A política brasileira vive uma transição silenciosa, porém profunda: o deslocamento do centro de gravidade do debate público para as redes sociais. Quem ainda insiste em subestimar esse fenômeno corre o risco de não compreender os novos protagonistas do jogo político. Nesse cenário, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) desponta como um dos nomes mais influentes da nova direita brasileira — não apenas pelo mandato que exerce, mas, sobretudo, pelo capital político que construiu no ambiente digital.
Aos 29 anos, Nikolas reúne atributos raros: comunicação direta, domínio absoluto das redes sociais e capacidade real de mobilização. Embora não possa disputar a Presidência da República em 2026 por impedimento constitucional, sua influência no processo sucessório é inegável. Ele não é apenas um parlamentar; é um catalisador político, alguém capaz de pautar debates, tensionar narrativas e empurrar multidões para a ação concreta.
A caminhada até Brasília, concluída neste domingo, é uma prova inequívoca dessa força. Engajar e movimentar quase 20 mil pessoas, sob chuva, em um ato simbólico e prolongado, não é algo trivial. Trata-se de demonstração clara de liderança e de conexão emocional com uma base política fiel e mobilizada — algo cada vez mais raro na política tradicional.
Enquanto isso, a esquerda vive um dilema estratégico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como principal referência, isso aos 80 anos, sendo que o seu campo ideológico ainda busca uma figura capaz de mobilizar massas com a mesma intensidade e espontaneidade que nomes como Nikolas conseguem no campo conservador. A dificuldade não está apenas em encontrar um sucessor, mas em compreender a nova lógica da comunicação política.
A chamada grande mídia, em muitos momentos, continua tratando as redes sociais como um fenômeno secundário, quase folclórico. O erro é grave. Os números falam por si. Nikolas Ferreira saltou de cerca de 14,9 milhões de seguidores, em janeiro de 2025, para impressionantes 20.846.982 em apenas 12 meses. Um crescimento absoluto de quase 6 milhões de seguidores — 39,9% de aumento — algo que poucos líderes políticos no mundo conseguem replicar.
Mais do que métricas, esses números representam poder. Poder de influência, de narrativa e de mobilização. Ignorar isso é ignorar a própria dinâmica da política contemporânea. Nikolas compreendeu cedo que a disputa não acontece apenas no plenário ou nos programas eleitorais, mas na tela do celular, no vídeo curto, na linguagem simples e no confronto direto de ideias.
O fato é que, mesmo sem disputar cargos majoritários no curto prazo, Nikolas Ferreira já pisa em 2026 com os olhos fincados em 2030. Ele sabe que a construção de um projeto nacional começa muito antes da eleição. E, goste-se ou não de suas posições, é impossível negar: trata-se hoje de uma das figuras políticas mais fortes e influentes do campo da direita brasileira — um fenômeno que não pode mais ser tratado como passageiro.
Ivandro Oliveira é jornalista




