Entre a pesquisa e a urna, Flávio mantém a vantagem; por Ivandro Oliveira

Pesquisa mede intenção; urna registra comparecimento. Essa diferença pesa numa disputa apertada, em que conquistar a preferência do eleitor é apenas parte do desafio: é preciso que ele saia de casa e vote. Em 2022, a abstenção passou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução pequena.

O precedente recomenda cautela com a expectativa de que os ausentes possam decidir a eleição em favor de Lula. Taxas semelhantes não significam necessariamente que as mesmas pessoas faltaram nos dois turnos, mas tampouco autorizam tratar esse contingente como uma reserva de votos disponível ao presidente. A virada depende também de conquistar eleitores de outros candidatos e preservar os próprios votos.

Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno à frente, entra nessa equação com uma vantagem concreta já demonstrada nas urnas. Por isso, há fundamento para avaliar que a disputa ainda lhe é favorável. Mas favoritismo depende de mobilização: até o dia 25, o desafio será transformar apoio declarado em voto depositado.

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