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	<title>Arquivos Opinião - Tá na Área</title>
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	<description>Mais que notícia, informação!</description>
	<lastBuildDate>Thu, 11 Jun 2026 13:46:55 +0000</lastBuildDate>
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		<title>OAB-PB inaugura sede moderna e histórica em João Pessoa na próxima segunda-feira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 13:46:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A advocacia paraibana viverá um dos momentos mais marcantes de sua história na próxima segunda-feira (15), com a inauguração, a partir das 19h, da nova sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba (OAB-PB), localizada na Avenida João Cirilo da Silva, no bairro Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa. novo espaço simboliza um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A advocacia paraibana viverá um dos momentos mais marcantes de sua história na próxima segunda-feira (15), com a inauguração, a partir das 19h, da nova sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba (OAB-PB), localizada na Avenida João Cirilo da Silva, no bairro Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa. novo espaço simboliza um momento de fortalecimento institucional, modernização administrativa e valorização da classe, consolidando um dos mais importantes investimentos realizados pela entidade nos últimos anos.</p>
<p>A solenidade será comandada pelo presidente da OAB-PB, Harrison Targino, e o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, e contará com a presença de autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, dirigentes do Sistema OAB, representantes da sociedade civil e advogados de todas as regiões da Paraíba.</p>
<p>Entre as presenças confirmadas estão o governador Lucas Ribeiro e o prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra.</p>
<p>A expectativa é de que o evento reúna centenas de profissionais para celebrar a entrega definitiva de uma obra considerada um marco para a advocacia paraibana.</p>
<p>Para o presidente da OAB-PB, Harrison Targino, a inauguração simboliza a concretização de um projeto construído coletivamente e pensado para atender às necessidades da advocacia das próximas décadas.</p>
<p>“A nova sede da OAB-PB é mais do que um edifício. É a materialização de um sonho histórico da advocacia paraibana. Estamos entregando uma estrutura moderna, acessível e preparada para fortalecer a atuação profissional, ampliar os serviços oferecidos à classe e aproximar ainda mais a Ordem da sociedade. É uma conquista que pertence a cada advogado e advogada da Paraíba.”</p>
<p>A nova estrutura foi projetada para concentrar atividades administrativas, institucionais e acadêmicas, oferecendo espaços modernos para reuniões, capacitações, eventos, atendimento à advocacia e ações voltadas à defesa das prerrogativas profissionais. O complexo também abriga um auditório de grande porte e ambientes planejados para atender às demandas de uma advocacia cada vez mais dinâmica e conectada.</p>
<p>O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, destacou que a nova sede coloca a Paraíba entre as Seccionais com melhor infraestrutura do país.</p>
<p>“A advocacia paraibana recebe uma sede à altura de sua relevância para o sistema de Justiça brasileiro. Esta obra representa investimento, planejamento e compromisso com o futuro da profissão. É um espaço que fortalece a representação institucional da Ordem e reafirma nosso compromisso permanente com a valorização da advocacia.”</p>
<p>Simonetti também ressaltou que a entrega da nova sede reflete o esforço conjunto entre a OAB Nacional e a Seccional Paraíba para ampliar investimentos em infraestrutura e melhores condições de trabalho para a categoria.</p>
<p>A inauguração encerra um ciclo de planejamento e execução que transformou uma antiga aspiração da classe em realidade. Com instalações modernas e localização estratégica no Altiplano Cabo Branco, a nova sede passa a ser um dos principais símbolos da advocacia paraibana, projetando a OAB-PB para um novo tempo de crescimento, inovação e fortalecimento institucional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>São João da OAB-PB</strong></p>
<p>Além do caráter institucional, a programação da próxima segunda-feira terá um momento especial de confraternização. Logo após a cerimônia de inauguração, será realizado o tradicional São João da OAB-PB, que acontecerá nas dependências da nova sede, reunindo advogados, advogadas, familiares e convidados em uma grande celebração da cultura nordestina.</p>
<p>A festa contará com atrações musicais, a exemplo dos cantores Raniery Gomes e Luciene Melo; apresentações culturais, comidas típicas e muito forró, transformando a data em um momento duplamente histórico: a entrega oficial da nova casa da advocacia paraibana e a realização da primeira grande confraternização no novo espaço.</p>
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		<item>
