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	<title>Arquivos Opinião - Tá na Área</title>
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	<description>Mais que notícia, informação!</description>
	<lastBuildDate>Sat, 12 Sep 2026 14:47:18 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Toga diante do espelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 14:43:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há crises que chegam fazendo barulho. Outras começam em silêncio, acumulando sombras nos corredores, portas fechadas, documentos que não se deixam ler e perguntas que ninguém parece disposto a responder. A mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal em mais de 130 anos talvez seja justamente assim: não nasceu de um único estampido, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há crises que chegam fazendo barulho. Outras começam em silêncio, acumulando sombras nos corredores, portas fechadas, documentos que não se deixam ler e perguntas que ninguém parece disposto a responder. A mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal em mais de 130 anos talvez seja justamente assim: não nasceu de um único estampido, mas de uma sucessão de ruídos abafados. Nesta semana, ao sair de uma longa meditação, Edson Fachin tentou interromper o bangue-bangue. Mas há momentos em que o silêncio acumulado pesa mais do que qualquer tiro — e já não basta pedir calma quando a própria instituição parece ter perdido o compasso.</p>
<section>Entre as medidas anunciadas, uma pode abrir uma fresta de luz num quarto mantido escuro por quase oito anos: retirar de Alexandre de Moraes a condução do inquérito das fake news e admitir a possibilidade de tornar públicos seus procedimentos derivados. Se isso acontecer, talvez não seja apenas o conteúdo de papéis que venha à tona, mas a anatomia de uma época. Mais de cem procedimentos, muitos deles secretos, poderão revelar como uma exceção jurídica se transformou em método, como uma investigação concebida sob o argumento de proteger a Corte acabou se tornando uma espécie de labirinto no qual os próprios limites foram sendo redesenhados enquanto se caminhava.Há algo de trágico nessa história. O Supremo nasceu para ser o lugar onde o poder encontra a lei. Agora, é a própria Corte que precisa ser examinada pela luz daquilo que ensina aos outros. Durante anos, heterodoxias foram toleradas em nome de uma urgência maior — a defesa da democracia. Talvez tenha sido necessário atravessar terrenos extraordinários para enfrentar ameaças extraordinárias. Mas toda excepcionalidade carrega dentro de si uma pergunta que um tribunal constitucional jamais pode esquecer: quem vigia o vigia? Quando a porta da exceção permanece aberta por tempo demais, o provisório começa a parecer permanente, e a defesa da democracia pode terminar produzindo uma instituição que já não aceita ser escrutinada por ela.</p>
<p>O mais doloroso, porém, não está nos corredores do Supremo, mas do lado de fora deles. Está na rua, na boca de brasileiros e brasileiras que querem, por direito, respostas claras, objetivas e convincentes de alguns dos seus já não tão ilustres membros.</p>
<p>Ivandro Oliveira é jornalista .</p>
</section>
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		<title>O que está ruim pode piorar; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 01:35:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil entrou numa grave crise institucional — e tudo indica que ela ainda pode piorar. Nas aparências, o novo capítulo surgiu com o conteúdo dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de comandar uma organização criminosa. O material revelado levanta questionamentos extremamente graves sobre as relações do banqueiro com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">O Brasil entrou numa grave crise institucional — e tudo indica que ela ainda pode piorar. Nas aparências, o novo capítulo surgiu com o conteúdo dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de comandar uma organização criminosa. O material revelado levanta questionamentos extremamente graves sobre as relações do banqueiro com autoridades do mais alto escalão da República, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, um dos homens mais poderosos do Supremo Tribunal Federal. A suspeita de que um ministro da Suprema Corte possa ter atuado de forma tão próxima aos interesses de um empresário acusado de fraudes já seria, por si só, devastadora.</p>
