Uma doação de R$ 2 milhões ao MDB da Paraíba, feita pelo advogado mineiro Fabiano Silveira, chama atenção — e não apenas pelo valor. Até agora, é a maior contribuição identificada para as eleições deste ano no Estado.
A pergunta é inevitável: por que um advogado de Minas Gerais decidiu destinar tamanha quantia justamente ao MDB paraibano? O que há por trás de tanta benevolência?
O caso ganhou repercussão em Brasília. O deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ) pediu ao TCU informações sobre os processos em que Fabiano Silveira atua ou atuou como advogado e quer saber se algum deles passou pelo ministro Vital do Rêgo, atual presidente da Corte e irmão do senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente do MDB paraibano e candidato à reeleição.
O pedido também questiona se houve eventual declaração de impedimento ou suspeição do ministro.
É importante dizer: a doação, por si só, não prova qualquer irregularidade. Mas, diante do valor, da relação política e da atuação profissional do doador em Brasília, a coincidência é grande demais para passar despercebida.
Fabiano Silveira não é um desconhecido. Já foi ministro da Transparência no governo Michel Temer e integrou o CNMP e o CNJ. Portanto, conhece — e muito bem — os caminhos do poder em Brasília.
E fica a pergunta que não quer calar:
O que leva um advogado mineiro a investir R$ 2 milhões no MDB da Paraíba?
Generosidade política? Relação pessoal? Interesse profissional? Ou simplesmente uma aposta eleitoral?
Não há nada de errado em fazer uma doação legal. Mas, quando o cheque tem sete zeros, a sociedade tem todo o direito de perguntar.
E quem recebe, de explicar.




