Flávio segue cartilha do pai e emplaca ‘agenda’ religiosa

Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Benjamin Netanyahu se encontram em Israel — Foto: Redes sociais / Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem deixado cada vez mais evidente que seguirá a cartilha política que ajudou a eleger e consolidar o capital eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. A mais recente demonstração dessa estratégia foi a ênfase no simbolismo religioso durante viagem a Israel, incluindo um banho no Rio Jordão — local historicamente associado ao batismo de Jesus Cristo e de forte apelo junto ao eleitorado cristão.

O gesto não é aleatório. Trata-se de uma comunicação cuidadosamente calculada para dialogar com a base evangélica, segmento que, nas últimas eleições, mostrou-se um dos mais leais ao bolsonarismo. Ao reforçar a conexão com valores religiosos e com a simbologia da “terra santa”, Flávio tenta reavivar elementos que foram decisivos na consolidação de um eleitorado mobilizado por pautas conservadoras e identitárias.

A estratégia remete diretamente ao roteiro político do pai. Jair Bolsonaro sempre explorou com habilidade o discurso de defesa da família, da liberdade religiosa e de uma suposta ameaça aos valores cristãos. O batismo simbólico no Rio Jordão, inclusive, foi utilizado pelo ex-presidente em 2016, num movimento que marcou sua aproximação pública com lideranças evangélicas e ampliou seu alcance junto a igrejas neopentecostais.

Ao repetir o gesto, Flávio Bolsonaro sinaliza continuidade. Em um cenário político polarizado, onde a disputa pelo voto conservador é intensa, a reafirmação da identidade religiosa funciona como instrumento de fidelização. O cálculo é claro: manter aquecida uma base que tende a votar de forma coesa quando se sente representada em seus valores morais.

No entanto, a estratégia também levanta questionamentos. Até que ponto a instrumentalização de símbolos religiosos fortalece o debate público ou apenas aprofunda divisões? Ao misturar fé e campanha, o risco é transformar manifestações pessoais de crença em peças de marketing eleitoral, tensionando ainda mais a fronteira entre religião e política.

Independentemente das críticas, o movimento de Flávio Bolsonaro indica que o bolsonarismo continua apostando na força do discurso identitário e religioso como eixo central de mobilização. Em tempos de redes sociais e narrativas simbólicas, imagens falam alto — e um mergulho no Rio Jordão pode valer mais do que longos discursos quando o objetivo é reforçar pertencimento e lealdade eleitoral

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