A ofensiva do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, contra os chamados supersalários no serviço público começou a produzir forte reação nos bastidores do Judiciário. Segundo revelou a jornalista Mirelle Pinheiro, juízes e desembargadores têm utilizado grupos de mensagens para organizar protestos contra o que classificam como uma medida “injusta e desproporcional”.
A cruzada liderada por Dino mira penduricalhos, auxílios e verbas indenizatórias que, na prática, elevam os vencimentos de membros do Judiciário muito acima do teto constitucional. A movimentação é vista por parte da magistratura como uma tentativa de restringir direitos adquiridos e comprometer garantias da carreira.
Nos diálogos compartilhados em grupos reservados, magistrados discutem estratégias de reação institucional. Entre as possibilidades ventiladas estão a adoção de uma “operação tartaruga” — com redução no ritmo de julgamentos e despachos — e até mesmo a deflagração de greve, medida incomum e juridicamente controversa no âmbito do Judiciário.
A insatisfação revela o tamanho da tensão provocada pela iniciativa. Para críticos dos supersalários, a revisão de benefícios é uma resposta necessária às cobranças da sociedade por maior transparência e respeito ao teto constitucional. Já para integrantes da magistratura, a narrativa de privilégios ignora especificidades da carreira e pode fragilizar a independência do Poder Judiciário.
O embate, que começou como uma discussão sobre remuneração e limites legais, ganha contornos políticos e institucionais mais amplos. A depender dos próximos passos, a disputa pode acirrar a relação entre o Supremo e setores da magistratura, colocando em xeque o equilíbrio interno do sistema de Justiça.