		<title>Lula já escolheu seu adversário e a direita deveria olhar para Michelle; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 13:36:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A sucessão presidencial de 2026 continua em aberto, mas as pesquisas divulgadas nos últimos meses revelam um movimento que merece atenção. Tudo indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já encontrou o adversário que mais lhe interessa enfrentar: o senador Flávio Bolsonaro (PL). Não por acaso, o filho mais velho do ex-presidente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">A sucessão presidencial de 2026 continua em aberto, mas as pesquisas divulgadas nos últimos meses revelam um movimento que merece atenção. Tudo indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já encontrou o adversário que mais lhe interessa enfrentar: o senador Flávio Bolsonaro (PL). Não por acaso, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro reúne características que se encaixam perfeitamente na estratégia política do lulopetismo. Enquanto alguns levantamentos recentes mostram oscilações no cenário eleitoral, outros apontam Lula abrindo vantagem sobre Flávio em simulações de segundo turno, reforçando a percepção de que o senador enfrenta dificuldades para ampliar seu eleitorado além da base mais fiel do bolsonarismo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Foi justamente sobre isso que escrevi há cerca de um ano neste mesmo espaço. Naquela oportunidade, defendi que Michelle Bolsonaro poderia se transformar em um dos nomes mais competitivos do campo conservador para disputar o Palácio do Planalto. O tempo passou e, independentemente das oscilações naturais das pesquisas, a ex-primeira-dama continua aparecendo como uma das figuras mais relevantes da oposição, frequentemente em condições de disputar o eleitorado de centro e de reduzir a rejeição que acompanha outros nomes da direita.</p>
<p class="isSelectedEnd">O diferencial de Michelle não está apenas nos números. Sua imagem pública foi construída em torno de valores que encontram ressonância em parcelas importantes da sociedade brasileira: família, religiosidade, discrição e lealdade política. Ao contrário de outros expoentes do bolsonarismo, ela não carrega o mesmo histórico de confrontos partidários e disputas institucionais, o que permite que seja vista por parte do eleitorado como uma alternativa de continuidade sem reproduzir integralmente a polarização que domina o país desde 2018.</p>
<p class="isSelectedEnd">É justamente nesse ponto que a direita brasileira precisa fazer uma reflexão estratégica. Se o objetivo for construir uma candidatura verdadeiramente competitiva contra Lula, talvez seja hora de abandonar preferências pessoais e enxergar a realidade eleitoral com maior pragmatismo. Michelle parece pronta para entrar em campo, mas sua viabilidade dependerá da capacidade do grupo político liderado por Jair Bolsonaro de colocar o projeto eleitoral acima de interesses individuais.</p>
<p>Isso inclui, inevitavelmente, os filhos do ex-presidente. Caso prevaleçam projetos familistas voltados apenas à preservação de espaços políticos, a oposição corre o risco de desperdiçar uma oportunidade relevante. A eleição de 2026 ainda está longe de ser decidida, mas uma conclusão parece cada vez mais evidente: Michelle Bolsonaro deixou de ser apenas uma personagem de apoio para se tornar uma das figuras centrais da sucessão presidencial. Resta saber se aqueles que comandam o bolsonarismo estarão dispostos a reconhecer os sinais emitidos pelo eleitorado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</em></strong></p>
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		<title>Alek Maracajá e o protagonismo do Nordeste na economia digital brasileira</title>
		<link>https://www.tanaarea.com.br/politica/alek-maracaja-e-o-protagonismo-do-nordeste-na-economia-digital-brasileira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 14:44:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A eleição de Alek Maracajá para a vice-presidência de Relações Governamentais e Institucionais da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi) representa muito mais do que uma conquista pessoal. Trata-se de um marco histórico para o Nordeste e para todos aqueles que acreditam em um Brasil mais integrado, plural e conectado às transformações do século XXI. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A eleição de Alek Maracajá para a vice-presidência de Relações Governamentais e Institucionais da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi) representa muito mais do que uma conquista pessoal. Trata-se de um marco histórico para o Nordeste e para todos aqueles que acreditam em um Brasil mais integrado, plural e conectado às transformações do século XXI.</p>
<p>Pela primeira vez na história da entidade, um representante nordestino passa a ocupar uma das vice-presidências nacionais da principal organização do setor digital do país. O fato, por si só, já demonstra a evolução do mercado brasileiro e a crescente relevância de uma região que há muito deixou de ser apenas espectadora para se tornar protagonista nos debates sobre inovação, tecnologia e economia criativa.</p>
<p>Falar sobre Alek Maracajá e ressaltar sua trajetória ajuda a explicar a importância dessa conquista. Empresário, pesquisador e especialista em inteligência de dados, Alek construiu uma carreira pautada pelo conhecimento, pela inovação e pela capacidade de enxergar tendências que moldam o futuro. Sua chegada à direção nacional da Abradi simboliza o reconhecimento de um trabalho consistente e, ao mesmo tempo, abre portas para que a voz do Nordeste seja ouvida com ainda mais força nos espaços de decisão.</p>
<p>Durante décadas, o desenvolvimento tecnológico brasileiro esteve concentrado em poucos centros econômicos. Hoje, porém, a realidade é diferente. O Nordeste abriga ecossistemas inovadores, startups competitivas, universidades de excelência e profissionais que contribuem decisivamente para o crescimento da economia digital. A presença de Alek na vice-presidência da Abradi é um reflexo direto dessa nova realidade.</p>