<p class="isSelectedEnd">A situação se tornou ainda mais intragável pela reação das próprias instituições. O STF não demonstrou, até agora, a disposição que a gravidade do caso exigiria, enquanto a Procuradoria-Geral da República questionou a atuação do ministro André Mendonça que resultou na coleta dos dados que alimentaram as suspeitas. Agora, a eventual abertura de investigação sobre Moraes poderá ser decidida pelo próprio plenário do Supremo. É um daqueles casos em que a Corte parece não ter boas opções: se nada fizer, aprofundará a percepção de corporativismo; se investigar, reconhecerá que existem elementos graves o suficiente para colocar um de seus integrantes sob escrutínio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas a crise é maior do que Moraes, Toffoli ou o Banco Master. O que está em jogo é a percepção de uma perigosa proximidade entre grandes interesses econômicos, poder político e instituições que deveriam funcionar com absoluta independência. Quando decisões e relações entre integrantes dos Poderes passam a ser vistas pela sociedade como parte de acordos de conveniência, a confiança pública começa a ruir. E sem confiança, nenhuma democracia funciona plenamente.</p>
<p class="isSelectedEnd">O mais preocupante é que esse ambiente alimenta a sensação de que existem cidadãos e grupos que estão acima das regras aplicadas ao restante da sociedade. Pouco importa, nesse momento, quem será absolvido ou responsabilizado ao final das investigações. O estrago institucional já está feito quando milhões de brasileiros passam a acreditar que o sistema protege os poderosos e funciona de maneira diferente conforme o nome envolvido.</p>
<p class="isSelectedEnd">É assim que uma crise política se transforma em uma crise de legitimidade. O sentimento de indignação cresce, a descrença se espalha e surge algo ainda mais perigoso: o nojo diante das instituições e daqueles que deveriam representá-las. Quando a sociedade deixa de acreditar que Justiça, Congresso e Executivo são capazes de impor limites a seus próprios integrantes, abre-se espaço para o descrédito, para o radicalismo e até para a desobediência às próprias regras democráticas.</p>
<p>Por isso, o Brasil precisa de respostas — não de silêncio, corporativismo ou acordos de bastidores. Se existem indícios, que sejam investigados; se não existem crimes, que isso seja demonstrado com transparência. O que não pode acontecer é a República assistir passivamente à destruição de sua própria credibilidade. Porque governos passam, ministros passam, empresários passam. <strong>Mas quando uma sociedade perde a confiança nas instituições, reconstruí-la pode levar uma geração inteira.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></p>
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		<title>Fotografia do momento e o vento a favor; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 02:58:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há pesquisas que apenas registram uma fotografia. E há aquelas que, além de retratar o momento, ajudam a compreender o ambiente político em que uma eleição começa a tomar forma. A primeira pesquisa do Instituto Quaest sobre a sucessão estadual na Paraíba, divulgada nesta terça-feira pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, pertence claramente à segunda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">Há pesquisas que apenas registram uma fotografia. E há aquelas que, além de retratar o momento, ajudam a compreender o ambiente político em que uma eleição começa a tomar forma. A primeira pesquisa do Instituto Quaest sobre a sucessão estadual na Paraíba, divulgada nesta terça-feira pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, pertence claramente à segunda categoria.</p>
<p>Os números colocam o governador Lucas Ribeiro (PP) em uma posição bastante confortável a pouco mais de um mês da eleição. O governador aparece com <strong>38% das intenções de voto</strong>, contra 19% de Cícero Lucena e 18% de Efraim Filho. Considerando apenas os votos válidos, Lucas chega a aproximadamente <strong>48,7%</strong>, ficando a pouco mais de um ponto percentual dos 50% necessários para uma vitória no primeiro turno.</p>
<p>É uma vantagem expressiva, mas o que chama atenção está também nos números que estão por trás dela.</p>
<p>Lucas tem <strong>a menor rejeição entre os três principais candidatos</strong>: 22%, contra 46% de Cícero e 46% de Efraim. Ao mesmo tempo, é o menos conhecido: 30% dos entrevistados dizem ainda não conhecê-lo. Traduzindo: Lucas tem mais espaço para crescer e encontra menos resistência entre aqueles que já conhecem seu nome.</p>
<p>O segundo ponto é a avaliação do governo. <strong>61% dos paraibanos aprovam a gestão de Lucas</strong>, enquanto apenas 17% desaprovam. Ou seja, existe um contingente significativo de eleitores que aprova o governo, mas ainda não transformou essa aprovação em voto. É justamente aí que está um dos maiores potenciais de crescimento do governador.</p>
