Política

Ex-assessora da PGE presa multiplicou patrimônio, comprou carros de luxo, sítio em Santa Terezinha e recebeu Livânia com malotes às vésperas da eleição

02 de maio de 2019

O milagre da multiplicação dos pães, descrito nos evangelhos sinóticos da Bíblia pode ter inspirado a ex-servidora da Procuradoria Geral do Estado, Maria Laura Caldas Almeida Carneiro, presa na última terça-feira (02), na quarta fase da Operação Calvário, que com uma remuneração de cerca de R$ 3 mil, de forma surpreendente, conseguiu multiplicar patrimônio, comprar carros de luxo, imóveis, inclusive um rural (sítio), localizado no assentamento Nego Fubá, no município de Santa Terezinha, interior paraibano. Segundo investigadores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE), às vésperas da eleição do ano passado,  final do mês de setembro, a ex-secretária Livânia Farias , por duas vezes esteve no sítio com dois malotes, lacrados com cadeados, se dirigindo logo para o quarto da casa de Maria, onde as duas ficaram por cerca de uma hora.

Segundo consta na decisão judicial, apontada como caixa da organização criminosa, Maria Laura teria ligação direta com a ex-secretária de Administração, Livânia Farias, e o ex-procurador geral, Gilberto Carneiro. Uma testemunha, que voluntariamente procurou o Ministério Público Estadual, informando ter trabalhado como caseiro de Maria Laura por um ano, trouxe informações relevantes às investigações. Segundo a testemunha, Maria Laura teria adquirido um imóvel rural (sítio), localizado no assentamento Nego Fubá, no município de Santa Terezinha, interior paraibano. Para o Ministério Público, o imóvel supera a capacidade de investimento da investigada.

Ainda conforme a testemunha, Maria Laura já teria recebido por algumas vezes no sítio a ex-secretária Livânia Farias. “(…) que já viu Livânia Farias 02 vezes no sítio em Catingueira; que as duas vezes foram na mesma semana; que foi mais ou menos duas semanas antes da eleição; que ela chegou com dois malotes”, disse a testemunha ao Ministério Público. “(…) Ela chegou com os malotes e entrou na casa com eles; que foram para o quarto de Laura; que ficaram cerca de uma hora dentro do quarto”, completou a testemunha.

Carros de luxo como um Jeep Cherokee, uma Fiat Toro, uma Pajero Full, provavelmente adquiridos com dinheiro da ORCRIM, também eram vistos constantemente na propriedade rural. Segundo a testemunha, “ouviu Laura dizer que comprou a Pajero Full e deu a Ricardo Madruga – suposto amante de Laura”, disse a testemunha.

Outra testemunha também ouvida pelo MPPB, confirmou o suposto relacionamento amoroso entre Maria Laura e Ricardo Madruga. “(…) que já o viu (Ricardo Madruga) em uma Pajero Full; que nunca o viu em outros carros; que segundo Laura o carro foi dado de presente; que eles (Laura e Ricardo) iam juntos para o sítio e ficavam bebendo; que já ouviu Laura dizer que já transferiu dinheiro para a conta dele; que dava a entender que Laura dava de tudo para ele; muitas vezes ele indo embora e ela dando dinheiro; que ela chegou a comprar roupa de caçador para ele e uma espingarda; que era visível que só gastava com ele; que ele não gastava nada; que ele era uma pessoa que tinha dinheiro, que acredita que era bem sucedido porque era secretário de finanças do Conde, mas que era Laura que sempre gastava tudo (…)”.