<p>Sua visão sobre a necessidade de descentralizar os debates e ampliar a participação das diferentes regiões do país é não apenas atual, mas necessária. Quando afirma que &#8220;o futuro da inovação brasileira passa pela capacidade de unir talentos, mercados e visões de todas as regiões do país&#8221;, Alek sintetiza um pensamento moderno e alinhado aos desafios de uma economia cada vez mais conectada e colaborativa.</p>
<p>O Brasil digital não pode ser construído apenas a partir dos grandes centros tradicionais. A diversidade regional é uma das maiores riquezas nacionais e deve ser encarada como um diferencial competitivo. Valorizar o Nordeste significa reconhecer o potencial de milhões de brasileiros que contribuem diariamente para a inovação, a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico.</p>
<p>A eleição de Alek Maracajá, portanto, transcende o simbolismo de um cargo. Ela representa uma mudança de paradigma. É a confirmação de que competência, conhecimento e liderança não têm endereço exclusivo. É também uma mensagem clara de que o futuro da economia digital brasileira será mais democrático, mais representativo e mais conectado com a realidade de todas as regiões do país.</p>
<p>O Nordeste celebra essa conquista porque ela não pertence apenas a um profissional de destaque. Ela pertence a uma geração inteira que trabalha para mostrar que a inovação brasileira tem sotaques diversos, talentos espalhados por todo o território nacional e um futuro que será construído coletivamente.</p>
<p>Mais que qualquer coisa, Alek, que é um amigo muito querido e por quem tenho profunda admiração, tem construído uma história no digital que já não pertence à Paraíba e ao Nordeste, mas ao País, que já o reconhece como uma voz respeitada e acreditada no universo digital.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e Sócio-Proprietário do Tá na Área</em></strong></p>
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		<item>
		<title>CRÔNICA DA SEMANA: Legado de uma mãe; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 09:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Minha mãe partiu em 2019. Dois anos depois, meu pai também se foi. E desde então aprendi que a saudade não desaparece. Ela apenas muda de lugar dentro da gente. Há dias em que ela aperta mais forte, principalmente quando a memória resolve abrir gavetas antigas da vida. E quando isso acontece, eu volto à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="0" data-end="269"><strong>Minha mãe partiu em 2019.</strong> Dois anos depois, meu pai também se foi. E desde então aprendi que a saudade não desaparece. Ela apenas muda de lugar dentro da gente. Há dias em que ela aperta mais forte, principalmente quando a memória resolve abrir gavetas antigas da vida.</p>
<p data-start="271" data-end="315">E quando isso acontece, eu volto à infância.</p>
<p data-start="317" data-end="660">Volto ao tempo dos primeiros ensinamentos, das palavras firmes e cheias de amor, do cuidado silencioso que só uma mãe sabe ter. Minha mãe, professora por vocação e missão, me ensinou muito antes da escola me ensinar.<strong> Foi ela quem me apresentou o valor da leitura, da educação e do conhecimento como ferramentas capazes de transformar destinos.</strong></p>
<p data-start="662" data-end="1154">Lembro do primeiro gibi, dos primeiros livros, das enciclopédias que pareciam abrir janelas para o mundo dentro de casa. Lembro do brilho nos olhos dela ao perceber meu interesse pelas palavras, pelas histórias, pela comunicação. E jamais esquecerei a emoção do primeiro computador que ganhei quando entrei na Universidade Federal da Paraíba para cursar Jornalismo. Mais do que um presente, era um gesto de confiança. <strong>Ela acreditava nos meus sonhos antes mesmo de eu ter coragem de acreditar.</strong></p>
<p data-start="1156" data-end="1489">O amor que tenho pela minha mãe continua intacto. E cresce quando percebo o tamanho do legado que ela e meu pai deixaram em mim. Não herdei riquezas materiais. Herdei valores. <strong>Herdei caráter, fé, dignidade, respeito pelas pessoas, amor pelo estudo e a certeza de que o conhecimento é uma das maiores heranças que alguém pode receber.</strong> É essa herança que quero e vou deixar para <strong>Matheus, Maria Helena e Maria Heloísa, meus filhos. </strong></p>
<p data-start="1491" data-end="1733">Talvez por isso exista algo tão especial no fato de eu ter nascido no mesmo mês que ela e fazer aniversário apenas quatro dias depois. Como se Deus tivesse desenhado, no calendário da vida, uma forma bonita de eternamente nos manter próximos.</p>
<p data-start="1735" data-end="1904">Hoje entendo que algumas pessoas não vão embora por completo. Permanecem nos gestos que aprendemos com elas, nas escolhas que fazemos e na maneira como seguimos vivendo.</p>
<p data-start="1906" data-end="2051" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Minha mãe segue viva em mim.</strong> Nas palavras que escrevo, na fé que carrego, no homem que me tornei e na gratidão que sinto por ter sido filho dela.</p>
<p data-start="1906" data-end="2051" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
<p data-start="1906" data-end="2051" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do Tá na Área</em></strong></p>