<p>E há um terceiro dado politicamente poderoso: <strong>65% dizem que João Azevêdo merece eleger um sucessor</strong>, contra 24% que discordam. Como Lucas representa diretamente a continuidade do projeto político e administrativo de João, esse sentimento se transforma em um importante ativo eleitoral.</p>
<p>É claro que pesquisa não ganha eleição. Ainda faltam cerca de 40 dias, e política é dinâmica. Adversários podem reagir, campanhas podem mudar e fatos novos podem alterar o cenário.</p>
<p>Mas é preciso reconhecer o óbvio: <strong>a fotografia apresentada pela Quaest é extremamente favorável a Lucas Ribeiro</strong>.</p>
<p>Cícero e Efraim terão de reagir rapidamente para mudar essa dinâmica. Hoje, o governador está na frente, tem baixa rejeição, governa com alta aprovação e está muito próximo da marca que pode lhe garantir a vitória já no primeiro turno.</p>
<p><strong>Pesquisa é retrato do momento. E, neste momento, a fotografia de Lucas é muito boa.</strong></p>
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		<title>Os vices improváveis; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 00:40:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se alguém tivesse apostado, meses atrás, que Diogo Cunha Lima, Nayana Pontes e Lígia Feliciano seriam os vices de Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro, respectivamente, provavelmente teria perdido dinheiro — e ainda seria chamado de maluco pelos entendidos do riscado. Pois os três estão aí, devidamente escalados, provando mais uma vez que, na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se alguém tivesse apostado, meses atrás, que <strong>Diogo Cunha Lima, Nayana Pontes e Lígia Feliciano</strong> seriam os vices de Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro, respectivamente, provavelmente teria perdido dinheiro — e ainda seria chamado de maluco pelos entendidos do riscado. Pois os três estão aí, devidamente escalados, provando mais uma vez que, na política, o “óbvio” costuma durar menos que promessa de palanque. Diogo foi oficializado na chapa de Cícero ainda em abril; Nayana acabou compondo com Efraim; e, nesta terça-feira, Lucas fechou a sua chapa com Lígia.</p>
<p>Cícero queria Pedro Cunha Lima. Não levou. Acabou com o irmão, Diogo. É quase como pedir um Cunha Lima e receber outro — só que com a embalagem diferente. A escolha mantém o sobrenome mais cobiçado de Campina Grande na chapa, mas também deixa no ar aquela velha pergunta: quem diria, hein?</p>
<p>Efraim, por sua vez, passou meses flertando com a possibilidade de Juliana Cunha Lima. A “vice dos sonhos” virou, no fim, um sonho mesmo. Quem entrou em campo foi Nayana Pontes, esposa de Cabo Gilberto. A política tem dessas: quando o plano A não atende ao telefone, o plano B já está com a roupa de campanha passada e pronta para a foto.</p>
<p>E Lucas? Ah, Lucas viveu sua própria novela. Coronel Viviane foi a última apontada, comentada, analisada e até escalada por muita gente na prancheta dos entendidos e pitaqueiros — este colunista incluído. No fim, o governador puxou do banco uma velha conhecida: <strong>Lígia Feliciano</strong>, ex-vice-governadora, agora candidata a repetir a dose pela terceira vez. Se vencer, poderá pedir música no Fantástico: será a primeira paraibana a ocupar a vice-governadoria.</p>
<p>No fim das contas, <strong>Cícero tem Diogo, Efraim tem Nayana e Lucas tem Lígia</strong>. Três escolhas que dificilmente apareceriam juntas em qualquer bolão político feito no início do ano. Magalhães Pinto tinha razão: política é dinâmica. Na Paraíba, ultimamente, está quase em modo turbo.</p>
<p>Agora não há mais vice para escolher, especulação para alimentar nem “nome dos sonhos” para vender. Os times estão completos. A bola vai para o campo, a campanha de rua começa no domingo e, a partir daí, os analistas — inclusive os que juravam saber quem seriam os vices — terão uma nova missão: explicar por que tudo aconteceu exatamente como eles, claro, <strong>nunca disseram que aconteceria</strong>.</p>
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		<title>A vice ideal não é apenas um nome, é uma mensagem; por Ivandro Oliveira</title>
		<link>https://www.tanaarea.com.br/opiniao/ivandro-oliveira/a-vice-ideal-nao-e-apenas-um-nome-e-uma-mensagem-por-ivandro-oliveira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 15:16:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na política, a escolha do candidato a vice raramente se resume ao currículo. Em disputas majoritárias, a composição da chapa costuma refletir aquilo que o candidato ao governo deseja comunicar ao eleitor. Mais do que preencher um espaço, o vice ajuda a contar uma história. Tudo indica que, por questão de conjuntura, a chapa liderada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="39" data-end="312">Na política, a escolha do candidato a vice raramente se resume ao currículo. Em disputas majoritárias, a composição da chapa costuma refletir aquilo que o candidato ao governo deseja comunicar ao eleitor. Mais do que preencher um espaço, o vice ajuda a contar uma história.</p>
