Sentimento de mudança deve falar mais alto neste domingo; por Ivandro Oliveira

Flávio Bolsonaro (PL) deve ser eleito presidente da República neste domingo (25). Esse é o meu prognóstico para uma disputa que chega ao fim apertada, com possibilidade de decisão por um punhado de votos. O Datafolha aponta o senador com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (PT), em empate técnico. A pesquisa permite os dois resultados; minha leitura política, porém, aponta para a vitória do candidato do PL.

A meu ver, Lula e o PT cometeram um erro decisivo ao subestimar Flávio. Quando perceberam a dimensão do adversário, enfrentavam algo maior que a força do bolsonarismo: o sentimento de mudança. Lula disputa a Presidência desde 1989 e acumula três mandatos, além dos dois conquistados por Dilma Rousseff. Para quem deseja encerrar um ciclo, torna-se difícil enxergar renovação em uma liderança tão identificada com o poder.

Acompanhando de perto os números, em nenhum momento me convenci de que a recuperação de Lula produziria a virada. O que enxerguei foi um eleitorado dividido, mas com sinais de cansaço diante de um presidente com menos brilho político e uma imagem desgastada pelo tempo e pelos erros acumulados. Flávio encontrou espaço para reunir sua base, o voto contrário ao PT e parcelas da classe média: no levantamento de meados de outubro, tinha 55% entre os eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos, contra 40% de Lula.

A vantagem numérica mínima também tem efeito psicológico: retira da campanha petista o argumento do empate numérico e oferece ao senador uma posição ligeiramente mais confortável. Há ainda o comparecimento às urnas. A análise do Datafolha indica que Lula depende mais de eleitores que vivem longe de suas seções, enquanto Flávio mantém vantagem numérica entre aqueles que votaram no primeiro turno. Numa eleição tão estreita, essa diferença pode decidir o resultado.

Lula recuperou terreno, mas não demonstrou força suficiente para tornar a virada o desfecho mais provável. Flávio chega à votação sustentado por uma combinação de identidade política, rejeição ao governo e desejo de mudança. A urna dará a resposta definitiva, mas minha avaliação está feita: o senador deve vencer neste domingo. Se isso se confirmar, o PT terá de reconhecer que perdeu também para um sentimento de mudança que sua principal liderança já não conseguia representar.

 

Ivandro Oliveira é jornalista e especialista em Marketing Político

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