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	<title>Arquivos Opinião - Tá na Área</title>
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	<description>Mais que notícia, informação!</description>
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		<title>A vitória do maior líder político da história contemporânea do Brasil; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 00:30:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) reafirma a dimensão de uma liderança que atravessa gerações e permanece no centro da política brasileira. Gostem ou não de Lula, é impossível compreender a história contemporânea do país sem reconhecer seu protagonismo. Mais do que uma vitória partidária, o resultado representa a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 16px;">A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) reafirma a dimensão de uma liderança que atravessa gerações e permanece no centro da política brasileira. Gostem ou não de Lula, é impossível compreender a história contemporânea do país sem reconhecer seu protagonismo. Mais do que uma vitória partidária, o resultado representa a força pessoal de um político que, mesmo depois de décadas de exposição, desgaste e embates, conseguiu novamente mobilizar o eleitorado e contrariar expectativas.</span></p>
<p>Foi uma eleição em que Lula e o PT precisaram se reencontrar com as ruas, recuperar a capacidade de mobilização e compreender um eleitorado que já não responde aos mesmos discursos do passado. A campanha exigiu reinvenção, inclusive no universo das redes sociais, um território historicamente pouco familiar ao presidente. Lula precisou sair da zona de conforto, renovar sua comunicação e construir uma reação eleitoral que culminou numa virada histórica. Venceu, sobretudo, por seus próprios méritos políticos.</p>
<p>As urnas, entretanto, também deixaram outro recado. O sentimento de mudança, manifestado já no primeiro turno e refletido na nova configuração do Congresso Nacional, não desapareceu. Mas, diante das alternativas apresentadas, prevaleceu a rejeição à possibilidade de que essa mudança viesse pelas mãos de outro Bolsonaro. O eleitorado demonstrou que desejar renovação não significa necessariamente aceitar qualquer projeto que se apresente como alternativa ao poder.</p>
<p>Lula sai dessa eleição com sua relevância histórica novamente evidenciada, mas também diante de uma responsabilidade que não conseguiu cumprir plenamente em seu retorno à Presidência: pacificar o país. O desafio agora vai além de governar. Será necessário reduzir a polarização, reconstruir pontes institucionais, dialogar com uma sociedade dividida e, principalmente, preparar uma sucessão política capaz de assegurar ao seu campo um futuro para além de sua própria figura. Nenhuma liderança, por maior que seja, consegue desafiar indefinidamente o tempo.</p>
<p>A vitória deste domingo, portanto, não deve ser interpretada como um cheque em branco, mas como uma nova oportunidade histórica. Lula terá de compreender que seu maior legado talvez não esteja em mais um mandato, mas na capacidade de preparar o Brasil para o momento em que já não estiver no centro da disputa política. Por enquanto, porém, as urnas reafirmaram uma relação singular entre um homem e a história de seu país. <strong>O Brasil é Lula. E Lula é o Brasil.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ivandro Oliveira é jornalista e especialista em Marketing Político</p>
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		<title>Sentimento de mudança deve falar mais alto neste domingo; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2026 01:41:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro (PL) deve ser eleito presidente da República neste domingo (25). Esse é o meu prognóstico para uma disputa que chega ao fim apertada, com possibilidade de decisão por um punhado de votos. O Datafolha aponta o senador com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (PT), em empate técnico. A pesquisa permite [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro (PL) deve ser eleito presidente da República neste domingo (25). Esse é o meu prognóstico para uma disputa que chega ao fim apertada, com possibilidade de decisão por um punhado de votos. O Datafolha aponta o senador com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (PT), em empate técnico. A pesquisa permite os dois resultados; minha leitura política, porém, aponta para a vitória do candidato do PL.</p>
