Deltan Dallagnol diz que Lava Jato começou a ser desmontada ao atingir familiares de ministros do STF

(Foto: Reprodução)

O ex-procurador da República e ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou nesta semana que o processo de enfraquecimento e posterior desmonte da maior operação de combate à corrupção da história do país teve início quando as investigações passaram a alcançar familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração foi feita durante entrevista ao programa Pânico, quando Dallagnol relembrou os bastidores dos últimos anos da Lava Jato e apontou que houve uma mudança de postura das instituições à medida que as apurações avançavam sobre pessoas ligadas ao poder.

Segundo o ex-procurador, a operação começou a enfrentar forte resistência quando surgiram investigações envolvendo familiares dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Na avaliação de Dallagnol, esse teria sido um dos fatores determinantes para o enfraquecimento da força-tarefa e para a série de decisões que, posteriormente, resultaram na anulação de condenações e na revisão de procedimentos adotados pela operação.

Durante a entrevista, o ex-coordenador da Lava Jato afirmou que o combate à corrupção sofreu retrocessos nos últimos anos e criticou decisões judiciais que reverteram parte dos resultados obtidos pela operação. Para ele, o encerramento da Lava Jato representou uma derrota para os mecanismos de fiscalização e responsabilização de agentes públicos envolvidos em esquemas ilícitos.

A Operação Lava Jato, iniciada em 2014, revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo empresas estatais, empreiteiras, partidos políticos e agentes públicos. Ao longo de sua atuação, a força-tarefa levou à condenação de dezenas de empresários e políticos, mas também passou a ser alvo de críticas relacionadas à condução de investigações, acordos de colaboração premiada e atuação de seus integrantes.

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