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		<title>O silêncio também mata; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 15:26:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há tragédias que não podem ser tratadas como estatística, acidente doméstico ou mera fatalidade. O caso do elevador que despencou em um condomínio de alto padrão no bairro do Altiplano, em João Pessoa, deixando duas crianças feridas e uma mulher de apenas 36 anos paraplégica, precisa ser encarado pelo que aparentemente é: um retrato cruel [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="flex max-w-full flex-col gap-4 grow">
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<p data-start="24" data-end="494">Há tragédias que não podem ser tratadas como estatística, acidente doméstico ou mera fatalidade. O caso do elevador que despencou em um condomínio de alto padrão no bairro do Altiplano, em João Pessoa, deixando duas crianças feridas e uma mulher de apenas 36 anos paraplégica, precisa ser encarado pelo que aparentemente é: um retrato cruel da negligência, da morosidade institucional e do peso desigual que o poder econômico ainda exerce sobre as estruturas deste país.</p>
<p data-start="496" data-end="620">Não se trata apenas de um elevador que caiu. Trata-se de um sistema inteiro que falhou antes mesmo do equipamento despencar.</p>
<p data-start="622" data-end="1137">As informações já conhecidas tornam o episódio ainda mais grave. O condomínio havia acionado judicialmente a construtora GGP denunciando vícios estruturais, falhas recorrentes e riscos concretos envolvendo os elevadores do empreendimento. Não eram reclamações superficiais. Falava-se em incêndio no fosso de elevador, travamentos constantes, queda abrupta anterior, falhas em sistemas de segurança, interfone de emergência inoperante e ausência de solução definitiva mesmo após inúmeras reclamações administrativas.</p>
<p data-start="1139" data-end="1395">A Justiça de primeira instância reconheceu a gravidade do caso. Determinou a substituição integral dos elevadores e impôs multa diária para obrigar o cumprimento da decisão. O magistrado destacou, inclusive, o potencial risco de acidentes graves ou fatais.</p>
<p data-start="1397" data-end="1485">Mas então entrou em cena aquilo que o brasileiro conhece bem: o peso do poder econômico.</p>
<p data-start="1487" data-end="1749">A construtora recorreu. Conseguiu reverter a decisão no Tribunal de Justiça da Paraíba. E o processo, ao que tudo indica, repousa lentamente em alguma gaveta refrigerada do Palácio da Justiça, enquanto uma mãe jovem agora encara uma condenação física permanente.</p>
<p data-start="1751" data-end="1794">É impossível não fazer perguntas incômodas.</p>
<p data-start="1796" data-end="1898">Se já havia decisão judicial reconhecendo risco grave, por que o caso não recebeu prioridade absoluta?</p>
<p data-start="1900" data-end="2016">Se existiam laudos técnicos apontando falhas de alta periculosidade, por que o processo não teve tramitação urgente?</p>
<p data-start="2018" data-end="2131">Se o próprio condomínio denunciava risco iminente, por que ninguém agiu a tempo de evitar uma tragédia anunciada?</p>
<p data-start="2133" data-end="2482">O laudo técnico é devastador. Fala em ausência de sinalização de segurança, falhas no aterramento elétrico, inexistência de iluminação de emergência, problemas na ventilação, deficiência nos dispositivos de resgate e, talvez o mais alarmante: uma máquina de tração incompatível com a capacidade estrutural do elevador e fora das normas de segurança.</p>
<p data-start="2484" data-end="2563">Mais grave ainda: o documento recomendava substituição completa do equipamento.</p>
<p data-start="2565" data-end="2979">Agora, depois da tragédia consumada, surgem as notas frias, juridicamente calculadas, tentando delimitar responsabilidades. A construtora afirma que a manutenção dos equipamentos era responsabilidade do condomínio após a entrega do empreendimento. É uma tese previsível no campo jurídico. Mas ela não apaga o histórico documental já existente nem elimina as denúncias anteriores de vícios estruturais persistentes.</p>
<p data-start="2981" data-end="3329">E aqui reside o ponto central: o que houve no Altiplano não pode ser reduzido a uma disputa burocrática entre condomínio e construtora. Existe uma vítima humana no centro dessa história. Uma mulher que saiu de casa para viver sua rotina e teve a vida devastada. Duas crianças marcadas por um episódio traumático. Famílias destruídas emocionalmente.</p>
<p data-start="3331" data-end="3754">Há momentos em que o jornalismo precisa ultrapassar a simples narrativa factual e exercer sua função pública. Aprendi, ainda na universidade, com mestres como Luiz Custódio e Wellington Pereira, que o jornalismo não serve para bajular poderosos nem para anestesiar consciências. Serve para iluminar zonas escuras, cobrar respostas e impedir que a verdade seja soterrada pela influência política, econômica ou institucional.</p>
<p data-start="3756" data-end="3779">E este caso cheira mal.</p>
<p data-start="3781" data-end="3811">Cheira à negligência ignorada.</p>
<p data-start="3813" data-end="3840">Cheira à lentidão seletiva.</p>
<p data-start="3842" data-end="3947">Cheira ao velho Brasil onde processos envolvendo gente poderosa parecem caminhar em velocidade diferente.</p>
<p data-start="3949" data-end="4356">O Poder Judiciário da Paraíba também precisa explicações públicas à sociedade. Não basta o silêncio protocolar dos autos. Não basta dizer que “o processo segue tramitando”. Uma tragédia dessa dimensão exige transparência. Exige prestação de contas. Exige esclarecer por que uma decisão que reconhecia riscos graves foi revertida e por que medidas efetivas aparentemente não impediram que o pior acontecesse.</p>