<p>A meu ver, Lula e o PT cometeram um erro decisivo ao subestimar Flávio. Quando perceberam a dimensão do adversário, enfrentavam algo maior que a força do bolsonarismo: o sentimento de mudança. Lula disputa a Presidência desde 1989 e acumula três mandatos, além dos dois conquistados por Dilma Rousseff. Para quem deseja encerrar um ciclo, torna-se difícil enxergar renovação em uma liderança tão identificada com o poder.</p>
<p>Acompanhando de perto os números, em nenhum momento me convenci de que a recuperação de Lula produziria a virada. O que enxerguei foi um eleitorado dividido, mas com sinais de cansaço diante de um presidente com menos brilho político e uma imagem desgastada pelo tempo e pelos erros acumulados. Flávio encontrou espaço para reunir sua base, o voto contrário ao PT e parcelas da classe média: no levantamento de meados de outubro, tinha 55% entre os eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos, contra 40% de Lula.</p>
<p>A vantagem numérica mínima também tem efeito psicológico: retira da campanha petista o argumento do empate numérico e oferece ao senador uma posição ligeiramente mais confortável. Há ainda o comparecimento às urnas. A análise do Datafolha indica que Lula depende mais de eleitores que vivem longe de suas seções, enquanto Flávio mantém vantagem numérica entre aqueles que votaram no primeiro turno. Numa eleição tão estreita, essa diferença pode decidir o resultado.</p>
<p>Lula recuperou terreno, mas não demonstrou força suficiente para tornar a virada o desfecho mais provável. Flávio chega à votação sustentado por uma combinação de identidade política, rejeição ao governo e desejo de mudança. A urna dará a resposta definitiva, mas minha avaliação está feita: o senador deve vencer neste domingo. Se isso se confirmar, o PT terá de reconhecer que perdeu também para um sentimento de mudança que sua principal liderança já não conseguia representar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista e especialista em Marketing Político</em></strong></p>
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		<title>Entre a pesquisa e a urna, Flávio mantém a vantagem; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 14:54:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisa mede intenção; urna registra comparecimento. Essa diferença pesa numa disputa apertada, em que conquistar a preferência do eleitor é apenas parte do desafio: é preciso que ele saia de casa e vote. Em 2022, a abstenção passou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução pequena. O precedente recomenda cautela com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisa mede intenção; urna registra comparecimento. Essa diferença pesa numa disputa apertada, em que conquistar a preferência do eleitor é apenas parte do desafio: é preciso que ele saia de casa e vote. Em 2022, a abstenção passou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução pequena.</p>
<p>O precedente recomenda cautela com a expectativa de que os ausentes possam decidir a eleição em favor de Lula. Taxas semelhantes não significam necessariamente que as mesmas pessoas faltaram nos dois turnos, mas tampouco autorizam tratar esse contingente como uma reserva de votos disponível ao presidente. A virada depende também de conquistar eleitores de outros candidatos e preservar os próprios votos.</p>
<p>Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno à frente, entra nessa equação com uma vantagem concreta já demonstrada nas urnas. Por isso, há fundamento para avaliar que a disputa ainda lhe é favorável. Mas favoritismo depende de mobilização: até o dia 25, o desafio será transformar apoio declarado em voto depositado.</p>
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		<title>Dia do Médico: uma homenagem a quem fez do cuidado uma missão e da liderança um legado; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2026 12:29:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 2005, tenho o privilégio de trabalhar ao lado do Dr. Reginaldo Tavares de Albuquerque, com quem aprendi que a medicina, seja na saúde pública ou privada, vai muito além de uma profissão. É uma vocação, um verdadeiro sacerdócio, dedicado à mais nobre das missões: cuidar da vida e do próximo. Não tive a oportunidade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 2005, tenho o privilégio de trabalhar ao lado do Dr. Reginaldo Tavares de Albuquerque, com quem aprendi que a medicina, seja na saúde pública ou privada, vai muito além de uma profissão. É uma vocação, um verdadeiro sacerdócio, dedicado à mais nobre das missões: cuidar da vida e do próximo.</p>
<p>Não tive a oportunidade de testemunhar Dr. Reginaldo no exercício diário da medicina. Ainda muito cedo, ele foi chamado a uma outra missão: liderar médicos, construir caminhos e transformar o cooperativismo em instrumento de desenvolvimento e valorização profissional.</p>
