jurídica permanente, pode render dor de cabeça e até questionamentos sobre inelegibilidade. No país em que cada gesto é filmado por mil celulares e interpretado por dez mil advogados, a linha entre homenagem e campanha é fina como pluma de fantasia.</p>
<p data-start="845" data-end="1302">Mas o mico não parou aí. O <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Partido dos Trabalhadores</span></span>, que já enfrenta resistência histórica em segmentos conservadores, conseguiu um feito improvável: ampliar o distanciamento junto ao eleitorado evangélico. Para muitos fiéis, a associação explícita entre fé, política e espetáculo carnavalesco reforça desconfianças antigas. Num Brasil onde a pauta religiosa pesa nas urnas, subestimar sensibilidades é um luxo que poucos partidos podem se dar.</p>
<p data-start="1304" data-end="1587">E como se a ironia precisasse de um gran finale, a escola responsável pela homenagem, a <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Acadêmicos de Niterói</span></span>, acabou rebaixada. No roteiro da política brasileira, que já flerta com o realismo mágico, faltava mesmo esse detalhe tragicômico: a apoteose virar descenso.</p>
<p data-start="1589" data-end="1947">Não se trata de demonizar o Carnaval — patrimônio cultural e expressão legítima de crítica, exaltação e memória. A <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Sambódromo da Marquês de Sapucaí</span></span> sempre foi palco de enredos políticos, sociais e históricos. O problema talvez esteja na medida. Entre a homenagem e o endeusamento, há um passo. Entre a celebração e o cálculo eleitoral, há uma fronteira.</p>
<p data-start="1949" data-end="2230" data-is-last-node="" data-is-only-node="">No fim das contas, o episódio deixa uma lição antiga: na política, timing é tudo. E nem sempre o que parece aplauso garantido na avenida se traduz em ponto no mapa eleitoral. Às vezes, o desfile passa. O vídeo viraliza. A oposição agradece. E o mico, ah, esse fica para a história.</p>
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<div class="pointer-events-none h-px w-px absolute bottom-0" aria-hidden="true" data-edge="true"><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></div>
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		<title>Suprema Descredibilidade; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 18:45:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O chamado Caso Master, que já nasceu envolto em sombras, ganhou contornos ainda mais inquietantes com a atuação do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito. Em vez de serenidade institucional e distanciamento técnico — requisitos mínimos quando há qualquer indício de possível conflito de interesses — o que se viu foi uma sucessão de [&#8230;]</p>
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<p data-start="0" data-end="385">O chamado Caso Master, que já nasceu envolto em sombras, ganhou contornos ainda mais inquietantes com a atuação do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito. Em vez de serenidade institucional e distanciamento técnico — requisitos mínimos quando há qualquer indício de possível conflito de interesses — o que se viu foi uma sucessão de decisões que ampliam a desconfiança pública.</p>
<p data-start="387" data-end="907">Basta ter olhos de ver e vontade de perceber: quando o nome de uma empresa ligada ao próprio ministro aparece citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal, a prudência recomendaria um gesto imediato de afastamento. Não se trata de pré-julgamento, mas de zelo institucional. No Supremo Tribunal Federal, onde a liturgia do cargo exige não apenas imparcialidade, mas aparência inequívoca de imparcialidade, a permanência de Toffoli à frente de qualquer desdobramento relacionado ao caso soa, no mínimo, imprudente.</p>
<p data-start="909" data-end="1376">Para completar o que já era nebuloso, o ministro dobrou a aposta. Determinou que a Polícia Federal enviasse ao STF todo o material extraído dos celulares apreendidos no Caso Master — decisão tomada após a corporação encaminhar ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, relatório com menções a pagamentos à empresa de Toffoli. Em vez de afastar-se para preservar a Corte e a si próprio, optou por manter protagonismo sobre fatos que tangenciam sua esfera pessoal.</p>
<p data-start="1378" data-end="1680">O resultado é devastador para a credibilidade institucional. A Suprema Corte não pode se permitir zonas cinzentas quando o assunto é conflito de interesses. A Justiça não vive apenas de decisões técnicas; vive, sobretudo, da confiança pública. E confiança se constrói com transparência e gestos claros.</p>
<p data-start="1682" data-end="1984">Diante do cenário, o caminho mais sensato — e republicano — seria o afastamento imediato de Toffoli de qualquer ato relacionado ao Caso Master, além de um licenciamento do cargo até o fim das apurações. Não como admissão de culpa, mas como demonstração inequívoca de respeito à instituição que integra.</p>
<p data-start="1986" data-end="2259">Quando um ministro do Supremo se vê no epicentro de um inquérito que toca sua órbita privada, o silêncio estratégico ou a permanência ativa não dissipam dúvidas — alimentam-nas. O que está em jogo não é apenas um processo, mas a autoridade moral da mais alta Corte do país.</p>
<p data-start="2261" data-end="2373" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Do jeito que está, o que se vê é um escárnio absoluto. E o Supremo, definitivamente, não pode conviver com isso.</p>
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<div class="pointer-events-none h-px w-px absolute bottom-0" aria-hidden="true" data-edge="true"><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></div>
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		<title>Farra com dinheiro dos outros; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 15:23:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proposta de acabar com a escala 6&#215;1 está sendo vendida como um grande avanço para o trabalhador. Mas é preciso ir além do discurso fácil. O que vemos é mais uma manobra eleitoreira, prometendo benefícios imediatos sem avaliar as consequências de longo prazo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, enviou proposta da deputada Erika [&#8230;]</p>
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<p data-start="99" data-end="359">A proposta de acabar com a escala 6&#215;1 está sendo vendida como um grande avanço para o trabalhador. Mas é preciso ir além do discurso fácil. O que vemos é mais uma manobra eleitoreira, prometendo benefícios imediatos sem avaliar as consequências de longo prazo.</p>
<p data-start="361" data-end="672">O presidente da Câmara, Hugo Motta, enviou proposta da deputada Erika Hilton à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cujo texto prevê redução da jornada para 36h semanais.</p>
<p data-start="361" data-end="672">Reduzir a jornada sem reduzir salários pode parecer simples no papel. Na prática, porém, muitos setores não têm flexibilidade para absorver esse aumento de custo. Comércio, serviços, pequenas e médias empresas podem ser diretamente impactados. E quando a conta não fecha, o resultado é encolhimento de negócios.</p>
<p data-start="674" data-end="1002">Há ainda outro efeito preocupante: a substituição de mão de obra por automação. Se o custo médio do trabalho sobe, empresas tendem a investir em máquinas e tecnologia, reduzindo postos de trabalho. Além disso, o aumento de despesas pode pressionar preços e alimentar a inflação, atingindo justamente quem se pretende beneficiar.</p>
<p data-start="1004" data-end="1068">Sem falar na possível maior rotatividade no mercado de trabalho.</p>
<p data-start="1070" data-end="1315" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A redução de jornada já está prevista na Constituição — e deve acontecer por meio de negociação coletiva, respeitando a realidade de cada setor. O que não se pode é transformar um tema complexo em slogan de campanha e deixar a conta para depois.</p>
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<p data-start="1070" data-end="1315" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
<p data-start="1070" data-end="1315" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></p>
<article class="text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto [content-visibility:auto] supports-[content-visibility:auto]:[contain-intrinsic-size:auto_100lvh] scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]" dir="auto" tabindex="-1" data-turn-id="b0a6171e-50e0-4cc0-97b5-571043f8bb0f" data-testid="conversation-turn-2" data-scroll-anchor="true" data-turn="assistant">
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