Se alguém tivesse apostado, meses atrás, que Diogo Cunha Lima, Nayana Pontes e Lígia Feliciano seriam os vices de Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro, respectivamente, provavelmente teria perdido dinheiro — e ainda seria chamado de maluco pelos entendidos do riscado. Pois os três estão aí, devidamente escalados, provando mais uma vez que, na política, o “óbvio” costuma durar menos que promessa de palanque. Diogo foi oficializado na chapa de Cícero ainda em abril; Nayana acabou compondo com Efraim; e, nesta terça-feira, Lucas fechou a sua chapa com Lígia.
Cícero queria Pedro Cunha Lima. Não levou. Acabou com o irmão, Diogo. É quase como pedir um Cunha Lima e receber outro — só que com a embalagem diferente. A escolha mantém o sobrenome mais cobiçado de Campina Grande na chapa, mas também deixa no ar aquela velha pergunta: quem diria, hein?
Efraim, por sua vez, passou meses flertando com a possibilidade de Juliana Cunha Lima. A “vice dos sonhos” virou, no fim, um sonho mesmo. Quem entrou em campo foi Nayana Pontes, esposa de Cabo Gilberto. A política tem dessas: quando o plano A não atende ao telefone, o plano B já está com a roupa de campanha passada e pronta para a foto.
E Lucas? Ah, Lucas viveu sua própria novela. Coronel Viviane foi a última apontada, comentada, analisada e até escalada por muita gente na prancheta dos entendidos e pitaqueiros — este colunista incluído. No fim, o governador puxou do banco uma velha conhecida: Lígia Feliciano, ex-vice-governadora, agora candidata a repetir a dose pela terceira vez. Se vencer, poderá pedir música no Fantástico: será a primeira paraibana a ocupar a vice-governadoria.
No fim das contas, Cícero tem Diogo, Efraim tem Nayana e Lucas tem Lígia. Três escolhas que dificilmente apareceriam juntas em qualquer bolão político feito no início do ano. Magalhães Pinto tinha razão: política é dinâmica. Na Paraíba, ultimamente, está quase em modo turbo.
Agora não há mais vice para escolher, especulação para alimentar nem “nome dos sonhos” para vender. Os times estão completos. A bola vai para o campo, a campanha de rua começa no domingo e, a partir daí, os analistas — inclusive os que juravam saber quem seriam os vices — terão uma nova missão: explicar por que tudo aconteceu exatamente como eles, claro, nunca disseram que aconteceria.