<p data-start="314" data-end="718">Tudo indica que, por questão de conjuntura, a chapa liderada pelo governador Lucas Ribeiro (PP) tende a investir menos em compensações estritamente partidárias e mais em atributos de natureza conceitual. A definição da vice — caso a opção seja por uma mulher — poderá ser orientada pela construção de uma narrativa que dialogue com os desafios do momento e amplie a capacidade de comunicação da campanha.</p>
<p data-start="720" data-end="1126">Nesse contexto, ganha força a ideia de um perfil feminino com inserção em João Pessoa, maior colégio eleitoral da Paraíba e principal reduto político do prefeito Cícero Lucena, apontado como um dos potenciais adversários da disputa estadual. Mais do que representar um partido, a escolhida precisará agregar simbolismo, complementar a mensagem da chapa e estabelecer uma conexão com um eleitorado decisivo.</p>
<p data-start="1128" data-end="1390">Quatro mulheres aparecem, hoje, no radar das articulações: Rafaela Camaraense (PDT), tenente-coronel Viviane Vieira (PSB), Lígia Feliciano (União Brasil) e Maísa Cartaxo (Republicanos). Todas têm perfis distintos e, por consequência, contam histórias diferentes.</p>
<p data-start="1128" data-end="1390"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-241327 aligncenter" src="https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas.jpg 800w, https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas-300x169.jpg 300w, https://www.tanaarea.com.br/site/wp-content/uploads/2026/07/vicedelucas-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p data-start="1392" data-end="1910">Rafaela Camaraense reúne atributos de confiança política. Ex-secretária de Estado, suplente de deputada federal e nome defendido pelo PDT para a composição da chapa, mantém relação de proximidade com Lucas Ribeiro e é vista como alguém capaz de facilitar a condução do projeto político de continuidade do governo. Seu desafio, entretanto, está na identificação mais consistente com João Pessoa, fator que pode pesar em uma eleição onde a capital tende a exercer papel estratégico.</p>
<p data-start="1912" data-end="2403">Lígia Feliciano, por sua vez, oferece experiência institucional. Foi vice-governadora por dois mandatos e construiu uma trajetória marcada pela discrição e pela estabilidade nas funções que exerceu. Sua presença transmitiria previsibilidade administrativa e diálogo político. Em contrapartida, sua imagem permanece mais associada a Campina Grande do que à Grande João Pessoa, justamente onde a chapa governista poderá buscar ampliar sua competitividade.</p>
<p data-start="2405" data-end="2947">É nesse cenário que o nome da tenente-coronel Viviane Vieira passa a chamar atenção. Indicada oficialmente pelo PSB como uma das opções para a vice, ela representa uma narrativa bastante específica. Mulher, oficial da Polícia Militar, comandante em Cabedelo e reconhecida por sua atuação no enfrentamento às organizações criminosas na Região Metropolitana, chega ao debate carregando um discurso diretamente conectado ao tema que figura entre as maiores preocupações dos brasileiros: a segurança pública.</p>
<p data-start="2949" data-end="3403">Sua história ainda dialoga com outro segmento importante do eleitorado. Mãe de uma criança atípica, Viviane aproxima a chapa de uma pauta que mobiliza milhares de famílias e mulheres paraibanas em torno da inclusão, do acolhimento e das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência. O resultado é um perfil que combina firmeza institucional com sensibilidade social, permitindo que a campanha transite entre dois temas de forte apelo eleitoral.</p>
<p data-start="3405" data-end="3989">Já Maísa Cartaxo aparece como um nome cuja principal força está na identidade com João Pessoa. Embora seu projeto político atual esteja voltado para uma candidatura à Câmara Federal, seu nome continua sendo citado nos bastidores para a composição majoritária. Ex-primeira-dama da capital, professora universitária e figura pública de atuação discreta, transmite serenidade, maturidade e familiaridade com a liturgia dos cargos públicos. Além disso, sua eventual indicação contemplaria o Republicanos, um dos principais aliados da base governista.</p>