<p data-start="4358" data-end="4621">A sociedade paraibana não pode aceitar que o caso desapareça do debate público após alguns dias de indignação nas redes sociais. Porque quando tragédias anunciadas deixam de gerar consequências concretas, cria-se uma autorização silenciosa para que novas ocorram.</p>
<p data-start="4623" data-end="4644">Não houve fatalidade.</p>
<p data-start="4646" data-end="4667">Fatalidade é um raio.</p>
<p data-start="4669" data-end="4695">Fatalidade é um terremoto.</p>
<p data-start="4697" data-end="4819">Quando existem alertas, denúncias, laudos, decisões judiciais e riscos previamente conhecidos, o nome disso é outra coisa.</p>
<p data-start="4821" data-end="5017">E os responsáveis — sejam empresários, técnicos, administradores ou agentes públicos — precisam ser identificados e responsabilizados, independentemente do tamanho de sua influência ou patrimônio.</p>
<p data-start="5019" data-end="5086">Porque nenhuma estrutura de concreto vale mais que uma vida humana.</p>
<p data-start="5088" data-end="5160" data-is-last-node="" data-is-only-node="">E porque o silêncio institucional, diante de casos assim, também desaba.</p>
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		<title>CRÔNICA DA SEMANA: Ilustre ausência; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 10:18:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre a fumaça dos bastidores e o silêncio estratégico de Brasília, a Paraíba vai descobrindo que talvez Lula seja o grande eleitor que não aparecerá na foto. O presidente e a direção nacional do PT parecem ter compreendido cedo demais aquilo que os aliados locais ainda tentam empurrar para depois: na Paraíba de 2026, subir [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre a fumaça dos bastidores e o silêncio estratégico de Brasília, a Paraíba vai descobrindo que talvez Lula seja o grande eleitor que não aparecerá na foto.</p>
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<p data-start="178" data-end="582">O presidente e a direção nacional do PT parecem ter compreendido cedo demais aquilo que os aliados locais ainda tentam empurrar para depois: na Paraíba de 2026, subir num palanque é descer de outro. E, quando o jogo envolve três pré-candidatos ao Senado orbitando o lulismo — João Azevêdo, Nabor Wanderley e Veneziano Vital — qualquer gesto presidencial pode virar uma pequena guerra civil entre aliados.</p>
<p data-start="584" data-end="652">A saída encontrada pelo Planalto parece quase literária: a ausência.</p>
<p data-start="654" data-end="1006">Não vir é, talvez, a forma mais eficiente de Lula permanecer com todos. Porque, se desembarca ao lado de Lucas Ribeiro e abraça Nabor, arrisca azedar de vez a relação com Veneziano. Se sinaliza para Veneziano, cria fissuras no grupo governista. E se tenta equilibrar todos no mesmo palanque, transforma o ato político num constrangimento televisionado.</p>
<p data-start="1008" data-end="1164">Daí a estratégia do “apoio sem presença”. Lula acena de longe, o PT nacional fala em unidade, e a militância que resolva o resto no voto casado ou dividido.</p>
<p data-start="1166" data-end="1525">João Azevêdo ainda cultiva a expectativa de um gesto mais explícito. Sonha com Lula no mesmo palco de Lucas Ribeiro, consolidando uma chapa inteira sob o guarda-chuva do petismo nacional — inclusive com Nabor Wanderley no pacote. Seria a fotografia perfeita para o governador: a sucessão estadual carimbada pela maior liderança popular da esquerda brasileira.</p>
<p data-start="1527" data-end="1582">Mas a política raramente entrega fotografias perfeitas.</p>
<p data-start="1584" data-end="1932">Do outro lado, Veneziano joga com o tempo. A aposta do senador é quase matemática: se o Progressistas hesitar ou negar apoio à reeleição de Lula nacionalmente, abre-se uma avenida para revisão de alianças na Paraíba. Veneziano acredita que Brasília ainda não fechou completamente a porta. E, em política, porta entreaberta costuma virar negociação.</p>
<p data-start="1934" data-end="2278">Só que há um detalhe importante mudando o humor desse xadrez: Lula já não é mais aquele ativo eleitoral incontestável de outros ciclos. As pesquisas recentes e o desgaste natural de governo reduziram um pouco a corrida desesperada pelo selo presidencial. O apoio ainda pesa, claro. Mas talvez não defina sozinho uma eleição estadual como antes.</p>
<p data-start="2280" data-end="2317">Isso altera a temperatura da disputa.</p>
<p data-start="2319" data-end="2525">O que antes seria uma batalha feroz por um abraço de palanque, hoje parece mais uma disputa cuidadosa para não herdar desgaste em excesso. Há um cálculo frio em curso: quanto Lula soma? E quanto pode tirar?</p>
<p data-start="2527" data-end="2825">Edinho Silva, ao defender uma postura mais cautelosa do PT, parece ter traduzido exatamente esse momento. O partido sinaliza alinhamento prioritário com Lucas Ribeiro (PP), preserva João Azevêdo (PSB) como principal nome ao Senado e deixa o segundo voto meio solto, quase terceirizado à vontade da militância.</p>
<p data-start="2827" data-end="2984">Só que alianças fracionadas costumam produzir campanhas fragmentadas. E campanhas fragmentadas têm dificuldade para transmitir ao eleitor a sensação de rumo.</p>
