PF aponta uso irregular de emendas por Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha; STF bloqueia bens dos ex-parlamentares

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Polícia Federal revelou novos indícios de um esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares envolvendo políticos sem mandato que, mesmo fora do Congresso Nacional, continuavam influenciando a destinação de recursos públicos. Entre os investigados estão o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que, segundo as investigações, comandavam o envio de milhões de reais para municípios de seus interesses políticos.

De acordo com a PF, Valdemar teria direcionado cerca de R$ 119 milhões em emendas por meio de deputados federais alinhados ao partido, enquanto Eduardo Cunha é suspeito de indicar R$ 6 milhões para cidades mineiras. Diante dos indícios, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio dos bens dos dois investigados em valores equivalentes aos recursos sob apuração.

O relatório da Polícia Federal também aponta que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento do funcionamento do esquema e que a ex-assessora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, seria responsável por operacionalizar as indicações com o aval da cúpula da Casa. As investigações descrevem um “altíssimo grau de promiscuidade” na gestão das emendas parlamentares e identificam mensagens que indicariam a participação direta de Valdemar na definição dos recursos. Um levantamento revelou ainda que R$ 97 milhões das emendas atribuídas ao dirigente do PL foram liberados às vésperas das eleições municipais de 2024, período em que os recursos teriam sido utilizados para fortalecer candidaturas do partido e de aliados.

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