<p data-start="3991" data-end="4419">No fim das contas, a decisão sobre a vice dificilmente será tomada apenas com base na biografia individual de cada nome. O cálculo envolve equilíbrio partidário, alianças, estratégia regional e potencial eleitoral. Mas, se a conjuntura realmente apontar para uma escolha baseada em conceitos e mensagens, talvez a pergunta mais importante deixe de ser &#8220;quem é a vice?&#8221; para se tornar &#8220;qual história essa vice ajudará a contar?&#8221;.</p>
<p data-start="4421" data-end="4627" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Em uma eleição cada vez mais orientada por símbolos, percepção e identificação com o eleitor, essa narrativa pode ser tão importante quanto o peso político do partido que ocupará a segunda posição na chapa.</p>
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		<title>A derrota que devolveu a camisa do Brasil aos brasileiros; por Ivandro Oliveira</title>
		<link>https://www.tanaarea.com.br/opiniao/ivandro-oliveira/a-derrota-que-devolveu-a-camisa-do-brasil-aos-brasileiros-por-ivandro-oliveira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 14:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje vou atrás de uma coisa improvável: encontrar uma boa notícia escondida dentro de uma derrota. O Brasil caiu na Copa. Mais uma vez, uma seleção europeia cruzou o caminho da Canarinho e interrompeu o sonho do hexa, repetindo um roteiro que se tornou frequente desde 2006. Dentro de campo, sobraram frustração, críticas e a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">Hoje vou atrás de uma coisa improvável: encontrar uma boa notícia escondida dentro de uma derrota. O Brasil caiu na Copa. Mais uma vez, uma seleção europeia cruzou o caminho da Canarinho e interrompeu o sonho do hexa, repetindo um roteiro que se tornou frequente desde 2006. Dentro de campo, sobraram frustração, críticas e a sensação de que o futebol brasileiro ainda busca reencontrar o protagonismo que um dia parecia natural.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas foi justamente fora das quatro linhas que surgiu um fato digno de registro. Em um momento em que talvez o brasileiro estivesse mais descrente da Seleção em toda a história recente, algo inesperado aconteceu: a camisa da Seleção Brasileira voltou a ser motivo de orgulho para pessoas de todas as posições políticas. Esquerda e direita, que hoje parecem incapazes de concordar sobre qualquer assunto, voltaram a vestir a mesma amarelinha sem constrangimento, sem disputa e sem a necessidade de explicar o porquê.</p>
<p class="isSelectedEnd">Durante anos, um dos maiores símbolos nacionais acabou sendo arrastado para o centro da polarização política. A camisa que representava conquistas, emoção e identidade nacional passou a carregar significados que dividiam os brasileiros. Aos poucos, muita gente deixou de usá-la para evitar interpretações ideológicas. Nesta Copa, porém, a &#8220;verde e amarelo&#8221;, como fazia questão de dizer o saudoso Mario Jorge Lobo Zagallo, voltou a cumprir sua função original: representar um país inteiro, e não apenas um grupo.</p>
<p class="isSelectedEnd">É claro que o futebol, sozinho, não resolverá as profundas divergências que marcam o Brasil. A polarização continuará existindo, e o debate político seguirá intenso em 2026. Mas símbolos nacionais pertencem à nação, não a partidos, governos ou movimentos. Talvez a eliminação tenha sido amarga dentro de campo, mas deixou uma pequena vitória fora dele: a recuperação de um patrimônio afetivo que sempre foi de todos os brasileiros.</p>
<p>No fim das contas, perder uma Copa nunca será motivo de comemoração. Mas, se era preciso encontrar uma boa notícia escondida na derrota, ela está justamente na arquibancada, nas ruas e nas redes sociais: a camisa da Seleção voltou a unir mais do que dividir. E, num Brasil tão fragmentado, isso pode não valer uma taça, mas certamente já representa uma conquista.</p>
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<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</em></strong></p>
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		<title>Crise entre Michelle e os filhos de Bolsonaro pode redesenhar a direita brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 15:03:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Antes tratada como um ruído passageiro, a crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha contornos de um terremoto político com potencial para extrapolar as fronteiras do PL e do próprio bolsonarismo. A decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher, recusando a trégua costurada por aliados, não representa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Antes tratada como um ruído passageiro, a crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha contornos de um terremoto político com potencial para extrapolar as fronteiras do PL e do próprio bolsonarismo. A decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher, recusando a trégua costurada por aliados, não representa apenas um gesto administrativo. É um recado político. Michelle demonstra que, para ela, a disputa deixou de ser uma divergência familiar e passou a envolver princípios, lealdade e, sobretudo, a forma como pretende construir seu próprio espaço na direita brasileira.</p>