<p>Foi um verdadeiro bandeirante do cooperativismo brasileiro. Desbravou o Norte e o Nordeste, semeou cooperativas, liderou instituições médicas e, posteriormente, de crédito, deixando marcas profundas e gravando seu nome na história do Sistema Unimed.</p>
<p>Neste Dia do Médico, minha homenagem, carregada de admiração, respeito e gratidão, a esse grande médico, visionário e líder incontestável do cooperativismo brasileiro. **Porque há médicos que salvam vidas com as próprias mãos. E há aqueles que, além disso, constroem legados capazes de transformar a vida de milhares de pessoas. Dr. Reginaldo pertence a essa história.</p>
<p>*Ivandro Oliveira é jornalista*</p>
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		<title>Resumo da sabatina da Globo: Flávio venceu; Lula sobreviveu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 12:25:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma sabatina presidencial não é apenas um teste de conhecimento, mas de estratégia e comunicação. O candidato precisa evitar erros graves, apresentar propostas, explorar as fragilidades do adversário e responder às perguntas. Na sabatina da Globo, conduzida com maestria por Renata Loprete, de quem sou fã desde os tempos de Folha, Lula (PT) sobreviveu, mas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma sabatina presidencial não é apenas um teste de conhecimento, mas de estratégia e comunicação. O candidato precisa evitar erros graves, apresentar propostas, explorar as fragilidades do adversário e responder às perguntas. Na sabatina da Globo, conduzida com maestria por Renata Loprete, de quem sou fã desde os tempos de Folha, Lula (PT) sobreviveu, mas Flávio Bolsonaro (PL) foi mais eficiente. E venceu o confronto.</p>
<p>O atual mandatário do País passou, digamos, por média, não protagonizou nenhum desastre, mas desperdiçou oportunidades. Com respostas longas e excessivamente contextualizadas, consumiu tempo precioso, apresentou poucas propostas e atacou pouco o adversário. Faltaram objetividade, frases de impacto e momentos capazes de repercutir nas redes sociais. Sua resposta sobre o Bolsa Família foi particularmente infeliz e abriu espaço para Flávio explorar o tema.</p>
<p>Flávio mereceu um ótimo, tipo nota 8. Entrou sabendo o que precisava fazer: defender a continuidade dos programas sociais, atacar Lula e transmitir mensagens diretas ao eleitor indeciso. Conseguiu cumprir esses objetivos, embora tenha deixado perguntas sem respostas, provocando cobranças incisivas da entrevistadora. Não foi brilhante, mas demonstrou maior disciplina estratégica e soube aproveitar melhor o tempo.</p>
<p>Moral da história: com panelaço e tudo, Flávio venceu. Lula saiu da sabatina sem grandes danos, mas também sem ganhos expressivos. Flávio conseguiu defender pontos vulneráveis, explorar fragilidades do adversário e produzir mensagens com potencial de repercussão. Na reta final de uma eleição, comunicação eficiente pode fazer diferença. Lula falou muito e pontuou pouco. Flávio foi mais objetivo e saiu ganhando.</p>
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		<title>Reconhecimento e veredito das urnas; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 15:09:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desfecho da eleição de 2026 na Paraíba começou muito antes de o Tribunal Regional Eleitoral totalizar os votos. A reeleição de Lucas Ribeiro (PP), já no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, e a eleição de João Azevêdo (PSB) para o Senado podem ser lidas como a expressão eleitoral de um sentimento construído [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O desfecho da eleição de 2026 na Paraíba começou muito antes de o Tribunal Regional Eleitoral totalizar os votos. A reeleição de Lucas Ribeiro (PP), já no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, e a eleição de João Azevêdo (PSB) para o Senado podem ser lidas como a expressão eleitoral de um sentimento construído ao longo dos últimos anos: a percepção, por uma parcela majoritária do eleitorado, de que o governo chegou à ponta. Não apenas por discursos, slogans ou peças publicitárias, mas por obras, programas e serviços que passaram a fazer parte do cotidiano de diferentes regiões do estado.</p>
