Política

João Azevêdo pode desfalcar ato em Monteiro por temer que Ricardo transforme evento em mobilização contra Bolsonaro e pelo ‘Lula livre’

27 de agosto de 2019

Receoso de que a mobilização ‘SOS Transposição’, organizada para o próximo domingo, dia 1º de setembro, em Monteiro, seja transformada em mais um ato da malfadada ‘resistência’ em defesa do relutante ‘Lula livre’, o governador João Azevêdo (PSB) pode ser um dos desfalques do evento. Não bastasse a ‘guerra fria’ no partido ao qual está filiado, nos bastidores, corre a informação de que o governador não quer dar palanque ao antecessor, sobretudo na presumível certeza de que Ricardo Coutinho possa aproveitar o ato para fustigar ainda mais o governo do presidente Jair Bolsonaro, de quem tanto João Azevêdo precisa para dar sequência a obras e ações importantes de sua administração.

Mas não será apenas João Azevêdo que pode desfalcar o evento. Outros governadores nordestinos ensaiam a mesma disposição, pois não querem esticar a corda com o Governo Federal. Além disso, comenta-se que apenas meia dúzia de deputados estaduais estejam presentes, sem contar a pouca ou nenhuma disposição da bancada federal. O deputado federal Gervásio Maia Filho e o senador Veneziano Vital seriam as honrosas presenças.

A maior prova de que as lideranças políticas começam a esvaziar o evento foi uma recente reunião organizada por Ricardo Coutinho, em Monteiro. Dizem, na região, que os prefeitos e lideranças locais estariam sendo desmotivados a não marcarem presença no evento.

Em entrevista à imprensa local, o presidente da Fundação João Mangabeira confirmou a presença de Guilherme Boulos, candidato derrotado do Psol na última eleição presidencial, e o petista Fernando Haddad, outro derrotado, recentemente condenado a  a quatro anos e seis meses em regime semiaberto pelo juiz Francisco Shintate, de São Paulo, que considerou o petista com “culpabilidade extremamente elevada” na denúncia de caixa 2 na campanha à Prefeitura de São Paulo em 2012, na qual foi eleito. A Promotoria aponta o valor de R$ 2,6 milhões em recursos negociados ilegalmente entre Haddad e a UTC Engenharia, que teriam sido maquiados nas contas de campanha com notas fiscais de gráficas. A condenação cabe recurso.

Outro nome é da deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, denunciada no processo do ‘quadrilhão’ petista, juntamente com o seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, cujo teor aponta um recebimento de R$ 1,48 bilhão em propinas.

Em vídeo divulgado na internet, Gleisi convoca à população a se unir contra o que chamou de “política de destruição do governo Bolsonaro e pela efetivação das obras da transposição do Rio São Francisco.” Sem citar os problemas apontados por diversas auditorias, a exemplo da qualidade suspeita das edificações e o próprio superfaturamento da obra, cujo custo, ao seu término, deve saltar de pouco mais de R$ 2 bilhões para cerca de R$ 20 bilhões, Gleisi joga tudo na conta do atual presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Confira vídeo reproduzindo a partir do canal do ParaíbaJá no Youtube:

O ato que pode transformar uma justa mobilização em favor da continuidade das obras da transposição do Rio São Francisco em mais um deletério movimento da ‘resistência lulopetista’ está sendo capitaneado por ninguém menos que o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, ferrenho crítico de Jair Bolsonaro.

Sobre a obra – As obras do eixo norte da transposição do Rio São Francisco estão 97% concluídas e as águas deverão chegar ao reservatório de Jati, no Ceará, no segundo semestre de 2019, segundo o Governo Federal. Já o eixo leste, que atenderá à região de Campina Grande, na Paraíba, e municípios do agreste pernambucano, está 97,6% concluído, e também deve ser totalmente finalizado em breve.