<p>E mais: Michelle se sentiu confortável para soltar a bomba na pré-campanha de Flávio porque está ciente do imenso capital político e eleitoral que construiu no PL Mulher e do quanto o resto do bolsonarismo carece dele: o voto feminino é um ativo em disputa, um dos poucos, nesta eleição. Jair não o detinha. Flávio não o conquista. Eduardo o despreza</p>
<p>O fato de Michelle ter sido convencida por Damares Alves e Celina Leão a permanecer no PL, mas não na estrutura partidária que comandava, revela que há uma preocupação muito maior do que simplesmente preservar a unidade interna. O receio é eleitoral. Michelle se consolidou como uma das figuras mais populares do campo conservador, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, e um eventual rompimento definitivo poderia provocar uma migração de lideranças, candidaturas e bases de apoio que hoje orbitam em torno do bolsonarismo. Sua permanência na legenda parece ser, neste momento, muito mais uma decisão estratégica do que propriamente um gesto de pacificação.</p>
<p>A postura dos filhos do ex-presidente também ajuda a ampliar a dimensão da crise. O silêncio de Flávio Bolsonaro diante dos ataques promovidos por aliados de Eduardo Bolsonaro contra Michelle foi interpretado como uma escolha política. Mais do que uma disputa por espaço, o conflito evidencia a existência de dois projetos distintos dentro do universo bolsonarista: um mais familiar, ideológico e digital, liderado pelos filhos do ex-presidente; outro mais institucional, pragmático e eleitoral, que vê em Michelle a principal liderança capaz de ampliar o alcance da direita para além da militância mais radical. A republicação do vídeo de Anthony Garotinho, acompanhada da frase &#8220;a verdade de Jesus vai prevalecer&#8221;, mostra que Michelle também decidiu responder politicamente, ainda que de forma indireta.</p>
<p>O grande desafio para o bolsonarismo talvez nem seja administrar a crise doméstica, mas impedir que ela provoque uma divisão permanente entre dois públicos que até agora caminhavam juntos: o bolsonarismo raiz, fortemente conectado aos filhos de Jair Bolsonaro, e o conservadorismo mais amplo, que encontrou em Michelle uma liderança de perfil menos conflituoso e mais competitivo eleitoralmente. Se essa fissura se aprofundar, seus efeitos poderão ser sentidos muito além das convenções do PL, influenciando alianças, candidaturas e até o desenho da direita brasileira para 2026. Pela primeira vez desde que o bolsonarismo se consolidou como força política nacional, a principal disputa parece não ser contra os adversários externos, mas dentro da própria família que sempre simbolizou sua unidade.</p>
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		<title>Michelle destrona Flávio e mexe no tabuleiro bolsonarista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 11:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O pronunciamento feito por Michelle Bolsonaro nas redes sociais não foi apenas uma resposta a ataques internos ou uma manifestação de lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi, acima de tudo, um discurso político cuidadosamente construído, pensado nos detalhes, nos símbolos e, principalmente, nas mensagens que não precisaram ser ditas de forma explícita. Em poucos minutos, a ex-primeira-dama conseguiu reposicionar seu papel dentro do bolsonarismo e, de quebra, colocar em xeque as pretensões políticas daquele que muitos consideravam o herdeiro natural do movimento: o senador Flávio Bolsonaro.</p>
<p>O primeiro detalhe que chama atenção é a repetição quase litúrgica da palavra “marido”. Michelle não fala como candidata, nem como líder autônoma. Não reivindica protagonismo próprio. Ao contrário. Apresenta-se como alguém que recebeu uma missão e que a executa fielmente em nome daquele que continua sendo o centro gravitacional do bolsonarismo. Trata-se de um movimento inteligente. No universo político construído por Jair Bolsonaro, legitimidade não vem de sobrenome, partido ou cargo. Vem da proximidade e da fidelidade ao líder. E, nesse quesito, Michelle tratou de deixar claro quem fala em nome dele.</p>