<p>Foi esse inventário administrativo que chegou às urnas. O Polo Turístico Cabo Branco ganhou corpo; a Ponte do Futuro saiu do discurso para integrar a agenda concreta de infraestrutura; programas como Tá na Mesa e Opera Paraíba alcançaram milhares de pessoas; a saúde avançou em direção ao interior; novos equipamentos hospitalares foram implantados; e obras de mobilidade modificaram a paisagem da Região Metropolitana e de municípios do interior. As travessias urbanas talvez sejam uma das imagens mais simbólicas dessa estratégia: o asfalto chegando a cidades e comunidades que durante décadas pouco viram grandes investimentos estaduais. O próprio governo registra, entre seus projetos estruturantes, investimentos bilionários no Polo Turístico e centenas de milhões de reais em novas ligações rodoviárias e equipamentos de saúde.</p>
<p>É nesse contexto que se explica politicamente a votação das urnas. João Azevêdo apareceu para seus eleitores como o principal formulador e condutor desse ciclo administrativo, enquanto Lucas Ribeiro conseguiu apresentar-se como a continuidade de um projeto sem transmitir simplesmente a imagem de repetição. João recebeu 1.391.994 votos para o Senado. Lucas foi além na disputa pelo governo: 1.470.252 votos, alcançando 64,30% dos válidos e encerrando a eleição estadual no primeiro turno. São números que dão dimensão objetiva à força eleitoral alcançada pelo grupo governista.</p>
<p>Mas reduzir a vitória de Lucas exclusivamente à herança de João seria uma leitura incompleta. Ao assumir o governo e, depois, enfrentar sua primeira eleição para comandá-lo diretamente pelo voto, ele precisava construir identidade própria. Apostou na juventude, na presença física, no ritmo de agenda e na ideia de continuidade com renovação. Durante a campanha, procurou transmitir disposição no corpo a corpo e segurança nos debates, enquanto sua comunicação buscou associar sua imagem ao conceito de um governo em movimento. A campanha conseguiu, assim, transformar a continuidade administrativa em argumento eleitoral sem apagar a figura do candidato.</p>
<p>Há ainda um componente que merece atenção: campanhas majoritárias também são decididas pela capacidade de evitar erros. Lucas atravessou a disputa mantendo uma estratégia relativamente disciplinada, sustentada por uma estrutura política ampla, comunicação de governo e marketing eleitoral voltado à associação entre obras, resultados e futuro. Em vez de romper com o legado recebido, reivindicou-o e tentou acrescentar a ele sua própria identidade. O tamanho da votação sugere que essa mensagem encontrou ressonância expressiva entre os eleitores.</p>
<p>A eleição de 2026 deixa, portanto, uma fotografia política bastante clara da Paraíba daquele momento. O eleitorado não julgou apenas candidatos; julgou também um ciclo administrativo. E a maioria decidiu pela continuidade. João Azevêdo saiu das urnas para o Senado e Lucas Ribeiro permaneceu no Palácio da Redenção legitimado diretamente pelo voto. Mais do que uma simples transferência de capital político, o resultado mostra como obras, serviços públicos, alianças, comunicação e percepção de presença governamental podem convergir eleitoralmente.</p>
<p>No fim das contas, talvez esteja aí a principal explicação daquele 4 de outubro: antes de pedir continuidade nas urnas, o grupo governista trabalhou para construir uma narrativa de continuidade nas ruas. Quando as urnas foram abertas, essa percepção já estava formada. A eleição apenas a transformou em números.</p>
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		<title>A urna mudou o jogo; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 02:12:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eleição só termina quando acaba. Mas algumas coisas terminam antes da contagem final. O primeiro turno deixou duas evidências políticas: o lulismo que governou o país nos últimos quatro anos chegou ao limite de sua fórmula e o STF dificilmente atravessará o próximo ciclo político operando sob o mesmo grau de liberdade institucional e sem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-pm-slice="1 1 []">Eleição só termina quando acaba. Mas algumas coisas terminam antes da contagem final. O primeiro turno deixou duas evidências políticas: o lulismo que governou o país nos últimos quatro anos chegou ao limite de sua fórmula e o STF dificilmente atravessará o próximo ciclo político operando sob o mesmo grau de liberdade institucional e sem enfrentar uma cobrança muito maior por freios, limites e controles. Lula ainda pode vencer o segundo turno. Mas, mesmo que vença, terá pela frente um país politicamente diferente daquele que encontrou em 2023.</p>