<p data-start="2986" data-end="3327" data-is-last-node="" data-is-only-node="">No fim das contas, talvez a maior presença de Lula na eleição paraibana seja justamente sua ausência física. Um presidente que evita escolher publicamente para não perder ninguém. Um PT que tenta caber em vários palanques ao mesmo tempo. E uma Paraíba onde todos querem o apoio de Lula — desde que ele não abrace demais o adversário ao lado.</p>
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<div class="z-0 flex min-h-[46px] justify-start"><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></div>
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		<title>Café frio; crônica da semana por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 09:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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<p data-start="0" data-end="262">Há uma liturgia silenciosa no poder que diz que quando o café já não é serivdo quente, é que o governo está no fim. No terceiro andar do Palácio do Planalto, em Brasília, o café sempre chega quente — ou, pelo menos, deveria. Durante muito tempo, pareceu que ali o calor era permanente, imune às estações da política. Mas até o café mais forte, se esquecido, esfria.</p>
<p data-start="264" data-end="652">Parecia que essa regra não alcançaria <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dono de reconhecida popularidade</span></span>. Nem mesmo em 2005, quando o mensalão soprou ventos frios sobre o governo. A economia aquecida e os números do <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Datafolha</span></span> mantinham a chama acesa. Lula atravessou o inverno e saiu reeleito. Anos depois, viveu o auge: popularidade em alta, terreno firme, sucessora eleita e café renovado antes de esfriar.</p>
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<p data-start="860" data-end="1147">Quatro anos depois, o cenário era quase de verão permanente. Popularidade em alta, economia em expansão e a capacidade política de eleger uma sucessora sem histórico eleitoral, como Dilma Rousseff. O café? Servido quente, forte e em abundância — daqueles que ninguém ousa deixar esfriar.</p>
<p data-start="1149" data-end="1202">Mas o tempo, esse barista implacável, muda a receita.</p>
<p data-start="1204" data-end="1652">Na semana que passou, o Planalto sentiu o gosto de um café menos encorpado. A rejeição do nome de <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Jorge Messias</span></span> para o <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Supremo Tribunal Federal</span></span> no Senado e, logo depois, a derrubada de um veto presidencial relacionado aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, não foram apenas episódios isolados. Soaram como aquele tilintar discreto da colher na xícara — um aviso de que algo já não está na temperatura ideal.</p>
<p data-start="1654" data-end="1960">Não se trata de crise aberta, nem de ruptura institucional. Mas de sinais. Pequenos, porém eloquentes. O Congresso, mais assertivo, parece testar novos limites. E o governo, por sua vez, descobre que a antiga habilidade de manter tudo aquecido exige agora mais do que memória política — exige recalibragem.</p>
<p data-start="1962" data-end="2213">Em 2026, o cenário é outro. A economia não desanda, é verdade, mas também não embala corações. E, talvez mais preocupante para quem vive de termômetro político, a desaprovação insiste em não dar trégua — algo que não combina com projetos de reeleição.</p>
<p data-start="2215" data-end="2414">No fim das contas, governar também é isso: administrar temperaturas. Saber quando acender o fogo, quando baixar a chama e, principalmente, perceber quando o café já não está tão quente quanto parece.</p>
<p data-start="2416" data-end="2499" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Porque, em Brasília, até o silêncio de uma xícara esquecida pode dizer muita coisa.</p>
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<div class="pointer-events-none -mt-px h-px translate-y-[calc(var(--scroll-root-safe-area-inset-bottom)-14*var(--spacing))]" aria-hidden="true"><em><strong>Ivandro Oliveira é jornalista.</strong></em></div>
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		<title>Museu de grandes novidades; por Ivandro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 12:21:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na véspera do Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o que políticos fazem de melhor: ocupou rede nacional para apresentar novidades que, no fundo, soam como reprises bem editadas de temporadas anteriores. O roteiro veio completo. Primeiro ato: a defesa de medidas que, vendidas como pragmáticas, parecem ignorar o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na véspera do Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o que políticos fazem de melhor: ocupou rede nacional para apresentar novidades que, no fundo, soam como reprises bem editadas de temporadas anteriores.</p>
<p>O roteiro veio completo. Primeiro ato: a defesa de medidas que, vendidas como pragmáticas, parecem ignorar o espírito do próprio momento em que são anunciadas. A escala 6&#215;1, por exemplo, surge quase como uma homenagem involuntária ao passado — aquele em que descansar era um luxo e não um direito em debate. Nada diz “valorização do trabalhador” como normalizar uma rotina que o mantém permanentemente a um dia do cansaço crônico. Um discurso digno dos mais áureos populistas que essa terra já viu!</p>
