Novo relator no STF agita Brasília e amplia tensão em torno do Caso Master

Foto: Fellipe Sampaio/STF

O clima de inquietação nos bastidores de Brasília ganhou novos contornos após a definição do ministro André Mendonça como relator do chamado Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a jornalista Malu Gaspar, a mudança na relatoria é vista por integrantes da classe política como um movimento que fortalece a atuação da Polícia Federal e, ao mesmo tempo, injeta novo fôlego na CPMI do INSS — atualmente um dos principais focos de desgaste do governo no Congresso.

Nos bastidores, a avaliação é de que Mendonça tende a adotar uma postura mais rigorosa na condução do caso, o que pode ampliar o alcance das investigações e intensificar a pressão sobre figuras influentes do chamado Centrão. Entre os nomes citados nas conversas reservadas está o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como um dos potenciais atingidos pelos desdobramentos políticos da investigação.

A repercussão também se reflete na dinâmica da própria CPMI. O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e personagem central no caso, deveria prestar depoimento à comissão nesta segunda-feira. No entanto, ele não comparecerá, amparado por uma liminar concedida por Mendonça.

A decisão do ministro foi interpretada de duas formas distintas nos corredores do Congresso. De um lado, parlamentares aliados ao governo veem a medida como um freio momentâneo à exposição do empresário. De outro, oposicionistas avaliam que, ao assumir a relatoria e conceder a liminar, Mendonça consolida protagonismo no processo e mantém o caso sob os holofotes, o que pode prolongar o desgaste político.

Com a CPMI em andamento e a Polícia Federal avançando nas apurações, o Caso Master promete seguir como um dos eixos centrais da tensão entre Executivo, Congresso e Judiciário nas próximas semanas.

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