<p>As entrevistas depois da apuração foram quase uma fotografia do momento. De um lado, Flávio Bolsonaro falando em mudança e no fim de um ciclo. Do outro, Lula prometendo derrotar o bolsonarismo. O petista parece não ter entendido o recado mais importante das urnas: esta eleição não gira apenas em torno de Bolsonaro. Gira em torno de mudança. Lula continua lutando contra o passado enquanto uma parcela expressiva do eleitorado parece discutir o futuro. E talvez esse seja seu maior adversário no segundo turno: não Flávio, não o marketing, não as redes sociais, mas a dificuldade de reconhecer que o Brasil de hoje já não responde aos mesmos comandos políticos de vinte anos atrás.</p>
<p>Enquanto o lulismo procura culpados e aposta novamente em medidas de forte apelo eleitoral, Flávio tenta ocupar justamente o espaço que pode decidir a eleição: o centro. Apresenta-se com um discurso menos estridente que o do pai e busca transformar o sentimento antipetista em algo maior: uma candidatura de mudança. E Brasília, como sempre, fareja rapidamente para onde sopra o vento. Apoios começam a aparecer, setores do Centrão se movimentam e políticos que ontem calculavam cada palavra agora recalculam suas posições. Na política brasileira, convicções costumam caminhar ao lado das pesquisas e, principalmente, das urnas.</p>
<p>O STF também recebeu seu recado. Não porque ministros estivessem na cédula, mas porque a atuação da Corte tornou-se parte central da disputa política brasileira. Uma ala importante do Supremo esteve durante anos no epicentro dos confrontos com o bolsonarismo e, agora, encontrará um Congresso fortalecido à direita e um debate renovado sobre prerrogativas, decisões monocráticas, impeachment de ministros e equilíbrio entre os Poderes. A Corte continuará exercendo suas competências constitucionais, evidentemente. O que parece muito menos sustentável politicamente é imaginar que a relação entre Supremo, Congresso e Executivo permanecerá exatamente como esteve até aqui.</p>
<p>Lula ainda está vivo na disputa. E eleição, vale repetir, só acaba quando termina. Mas seu relógio corre mais depressa. Ele precisa convencer o eleitor de que pode representar o futuro depois de ter passado boa parte da campanha defendendo o legado do passado. Flávio, por sua vez, precisa demonstrar que a palavra “mudança” significa algo além da troca de nomes no Palácio do Planalto. Seja qual for o resultado do segundo turno, porém, uma mensagem já saiu das urnas: Brasília mudou. Quem ainda não percebeu talvez seja justamente quem mais precisava perceber.</p>
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		<title>Supremo e o velório de si mesmo; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 19:01:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias em que uma instituição perde uma batalha. Há outros em que perde algo muito mais precioso: a autoridade moral diante da sociedade. O que o Brasil assistiu, ontem, foi, talvez, o episódio mais constrangedor da história do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte constitucional se desmoralizou diante da Nação de um jeito que nem o mais obstinado de seus detratores poderia desejar. Foi, metaforicamente, o velório do Supremo — e o mais impressionante é que o caixão parecia estar sendo carregado pelos próprios ministros.</p>
<p>A sessão que deveria examinar, com serenidade e rigor jurídico, se existem elementos para investigar Alexandre de Moraes transformou-se em uma sucessão de acusações, bate-bocas e disputas internas. Moraes acusou André Mendonça de agir para incluí-lo numa eventual delação de Daniel Vorcaro; Mendonça respondeu que era mentira; Gilmar Mendes entrou no confronto; outros ministros se digladiaram sobre procedimentos, suspeições e relatorias. A própria ministra Cármen Lúcia declarou estar em “profunda consternação e tristeza” e disse que o episódio provocava “um mal-estar cívico” no país.</p>
<p>A certa altura, a cena já não lembrava uma Corte Constitucional discutindo os limites do poder de seus próprios integrantes. Parecia uma reunião de grupos rivais disputando território. E esse talvez seja o aspecto mais devastador de tudo: não é preciso que um detrator do STF faça campanha contra o Supremo quando seus próprios ministros conseguem produzir, diante das câmeras, uma imagem tão corrosiva da instituição.</p>
<p>Também causa estranheza transformar Jair Bolsonaro, ora em prisão domiciliar, no personagem oculto capaz de explicar tudo o que está acontecendo. A ligação de André Mendonça com Bolsonaro é um fato — ele foi indicado pelo então presidente ao Supremo. Mas isso não responde às perguntas objetivas que estão sobre a mesa. Bolsonaro não obrigou Alexandre de Moraes a manter contato com Daniel Vorcaro, não o obrigou a se encontrar com o banqueiro e tampouco determinou a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro. A Polícia Federal encontrou mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes, além de registros de encontros e documentos relativos ao contrato. O relatório, porém, não contém integralmente eventuais respostas de Moraes, e a existência desses elementos, por si só, não prova irregularidade ou favorecimento. É justamente por isso que a investigação, se autorizada, serviria para esclarecer os fatos.</p>
