O Bolsa Família voltou ao centro da campanha presidencial com a antecipação dos pagamentos e o debate sobre mudanças no programa. O governo Lula decidiu concluir os depósitos de outubro até quarta-feira (21), quatro dias antes do segundo turno. Os repasses começaram na segunda-feira (19), com reajuste de 15,04%. O Ministério do Desenvolvimento Social nega motivação eleitoral e atribui a antecipação à necessidade de proteger famílias vulneráveis dos riscos climáticos associados ao El Niño.
O processo de aprovação do reajuste também entrou no debate. Segundo a Folha, os documentos que fundamentaram o aumento foram preparados na véspera do anúncio, sob sigilo e com tramitação em papel, fora dos sistemas eletrônicos convencionais. O governo recorreu a um procedimento excepcional para conduzir a proposta.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica Daniella Marques apresentou uma proposta de transição de dois anos para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. Nesse período, o auxílio seria mantido, com possibilidade de retorno automático ao programa caso a nova fonte de renda não se sustente. O objetivo declarado é estimular a autonomia financeira sem retirar imediatamente a proteção social.
A declaração abriu uma nova frente de confronto eleitoral. A campanha de Lula passou a explorar o assunto, enquanto Flávio reagiu negando que pretenda acabar com o Bolsa Família ou reduzir os benefícios. Com a repercussão, a equipe do senador reforçou que a proposta trata da transição para o trabalho e o empreendedorismo, tentando conter o desgaste às vésperas da votação.




