A China afirmou que irá defender seus interesses após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25% em qualquer transação realizada com os EUA.
Em entrevista coletiva no Ministério das Relações Exteriores, a porta-voz Mao Ning afirmou que a posição de Pequim é clara.
“Sempre acreditamos que não há vencedores em uma guerra tarifária.A China irá salvaguardar firmemente seus direitos e interesses legítimos”, disse.
Não foram detalhados os critérios para a aplicação das tarifas nem a data de início de sua vigência.
O anúncio ocorre após Trump ameaçar ações militares para conter a repressão a uma onda de protestos que tomou o país. Autoridades iranianas afirmaram que as manifestações, que já se arrastam há pelo menos duas semanas, causaram a morte de cerca de 2.000 pessoas, incluindo profissionais de segurança, segundo a Reuters.
A China é um dos principais parceiros comerciais do Irã e mantém com Teerã parcerias estratégicas em diferentes áreas. Em 2021, representantes dos dois países assinaram um acordo de cooperação de longo prazo que integrou o país do Oriente Médio à iniciativa Cinturão e Rota e previa investimentos chineses em setores como energia e infraestrutura.
Outro ponto central da interlocução entre os países é o petróleo, cujas reservas no Irã estão entre as maiores do mundo. Segundo Michal Meidan, chefe do programa de pesquisa em energia chinesa do Instituto de Estudos de Energia da Universidade de Oxford, oficialmente a China afirma que não importa petróleo iraniano.
Dados da consultoria Kpler mostram, porém, que em 2025 esses volumes corresponderam a cerca de 13% do total importado pelo país asiático. Outras consultorias também apontam que Pequim continua permitindo que o petróleo iraniano chegue a seus portos.
Sanções anteriores impostas por Washington já eram direcionadas a nações que compram petróleo iraniano.
Meidan declara que ainda é cedo para avaliar se os EUA de fato devem impor tarifas a países que mantêm negócios com o Irã e qual será a base dessa eventual medida.
“Acho que os Estados Unidos serão cautelosos para não iniciar mais uma rodada de retaliação tarifária com a China, mas, se tarifas adicionais forem impostas sobre outros produtos chineses, Pequim provavelmente responderá de forma calibrada”, afirmou.
O anúncio do governo americano ocorre cerca de uma semana após o ataque dos EUA à Venezuela, que também mantém parcerias estratégicas com Pequim, e depois de Trump anunciar que seu governo assumirá o controle do setor de petróleo no país sul-americano, com exclusividade para empresas americanas.
Especialistas avaliam que refinarias chinesas podem recorrer ao Irã para repor a parcela do petróleo venezuelano que deixará de chegar aos portos do país. Embora a commodity da Venezuela tenha representado apenas 3,8% das importações chinesas em 2025, a redução desse fluxo pode afetar o funcionamento de refinarias independentes, conhecidas como “teapots”.
A decisão de Trump pode ainda inaugurar uma nova fase da guerra comercial entre Pequim e Washington. Desde o encontro entre o presidente americano e o líder do regime chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul, as disputas econômicas entre os dois países permaneciam relativamente estabilizadas.
Folhapress




