A operação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das Fake News, provocou reações que ultrapassaram os corredores do Congresso Nacional e alcançaram o próprio Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informação publicada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ministros da Corte demonstraram irritação por não terem sido previamente consultados ou comunicados sobre a medida, uma vez que a investigação também os envolve diretamente.
Nos bastidores, integrantes do STF avaliam que o foco central da operação pode ir além da apuração de acessos indevidos a dados fiscais. A suspeita é de que o verdadeiro objetivo seja identificar o responsável pelo vazamento da existência de um contrato de quase R$ 13 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
A investigação representa mais um desdobramento do controverso inquérito das Fake News, instaurado em 2019 com a finalidade de apurar ameaças e ataques dirigidos a ministros da Corte. No novo capítulo, Moraes determinou que a Receita Federal rastreasse qualquer consulta ou tentativa de acesso envolvendo os atuais dez ministros do Supremo, além de suas esposas, filhos, irmãos e ascendentes.
De acordo com as informações já levantadas, foi identificado acesso sem autorização aos dados fiscais da esposa do ministro por um servidor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Também teria ocorrido a devassa, sem autorização judicial, da declaração de Imposto de Renda do filho de outro ministro da Corte.
O relatório final da apuração deve ser apresentado ainda esta semana, em meio a um ambiente de tensão interna e questionamentos sobre os limites e a condução do inquérito que, desde sua criação, acumula críticas e defensores dentro e fora do Supremo.




