Suprema Descredibilidade; por Ivandro Oliveira

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O chamado Caso Master, que já nasceu envolto em sombras, ganhou contornos ainda mais inquietantes com a atuação do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito. Em vez de serenidade institucional e distanciamento técnico — requisitos mínimos quando há qualquer indício de possível conflito de interesses — o que se viu foi uma sucessão de decisões que ampliam a desconfiança pública.

Basta ter olhos de ver e vontade de perceber: quando o nome de uma empresa ligada ao próprio ministro aparece citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal, a prudência recomendaria um gesto imediato de afastamento. Não se trata de pré-julgamento, mas de zelo institucional. No Supremo Tribunal Federal, onde a liturgia do cargo exige não apenas imparcialidade, mas aparência inequívoca de imparcialidade, a permanência de Toffoli à frente de qualquer desdobramento relacionado ao caso soa, no mínimo, imprudente.

Para completar o que já era nebuloso, o ministro dobrou a aposta. Determinou que a Polícia Federal enviasse ao STF todo o material extraído dos celulares apreendidos no Caso Master — decisão tomada após a corporação encaminhar ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, relatório com menções a pagamentos à empresa de Toffoli. Em vez de afastar-se para preservar a Corte e a si próprio, optou por manter protagonismo sobre fatos que tangenciam sua esfera pessoal.

O resultado é devastador para a credibilidade institucional. A Suprema Corte não pode se permitir zonas cinzentas quando o assunto é conflito de interesses. A Justiça não vive apenas de decisões técnicas; vive, sobretudo, da confiança pública. E confiança se constrói com transparência e gestos claros.

Diante do cenário, o caminho mais sensato — e republicano — seria o afastamento imediato de Toffoli de qualquer ato relacionado ao Caso Master, além de um licenciamento do cargo até o fim das apurações. Não como admissão de culpa, mas como demonstração inequívoca de respeito à instituição que integra.

Quando um ministro do Supremo se vê no epicentro de um inquérito que toca sua órbita privada, o silêncio estratégico ou a permanência ativa não dissipam dúvidas — alimentam-nas. O que está em jogo não é apenas um processo, mas a autoridade moral da mais alta Corte do país.

Do jeito que está, o que se vê é um escárnio absoluto. E o Supremo, definitivamente, não pode conviver com isso.

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