Opinião

Edme Tavares e a obra transcendental do maior benfeitor de Cajazeiras

22 de maio de 2019

A obra transcendental de Edme Tavares

Por Ivandro Oliveira

 

A terra que ensinou a Paraíba a ler assinala mais um importante capítulo de sua história nesta sexta-feira (24). Com todas as pompas e circunstâncias, a instalação da Academia Cajazeirense de Artes e Letras materializa o sonho de um ilustre personagem cuja obra teima em transcender o tempo e o próprio espaço.

Deputado estadual por três mandatos consecutivos, no período de 1970 a 1982, e deputado federal por duas legislaturas, no período de 1983 a 1990, tendo participado, inclusive, da Assembléia Nacional Constituinte como presidente da Comissão de Ordem Social, sendo um dos responsáveis pela elaboração da Constituição Federal de 1988, Edme Tavares de Albuquerque, de saudosa memória, é daqueles nomes cuja obra foi imortalizada por um grande legado à serviço de gerações pretéritas, presentes e futuras.

A Academia Cajazeirense de Artes e Letras (Acal), sonho de um filho que dedicou uma vida inteira por sua terra, é  a testificação mais eloquente da história que permanece viva nas mentes e corações de cajazeirenses e cajazeirados do maior benfeitor da terra do padre Rolim.

Sem adentar nos méritos de uma enquete produzida por um veículo de comunicação do sertão, dourar a ‘pílula’ do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), reconhecendo-o como ‘grande realizador’ de Cajazeiras é um atentado a história e um acinte a memória de um povo que nunca foi afeito a meias verdades ou mentiras completas. Nada contra o ex-governador, que tem seus méritos como alguém que governou a Paraíba por oito anos e que, certamente, também tem o seu espólio de benfeitorias, mas desconhecer o ‘inventário’ de Edme Tavares é uma negação da própria história de Cajazeiras e do sertão paraibano.

Aliás, é comum ouvirmos que mentira tem perna curta. Certamente você já ouviu ou falou isso em um determinado momento. Mas tão curta quanto a perna da mentira é a memória do brasileiro. Coincidência ou não, um dia antes da homenagem que será feita ao ex-governador, àqueles que mantém viva a chama da história dão luz a um dos últimos sonhos do maior benfeitor de Cajazeiras.

Numa noite festiva, mas, também, de tantas recordações, a Academia Cajazeirense de Artes e Letras será instalada em memória e reverência à trajetória de quem, mesmo sem mandato, sempre fez bem ao seu povo e a sua gente, e cuja ação política foi responsável pelas principais conquistas da região sertaneja.

Graças a Edme, por exemplo,  mais de 40 cidades sertanejas foram contempladas com ações e serviços dos governos federal e estadual, com destaque para construção de escolas, postos de saúde, hospitais, estradas, dentre outros inúmeros benefícios. A redução no tempo de aposentadoria do trabalhador rural é outra iniciativa parlamentar de Edme Tavares.

Não fosse o bastante, é do ex-deputado, também, a conquista da Escola Técnica Federal de Cajazeiras, hoje convertida em IFPB, instituição cujos inegáveis benefícios se fazem sentir desde sua criação e que tendem a se multiplicar a curto e médio prazo com abrangência estendida à realização de cursos superiores nas áreas de Ciência e Tecnologia.

Essas e outras ações e iniciativas Edme Tavares alguém transcendental, um semeador de sonhos, compositor de feitos inesquecíveis e inesgotáveis, e um homem à frente do seu tempo, que deixou um legado de retidão na vida pública, grandes realizações e uma imensa folha de serviços prestados aos paraibanos, especialmente os da região sertaneja, que ele, de modo muito especial, costumeiramente assim declamava em seus discursos: “Cajazeirenses, meus conterrâneos”.

E se o homem “é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”, como um dia acentuou o sofista Protágoras, Edme Tavares é o protagonista de uma obra imaterial e muito maior que qualquer reconhecimento periférico. Em suas ultimas palavras, na despedida da Câmara dos Deputados, em 1990, assim entoou:

– Meus Conterrâneos, sejam todos vocês muito felizes. Já vou indo, na esperança da precisão do meu novo salto. Sou hoje um homem-pássaro que acredita no seu vôo. É o trapézio da vida. Já vou indo, meus conterrâneos, para ficar mais perto de um novo horizonte que a mão de Deus me conduzir.

Vida longa a Acal! Longa vida à obra imaterial de Edme Tavares de Albuquerque!