A federação formada por União Brasil e Progressistas (União Progressista) caminha para não oficializar apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Sem consenso para uma aliança nacional, a tendência é que os diretórios estaduais tenham autonomia para definir os palanques e os candidatos que irão apoiar em cada estado durante as eleições.
Nos bastidores, dirigentes atribuem a mudança de cenário ao desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e lideranças da federação, somado à pressão de parlamentares, principalmente do Nordeste, que defendem uma posição de neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto. A avaliação é de que uma decisão nacional poderia comprometer estratégias eleitorais em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte influência política.
O distanciamento entre o Progressistas e o senador ganhou força após a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, na investigação envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Integrantes do partido afirmam que Ciro esperava uma manifestação pública de solidariedade por parte de Flávio Bolsonaro, o que não aconteceu. Antes desse episódio, chegou a ser cogitada a possibilidade de Nogueira integrar uma eventual chapa presidencial como candidato a vice.
Outro fator que ampliou o desconforto ocorreu nesta semana com a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), aliado político de Flávio Bolsonaro e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Canella foi detido durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, após um fuzil ser encontrado no porta-malas de seu veículo.
Em depoimento à Polícia Federal, Canella afirmou que a arma era utilizada por um policial militar responsável por sua segurança. A investigação, entretanto, aponta que o ex-prefeito não apresentou provas que confirmassem essa versão. Assim como ocorreu no episódio envolvendo Ciro Nogueira, dirigentes do União Brasil também aguardavam uma manifestação pública de Flávio Bolsonaro em defesa do aliado, mas ela não ocorreu.
Diante desse cenário, a União Progressista deve adotar uma estratégia de neutralidade na disputa presidencial, preservando a unidade da federação em nível nacional e concedendo liberdade para que os diretórios estaduais construam alianças de acordo com as realidades políticas de cada região. A decisão busca reduzir desgastes internos e ampliar a margem de negociação das siglas nos estados.