<p>Ao abordar as divergências internas, a ex-primeira-dama também acertou o alvo sem precisar nominá-lo excessivamente. Ao contrapor valores e pragmatismo, estabeleceu uma linha divisória dentro do campo bolsonarista. Quando afirma que não trocará princípios por conveniências políticas, Michelle sugere que determinados atores, ainda que próximos do ex-presidente, teriam se afastado das bandeiras que impulsionaram a ascensão do movimento. É uma crítica elegante, mas devastadora. No imaginário bolsonarista, a maior acusação possível não é a incompetência, mas a infidelidade.</p>
<p>Os símbolos também tiveram papel central na encenação política. A estrela de Davi sobre a mesa, a referência à fé cristã, a menção a Jesus Cristo, o gesto em Libras representando “eu te amo” e a narrativa do perdão diante das traições compuseram um cenário cuidadosamente montado para dialogar com diferentes segmentos da base conservadora. Michelle vestiu, ao mesmo tempo, os figurinos de esposa dedicada, mãe cuidadora, mulher de fé e líder política. Não foi uma personagem improvisada. Foi a materialização da imagem que ela deseja consolidar junto ao eleitorado.</p>
<p>Outro aspecto relevante foi a construção da própria condição de vítima. Assim como Jair Bolsonaro transformou a facada de 2018 em um poderoso símbolo político, Michelle procurou estabelecer um paralelo emocional ao relatar as “apunhaladas” que teria recebido dentro da própria família política. Ao fazer isso, ela se coloca não apenas como guardiã da obra do ex-presidente, mas como alguém que também sofreu por defendê-la. É uma narrativa que fortalece vínculos afetivos com a militância e amplia seu capital político.</p>
<p>O resultado é que Michelle saiu do vídeo maior do que entrou. Sem anunciar candidatura, comportou-se como candidata. Sem declarar guerra, abriu uma disputa. Sem citar diretamente uma sucessão, lançou dúvidas sobre quem realmente possui condições de conduzir o bolsonarismo na ausência de Jair Bolsonaro. A mensagem transmitida foi simples: a herança política não é automática, tampouco hereditária. Ela pertence a quem demonstrar maior fidelidade ao líder e aos valores que ele representa.</p>
<p>Se essa era a intenção, o objetivo foi alcançado. Michelle mexeu no tabuleiro interno do bolsonarismo e alterou a correlação de forças dentro do PL. A partir de agora, qualquer projeto político que envolva Flávio Bolsonaro terá de enfrentar uma adversária que fala diretamente à base, domina a linguagem simbólica do movimento e, sobretudo, reivindica para si a condição de intérprete mais fiel da vontade de Jair Bolsonaro. As próximas cenas prometem ser decisivas. E, desta vez, o jogo parece estar apenas começando.</p>
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		<title>Comensais da República; crônica da semana por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 10:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A mão que afaga é a mesma que apedreja”. O verso de Augusto dos Anjos, escrito há mais de um século, atravessa o tempo para iluminar um dos mais antigos vícios da República brasileira. Nas mesas fartas do poder, onde o povo raramente é convidado a sentar, multiplicam-se os brindes discretos, os favores elegantes e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">“<strong>A mão que afaga é a mesma que apedreja</strong>”. O verso de Augusto dos Anjos, escrito há mais de um século, atravessa o tempo para iluminar um dos mais antigos vícios da República brasileira. Nas mesas fartas do poder, onde o povo raramente é convidado a sentar, multiplicam-se os brindes discretos, os favores elegantes e as amizades oportunas. O escândalo que emerge das relações entre Daniel Vorcaro e figuras influentes da política, do Judiciário e do sistema financeiro não revela apenas um caso isolado. Expõe um modo de funcionamento. Um hábito. Quase uma cultura.</p>
<p class="isSelectedEnd">Enquanto o trabalhador comum conta moedas para pagar a prestação da casa ou abastecer o carro, há uma aristocracia de cargos e gravatas que circula por hotéis luxuosos, voos privados, restaurantes exclusivos e festas regadas a uísques raros. Nada disso é oferecido por generosidade. O banqueiro não distribui favores por caridade, assim como o poder raramente concede atenção sem esperar algo em troca. A moeda dessa relação nunca foi o dinheiro; sempre foi a influência.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando os vínculos vêm à tona, entretanto, instala-se o teatro da inocência. Surgem os esquecimentos convenientes, as explicações improváveis e os discursos indignados de quem se julga vítima da própria exposição. Fingem surpresa diante do que todos sabiam. Fazem-se de distraídos diante do evidente. E o fazem porque conhecem o funcionamento da engrenagem: a proteção mútua dos que pertencem ao mesmo círculo, a certeza de que a indignação popular é intensa, mas passageira, e de que a impunidade costuma sobreviver aos escândalos.</p>