<p>Segundo ato: o relançamento de programas de renegociação de dívidas, agora em versão atualizada — porque, como todo produto brasileiro, basta acrescentar um “2.0” para parecer novo. A proposta é simples e engenhosa: o cidadão, já sufocado por dívidas, recebe um empurrão para reorganizar a própria inadimplência. Na prática, funciona como um elegante sistema de irrigação financeira — o dinheiro sai com dificuldade do bolso do devedor, dá uma breve volta retórica pelo governo e desemboca, disciplinadamente, no caixa de sempre.</p>
<p>É aqui que a ironia ganha contornos quase didáticos. Vende-se alívio, entrega-se fôlego curto. Promete-se recomeço, oferece-se renegociação. É menos uma saída do labirinto e mais uma sinalização de que ele agora tem placas melhores.</p>
<p>Terceiro ato: o clássico embate entre nós contra eles, “povo” e “elite”. Nenhum discurso estaria completo sem esse elemento quase folclórico da política nacional. As elites, invariavelmente, “torcem o nariz”; o governo, por sua vez, se apresenta como intérprete exclusivo das aspirações populares. O problema é que, repetido à exaustão, o argumento começa a soar menos como denúncia e mais como muleta narrativa — útil para explicar qualquer resistência, conveniente para evitar nuances.</p>
<p>O conjunto da obra é familiar. Há anúncios que aliviam sintomas, retórica que reforça identidades e uma encenação cuidadosamente alinhada ao calendário simbólico. Funciona? Em certa medida, sim — sobretudo no curto prazo, onde percepção muitas vezes pesa mais que estrutura.</p>
<p>Mas fica a sensação de que o país assiste, mais uma vez, a uma versão remasterizada de velhas soluções: melhor iluminadas, melhor embaladas, mas essencialmente presas ao mesmo enredo. E, como todo espectador que já conhece a história, resta a dúvida incômoda — se o final também já não está dado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Ivandro Oliveira é jornalista </strong></em></p>
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		<title>Duro recado; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 01:11:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que se viu nos bastidores — e no desfecho — da sabatina de Jorge Messias no Senado não foi um acidente político. Foi roteiro. E com protagonista definido desde o primeiro ato: Davi Alcolumbre. A rejeição do nome indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal rompe uma tradição centenária [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="112" data-end="352">O que se viu nos bastidores — e no desfecho — da sabatina de <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Jorge Messias</span></span> no Senado não foi um acidente político. Foi roteiro. E com protagonista definido desde o primeiro ato: <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Davi Alcolumbre</span></span>.</p>
<p data-start="354" data-end="649">A rejeição do nome indicado por <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Luiz Inácio Lula da Silva</span></span> para o <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Supremo Tribunal Federal</span></span> rompe uma tradição centenária e expõe, sem rodeios, a fragilidade da articulação política do governo. Mais do que isso: escancara quem, de fato, dita o ritmo no Congresso Nacional.</p>
<p data-start="651" data-end="971">Desde o início, o clima em torno da sabatina já deixava claro que não se tratava de uma disputa técnica ou jurídica. Era política em estado bruto. Alcolumbre nunca escondeu — nem em público, nem nas conversas reservadas — sua convicção de que nada passa pelo Senado sem sua chancela. E, desta vez, fez questão de provar.</p>
<p data-start="973" data-end="1330">A derrota de Messias não é apenas a rejeição de um nome. É uma demonstração de força cuidadosamente construída. Um aviso em alto e bom som: não há espaço para articulação paralela, acordos fora do radar ou tentativas de contornar o comando da Casa. Quem quiser aprovar algo relevante, precisa passar pelo presidente do Senado — e jogar conforme suas regras.</p>
<p data-start="1332" data-end="1661">O episódio ganha contornos ainda mais evidentes quando se observa o contraste. Alcolumbre tem atuado decisivamente para &#8216;blindar&#8217; nomes como <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Alexandre de Moraes</span></span> e <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Dias Toffoli no rumoroso caso Master</span></span>. Aliás, é importante salientar que o nome que circulava com força para a vaga era o de <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Rodrigo Pacheco</span></span> — alinhado ao próprio Alcolumbre. Messias, nesse cenário, tornou-se peça descartável em um tabuleiro onde o governo claramente perdeu a mão.</p>
<p data-start="1933" data-end="2209">O simbolismo do episódio é incontornável. Lula se torna o primeiro presidente desde <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Floriano Peixoto</span></span>, no século XIX, a ter uma indicação ao STF rejeitada pelo Senado. Um marco que fala menos sobre o indicado e mais sobre o isolamento político do Planalto.</p>
<p data-start="2211" data-end="2492">E há uma ironia inevitável: ao longo da história recente, o Senado aprovou nomes cercados de críticas e questionamentos — alguns com credenciais jurídicas frágeis, a exemplo do próprio Toffoli. Ainda assim, passaram. Não por mérito incontestável, mas por alinhamento político. Desta vez, faltou exatamente isso.</p>