<p>É aqui que mora a questão essencial: <strong>a mesma régua que vale para a plebe precisa valer para quem está sentado no mais alto tribunal do país</strong>. Não existe Estado de Direito quando o cidadão comum precisa explicar seus vínculos, contratos, mensagens e relações, enquanto integrantes do Poder que deveria fiscalizar a aplicação da lei ficam protegidos por uma espécie de círculo de imunidade institucional.</p>
<p>Se, ao final de toda essa história, o Supremo decidir simplesmente não investigar Moraes, sem permitir que as questões objetivas levantadas pelos documentos sejam devidamente esclarecidas, a crise será muito maior do que a de um ministro. Será uma crise de credibilidade da própria Corte. E o STF corre o risco de deixar de ser percebido por parcela da sociedade como um Poder da República para passar a ser visto como uma extensão do escritório de advocacia da família do ministro — e de sabe-se lá mais quem. Essa percepção pode ser injusta, mas é precisamente por isso que uma instituição republicana precisa permitir que os fatos sejam esclarecidos com transparência e independência.</p>
<p>O pedido de vista de Flávio Dino adiou a conclusão do julgamento. Na prática, a tropa de choque do Supremo fez duas coisas nesta terça-feira: <strong>deu tempo a Alexandre de Moraes e tirou tempo do Brasil</strong>.</p>
<p>O problema é que instituições não vivem apenas de decisões judiciais. Vivem também de confiança. E confiança não se impõe por votos, toga ou autoridade. Conquista-se pela coerência, pela transparência e, sobretudo, pela capacidade de aplicar a si mesma a mesma lei que aplica aos outros.</p>
<p>O Supremo ainda pode interromper essa marcha rumo ao descrédito. Mas isso exige uma coisa que faltou em boa parte da sessão desta terça-feira: menos corporativismo, menos acusações cruzadas e mais disposição para deixar que os fatos falem. Porque, quando a própria Corte parece ter perdido a serenidade para investigar seus integrantes, quem termina no banco dos réus não é apenas um ministro.</p>
<p>É a credibilidade da instituição.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Toga diante do espelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 14:43:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há crises que chegam fazendo barulho. Outras começam em silêncio, acumulando sombras nos corredores, portas fechadas, documentos que não se deixam ler e perguntas que ninguém parece disposto a responder. A mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal em mais de 130 anos talvez seja justamente assim: não nasceu de um único estampido, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há crises que chegam fazendo barulho. Outras começam em silêncio, acumulando sombras nos corredores, portas fechadas, documentos que não se deixam ler e perguntas que ninguém parece disposto a responder. A mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal em mais de 130 anos talvez seja justamente assim: não nasceu de um único estampido, mas de uma sucessão de ruídos abafados. Nesta semana, ao sair de uma longa meditação, Edson Fachin tentou interromper o bangue-bangue. Mas há momentos em que o silêncio acumulado pesa mais do que qualquer tiro — e já não basta pedir calma quando a própria instituição parece ter perdido o compasso.</p>
<section>Entre as medidas anunciadas, uma pode abrir uma fresta de luz num quarto mantido escuro por quase oito anos: retirar de Alexandre de Moraes a condução do inquérito das fake news e admitir a possibilidade de tornar públicos seus procedimentos derivados. Se isso acontecer, talvez não seja apenas o conteúdo de papéis que venha à tona, mas a anatomia de uma época. Mais de cem procedimentos, muitos deles secretos, poderão revelar como uma exceção jurídica se transformou em método, como uma investigação concebida sob o argumento de proteger a Corte acabou se tornando uma espécie de labirinto no qual os próprios limites foram sendo redesenhados enquanto se caminhava.Há algo de trágico nessa história. O Supremo nasceu para ser o lugar onde o poder encontra a lei. Agora, é a própria Corte que precisa ser examinada pela luz daquilo que ensina aos outros. Durante anos, heterodoxias foram toleradas em nome de uma urgência maior — a defesa da democracia. Talvez tenha sido necessário atravessar terrenos extraordinários para enfrentar ameaças extraordinárias. Mas toda excepcionalidade carrega dentro de si uma pergunta que um tribunal constitucional jamais pode esquecer: quem vigia o vigia? Quando a porta da exceção permanece aberta por tempo demais, o provisório começa a parecer permanente, e a defesa da democracia pode terminar produzindo uma instituição que já não aceita ser escrutinada por ela.</p>