<p>O caso Master deveria ser maior que qualquer disputa ideológica. Não é uma questão de direita ou esquerda, governo ou oposição. É uma questão de decência pública. Quando a República se transforma em salão de privilégios, o prejuízo não é apenas financeiro; é moral. E talvez seja justamente isso que mais assuste. Porque o Brasil não sofre apenas com a corrupção dos cofres, mas com a corrosão dos valores. E uma nação pode reconstruir pontes, estradas e edifícios. Mais difícil é reconstruir a confiança quando ela se torna apenas mais um item do cardápio dos comensais do poder.</p>
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		<title>Recados e cascudos no STF; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 15:02:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O julgamento realizado nesta terça-feira pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal produziu um resultado importante: vencidos os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, o empresário Daniel Vorcaro e seu pai permanecerão presos, sem direito à prisão domiciliar. Mas, mais do que o resultado em si, chamou atenção a disputa de narrativas travada dentro do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">O julgamento realizado nesta terça-feira pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal produziu um resultado importante: vencidos os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, o empresário Daniel Vorcaro e seu pai permanecerão presos, sem direito à prisão domiciliar. Mas, mais do que o resultado em si, chamou atenção a disputa de narrativas travada dentro do plenário, com direito a recados diretos e indiretos, e até cascudos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Gilmar Mendes tentou mais uma vez reeditar o seu conhecido repertório antilavajatista. Durante anos, esse discurso encontrou eco em setores da política, da imprensa e até do próprio Judiciário. O problema é que o tempo passou. O repertório envelheceu. As músicas já não empolgam como antes e, para muitos brasileiros, soam cada vez mais cafonas. O país já conhece os erros cometidos pela Lava Jato, mas também conhece os excessos cometidos posteriormente na tentativa de transformar um dos maiores escândalos de corrupção da história nacional em algo próximo de uma ficção jurídica.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quem dominou o palco desta vez foi o ministro André Mendonça. Relator do caso, ele aproveitou o voto para enviar mensagens claras e inequívocas. A primeira delas foi a de que as investigações estão longe do fim. A segunda, talvez ainda mais significativa, foi a demonstração de que acompanha atentamente as movimentações que, segundo interlocutores do processo, tentam enfraquecer ou interromper as apurações. E a terceira foi um aviso ao próprio colegiado: os próximos capítulos tendem a aumentar a tensão dentro da Segunda Turma.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ao afirmar que não se presta a realizar “trabalhos abjetos” para obter delações e registrar que “não estamos falando da Lava Jato”, André Mendonça procurou estabelecer uma linha divisória entre os abusos que marcaram aquela operação e os fatos atualmente investigados. E, de fato, não estamos falando da Lava Jato. Mas também não se pode permitir que os erros daquela operação sirvam como escudo permanente para qualquer investigação que envolva suspeitas graves de corrupção e tráfico de influência.</p>
<p class="isSelectedEnd">O que torna o chamado escândalo do Banco Master especialmente explosivo é justamente a natureza das suspeitas investigadas. Não se trata apenas de questões financeiras ou empresariais. As apurações apontam para a possível cooptação de agentes públicos em posições estratégicas do Estado brasileiro. Entre os nomes que circulam nas investigações e nos bastidores, surgem referências até mesmo a integrantes do próprio Supremo. Se tais suspeitas forem confirmadas, estaremos diante de algo que ultrapassa os limites de um caso criminal comum e alcança o próprio coração das instituições.</p>
<p>Por isso, o julgamento desta semana talvez seja lembrado menos pela manutenção das prisões e mais pelo recado político e institucional deixado por André Mendonça. Enquanto alguns ainda insistem em tocar os velhos sucessos do antilavajatismo, o relator sinalizou que o foco agora está em outro lugar: na continuidade das investigações, na resistência às pressões e na busca por respostas para um caso que promete produzir muitos desdobramentos.</p>
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<p><em><strong>Ivandro Oliveira é jornalista e sócio-proprietário do TÁ NA ÁREA</strong></em></p>
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