Picanha e cerveja barata ainda não chegaram na mesa do brasileiro

Foto: @ricardostuckert

Durante a campanha presidencial de 2022, o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou em símbolo popular uma promessa que rapidamente ganhou força entre eleitores: a de que o brasileiro “voltaria a comer churrasquinho, picanha e tomar uma cervejinha”. A declaração foi feita em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em 24 de agosto daquele ano, e se consolidou como um dos principais slogans da campanha petista.

Passados 1.335 dias desde a afirmação — já com quase 44 meses de governo —, os indicadores de preços mostram um cenário mais complexo para o consumo desses itens. Dados recentes apontam que a inflação acumulada desde janeiro de 2023 já supera 17%, impactando diretamente o poder de compra da população.

Produtos associados ao consumo popular citado por Lula registraram aumentos relevantes. Entre janeiro de 2024 e março de 2026, por exemplo, cortes de carne bovina tiveram alta expressiva: a picanha subiu 12%, o contrafilé avançou 26%, o acém teve aumento de 31,8% e o músculo, 25,7%, segundo levantamento do Farmnews. No mesmo período, a cerveja ficou, em média, 25% mais cara em supermercados e bares.

Outro indicador que chama atenção é o preço da arroba do bezerro, que ultrapassou pela primeira vez a marca dos R$ 500 em abril deste ano — um recorde histórico, superando o pico anterior registrado em 2021, durante a pandemia.

A promessa feita em 2022 — “O povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha” — tornou-se um marco simbólico do discurso eleitoral. Em 2026, no entanto, o tema não tem sido retomado com a mesma ênfase pelo presidente.

O contraste entre a expectativa criada na campanha e o comportamento atual dos preços evidencia os desafios econômicos enfrentados pelo governo, especialmente no que diz respeito à inflação de alimentos e ao custo de vida da população.

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