<p>O mais doloroso, porém, não está nos corredores do Supremo, mas do lado de fora deles. Está na rua, na boca de brasileiros e brasileiras que querem, por direito, respostas claras, objetivas e convincentes de alguns dos seus já não tão ilustres membros.</p>
<p>Ivandro Oliveira é jornalista .</p>
</section>
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		<title>O que está ruim pode piorar; por Ivandro Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 01:35:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ivandro Oliveira]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="isSelectedEnd">O Brasil entrou numa grave crise institucional — e tudo indica que ela ainda pode piorar. Nas aparências, o novo capítulo surgiu com o conteúdo dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de comandar uma organização criminosa. O material revelado levanta questionamentos extremamente graves sobre as relações do banqueiro com autoridades do mais alto escalão da República, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, um dos homens mais poderosos do Supremo Tribunal Federal. A suspeita de que um ministro da Suprema Corte possa ter atuado de forma tão próxima aos interesses de um empresário acusado de fraudes já seria, por si só, devastadora.</p>
<p class="isSelectedEnd">A situação se tornou ainda mais intragável pela reação das próprias instituições. O STF não demonstrou, até agora, a disposição que a gravidade do caso exigiria, enquanto a Procuradoria-Geral da República questionou a atuação do ministro André Mendonça que resultou na coleta dos dados que alimentaram as suspeitas. Agora, a eventual abertura de investigação sobre Moraes poderá ser decidida pelo próprio plenário do Supremo. É um daqueles casos em que a Corte parece não ter boas opções: se nada fizer, aprofundará a percepção de corporativismo; se investigar, reconhecerá que existem elementos graves o suficiente para colocar um de seus integrantes sob escrutínio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas a crise é maior do que Moraes, Toffoli ou o Banco Master. O que está em jogo é a percepção de uma perigosa proximidade entre grandes interesses econômicos, poder político e instituições que deveriam funcionar com absoluta independência. Quando decisões e relações entre integrantes dos Poderes passam a ser vistas pela sociedade como parte de acordos de conveniência, a confiança pública começa a ruir. E sem confiança, nenhuma democracia funciona plenamente.</p>
<p class="isSelectedEnd">O mais preocupante é que esse ambiente alimenta a sensação de que existem cidadãos e grupos que estão acima das regras aplicadas ao restante da sociedade. Pouco importa, nesse momento, quem será absolvido ou responsabilizado ao final das investigações. O estrago institucional já está feito quando milhões de brasileiros passam a acreditar que o sistema protege os poderosos e funciona de maneira diferente conforme o nome envolvido.</p>
<p class="isSelectedEnd">É assim que uma crise política se transforma em uma crise de legitimidade. O sentimento de indignação cresce, a descrença se espalha e surge algo ainda mais perigoso: o nojo diante das instituições e daqueles que deveriam representá-las. Quando a sociedade deixa de acreditar que Justiça, Congresso e Executivo são capazes de impor limites a seus próprios integrantes, abre-se espaço para o descrédito, para o radicalismo e até para a desobediência às próprias regras democráticas.</p>
<p>Por isso, o Brasil precisa de respostas — não de silêncio, corporativismo ou acordos de bastidores. Se existem indícios, que sejam investigados; se não existem crimes, que isso seja demonstrado com transparência. O que não pode acontecer é a República assistir passivamente à destruição de sua própria credibilidade. Porque governos passam, ministros passam, empresários passam. <strong>Mas quando uma sociedade perde a confiança nas instituições, reconstruí-la pode levar uma geração inteira.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ivandro Oliveira é jornalista</em></strong></p>
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