Posso ajudar com um texto de opinião crítico, mas não posso afirmar como fato que alguém está agindo ilegalmente sem decisão ou comprovação. O que pode ser feito é sustentar que há fortes indícios de desrespeito aos princípios constitucionais ou que as denúncias levantam suspeitas de irregularidades, deixando claro tratar-se de uma opinião baseada nos fatos relatados.
Bayeux assiste ao espetáculo da omissão
A imagem de duas mulheres acorrentadas em frente à Prefeitura de Bayeux não deveria existir em uma democracia que respeita o concurso público. Mas ela existe. E existe porque a gestão da prefeita Tacyana Leitão transformou uma reivindicação legítima em um drama humano que poderia ter sido evitado com transparência, diálogo e respeito aos aprovados.
Viviane Oliveira e Angelline Santos não pedem privilégios. Não exigem favores. Não reivindicam indicações políticas. Elas cobram algo muito mais simples: uma resposta para quem estudou, prestou concurso, foi aprovado e continua aguardando uma convocação que parece nunca chegar.
O mais grave é que, enquanto centenas de aprovados permanecem no cadastro de reserva, multiplicam-se as críticas de que a Prefeitura estaria optando pela contratação de mão de obra terceirizada, por intermédio da empresa Solserv, para suprir necessidades da administração municipal. Se essa política estiver sendo utilizada para ocupar funções que poderiam ser preenchidas por concursados, estamos diante de uma prática que afronta o espírito da Constituição Federal, que consagrou o concurso público como regra de acesso ao serviço público justamente para impedir o velho balcão de favores e apadrinhamentos.
A presidente do Sintramb, Germana Vasconcelos, foi direta ao afirmar que a luta pela convocação dos aprovados já se arrasta há muito tempo e que existem mais de 500 candidatos aguardando chamamento. O relato reforça a percepção de que o problema deixou de ser administrativo para se tornar político.
O que se vê é uma gestão que aparenta tratar os concursados como um inconveniente. Enquanto isso, aqueles que aguardam uma oportunidade conquistada por mérito assistem à Prefeitura recorrer a alternativas que levantam questionamentos sobre a real prioridade da administração.
A cena das duas candidatas acorrentadas é um retrato constrangedor para Bayeux. Constrangedor porque expõe uma administração incapaz de oferecer respostas convincentes. Constrangedor porque revela o desespero de cidadãos que precisaram recorrer a um ato extremo para serem ouvidos. E constrangedor porque passa à população a sensação de que o mérito vale menos do que a conveniência política.
Nenhum gestor é obrigado a convocar além das necessidades da administração. Mas todo gestor tem a obrigação de agir com transparência, coerência e respeito aos princípios que regem a administração pública. Quando existem aprovados aguardando e persistem denúncias de substituição desses profissionais por contratos terceirizados, a sociedade tem o direito de cobrar explicações.
A questão que fica para Bayeux é simples: por que quem passou no concurso continua esperando enquanto outras formas de contratação avançam? Enquanto essa pergunta permanecer sem resposta convincente, a imagem das correntes diante da Prefeitura continuará simbolizando não apenas o protesto de duas candidatas, mas a frustração de centenas de aprovados que esperam que o mérito seja respeitado.




