Contando as horas para abertura do Maior São João do Mundo, Campina Grande mergulha em apagão administrativo e enfrenta onda de greves

Enquanto os holofotes se voltam para a abertura da programação do Maior São João do Mundo, nesta quarta-feira (4), Campina Grande vive uma realidade bem diferente dos palcos e das festas. A cidade enfrenta um verdadeiro apagão administrativo sob a gestão do prefeito Bruno Cunha Lima (UB), marcado pela insatisfação crescente dos servidores públicos e pela paralisação de categorias essenciais.

Após assembleia realizada nesta terça-feira (3), convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste e da Borborema (Sintab), os servidores da Saúde e os profissionais de apoio da Educação decidiram iniciar uma greve por tempo indeterminado. Já nesta quarta-feira (4), foi a vez dos garis anunciarem a adesão ao movimento paredista, ampliando ainda mais a crise nos serviços públicos municipais.

De acordo com o Sintab, as reivindicações vêm sendo apresentadas à administração municipal desde dezembro de 2025 e incluem o cumprimento da data-base salarial, prevista para maio, além da concessão de reajustes e melhorias nas condições de trabalho. Segundo a entidade, desde a aprovação do indicativo de greve, em abril, os trabalhadores aguardavam uma proposta concreta da Prefeitura, o que não aconteceu.

O presidente do sindicato, Giovanni Freire, afirmou que a decisão pela paralisação foi tomada após sucessivas tentativas de diálogo sem respostas efetivas por parte da gestão municipal. A falta de avanços nas negociações acabou levando as categorias ao movimento grevista.

Mesmo com a paralisação, o Sintab informou que será mantido o percentual mínimo de funcionamento exigido por lei. Cerca de 30% dos servidores permanecerão em atividade para garantir a continuidade dos serviços considerados essenciais à população.

A mobilização reacende o impasse entre os servidores e a Prefeitura de Campina Grande e expõe um cenário preocupante justamente no momento em que a cidade busca projetar para o Brasil e para o mundo a imagem de capital dos grandes eventos. Enquanto o Parque do Povo se prepara para receber milhares de turistas, setores fundamentais da administração municipal dão sinais claros de desgaste, revelando uma gestão que, na avaliação dos trabalhadores, tem se mostrado incapaz de responder às demandas mais básicas do funcionalismo.

O contraste é evidente: de um lado, a festa que movimenta milhões de reais e atrai atenção nacional; do outro, profissionais da Saúde, da Educação e da limpeza urbana cruzando os braços para cobrar direitos que afirmam esperar há meses. Um retrato que lança dúvidas sobre as prioridades da gestão municipal e coloca em xeque a capacidade administrativa da Prefeitura em um dos momentos mais simbólicos para Campina Grande.

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