<p data-start="2494" data-end="2773" data-is-last-node="" data-is-only-node="">No fim, a conta não fecha apenas para Jorge Messias. Ela recai sobre um governo que, cada vez mais, demonstra dificuldade em construir maioria, sustentar alianças e compreender a dinâmica real do poder em Brasília.</p>
<p data-start="2494" data-end="2773" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Na selva como na política, hiena não ataca leão a não ser que ache que o bicho esteja ferido ou fraco. Se Alcolumbre feriu Lula com essa humilhação histórica, é porque não acredita num eventual segundo mandato do petista ou que não teria força suficiente para um retaliação nos próximos anos.</p>
<p data-start="2494" data-end="2773" data-is-last-node="" data-is-only-node="">O fato é que a rejeição de Messias não foi um tropeço. Foi um recado — e dos mais duros a Lula.</p>
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		<title>Entre a urna e o prejulgamento; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 16:10:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cabedelo parece, mais uma vez, aprisionada em um roteiro que insiste em se repetir: crises políticas, intervenções judiciais e uma permanente sensação de instabilidade institucional. No meio desse cenário, surge agora um novo capítulo que, longe de trazer respostas, amplia dúvidas — e, pior, flerta com a possibilidade de uma injustiça. Edvaldo Neto não chegou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cabedelo parece, mais uma vez, aprisionada em um roteiro que insiste em se repetir: crises políticas, intervenções judiciais e uma permanente sensação de instabilidade institucional. No meio desse cenário, surge agora um novo capítulo que, longe de trazer respostas, amplia dúvidas — e, pior, flerta com a possibilidade de uma injustiça.</p>
<p>Edvaldo Neto não chegou ao comando do município por acaso. Na condição de presidente da Câmara, assumiu a prefeitura em um momento de ruptura, após a cassação do prefeito e do vice pela Justiça Eleitoral. Era uma conjuntura adversa, de terra arrasada administrativa e descrédito político. Ainda assim, conseguiu manter o funcionamento básico da máquina pública, garantindo a continuidade de serviços essenciais que já não eram exemplares, mas que tampouco podiam parar.</p>
<p>Cumpriu seu papel em um mandato tampão e, submetido ao crivo popular na eleição suplementar, venceu. Não por imposição, não por acaso — mas pelo voto. E voto, em democracia, é mais do que um resultado formal: é expressão legítima da vontade coletiva.</p>
<p>É justamente essa legitimidade que agora parece colocada sob suspeita por uma investigação que, embora necessária em sua essência, levanta preocupações na forma como vem sendo conduzida e, sobretudo, apresentada à opinião pública.</p>
<p>É preciso deixar claro: o combate ao crime organizado, especialmente quando há indícios de infiltração nos espaços de poder, é indispensável. O trabalho dos órgãos de controle, como o Gaeco, tem histórico relevante e merece reconhecimento. A sociedade precisa dessas instituições vigilantes.</p>
<p>Mas investigar não é condenar.</p>
<p>Quando versões ganham contornos de sentença antes mesmo da conclusão dos processos, o que se fragiliza não é apenas a reputação de um indivíduo — é o próprio princípio da presunção de inocência. E esse não é um detalhe técnico: é um pilar do Estado de Direito.</p>
<p>A narrativa de que Edvaldo Neto teria vencido a eleição sob influência direta do crime organizado soa, para muitos que conhecem de perto a realidade de Cabedelo, como desproporcional às evidências conhecidas até agora. Não se trata de blindar ninguém de apuração, mas de exigir que acusações dessa gravidade sejam sustentadas com rigor, equilíbrio e responsabilidade.</p>
<p>Edvaldo Neto é uma figura conhecida na cidade. Sua trajetória não nasceu na política recente nem se construiu de forma repentina. Em municípios como Cabedelo, onde as relações são próximas e as histórias são públicas, reputações não se fabricam da noite para o dia — e tampouco deveriam ser desfeitas com base em narrativas ainda inconclusas.</p>
<p>Há, portanto, um risco real de que se esteja diante de mais um episódio em que o espetáculo se antecipa à prova. E a história recente mostra que investigações que começam com grande impacto midiático nem sempre terminam com a mesma solidez de evidências que as justificaram.</p>
<p>Se isso se confirmar, o dano será duplo.</p>
<p>De um lado, à imagem de um agente político que, até prova em contrário, foi legitimamente eleito. De outro — e talvez mais grave —, à própria confiança da população nas instituições responsáveis por garantir justiça e transparência.</p>
<p>Cabedelo não precisa de mais um capítulo marcado por frustração e descrédito. Precisa de clareza. Precisa de verdade.</p>
<p>Que a Justiça cumpra seu papel com serenidade, aprofundando a investigação, confrontando versões e produzindo conclusões consistentes. Se houver irregularidades, que sejam demonstradas de forma inequívoca. Se não houver, que isso seja afirmado com a mesma contundência com que as suspeitas foram divulgadas.</p>
<p>O que não se pode admitir é que a vontade expressa nas urnas seja relativizada por julgamentos antecipados ou por narrativas que ainda carecem de comprovação.</p>
<p>Porque, no fim, a maior injustiça não será apenas contra um nome — mas contra uma cidade inteira que já sofreu demais com a instabilidade e que merece, acima de tudo, respeito à sua escolha democrática.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></p>
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