A vitória do maior líder político da história contemporânea do Brasil; por Ivandro Oliveira

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) reafirma a dimensão de uma liderança que atravessa gerações e permanece no centro da política brasileira. Gostem ou não de Lula, é impossível compreender a história contemporânea do país sem reconhecer seu protagonismo. Mais do que uma vitória partidária, o resultado representa a força pessoal de um político que, mesmo depois de décadas de exposição, desgaste e embates, conseguiu novamente mobilizar o eleitorado e contrariar expectativas.

Foi uma eleição em que Lula e o PT precisaram se reencontrar com as ruas, recuperar a capacidade de mobilização e compreender um eleitorado que já não responde aos mesmos discursos do passado. A campanha exigiu reinvenção, inclusive no universo das redes sociais, um território historicamente pouco familiar ao presidente. Lula precisou sair da zona de conforto, renovar sua comunicação e construir uma reação eleitoral que culminou numa virada histórica. Venceu, sobretudo, por seus próprios méritos políticos.

As urnas, entretanto, também deixaram outro recado. O sentimento de mudança, manifestado já no primeiro turno e refletido na nova configuração do Congresso Nacional, não desapareceu. Mas, diante das alternativas apresentadas, prevaleceu a rejeição à possibilidade de que essa mudança viesse pelas mãos de outro Bolsonaro. O eleitorado demonstrou que desejar renovação não significa necessariamente aceitar qualquer projeto que se apresente como alternativa ao poder.

Lula sai dessa eleição com sua relevância histórica novamente evidenciada, mas também diante de uma responsabilidade que não conseguiu cumprir plenamente em seu retorno à Presidência: pacificar o país. O desafio agora vai além de governar. Será necessário reduzir a polarização, reconstruir pontes institucionais, dialogar com uma sociedade dividida e, principalmente, preparar uma sucessão política capaz de assegurar ao seu campo um futuro para além de sua própria figura. Nenhuma liderança, por maior que seja, consegue desafiar indefinidamente o tempo.

A vitória deste domingo, portanto, não deve ser interpretada como um cheque em branco, mas como uma nova oportunidade histórica. Lula terá de compreender que seu maior legado talvez não esteja em mais um mandato, mas na capacidade de preparar o Brasil para o momento em que já não estiver no centro da disputa política. Por enquanto, porém, as urnas reafirmaram uma relação singular entre um homem e a história de seu país. O Brasil é Lula. E Lula é o Brasil.

 

Ivandro Oliveira é jornalista e especialista em Marketing Político

Compartilhe: