Uma investigação conduzida pela Polícia Civil da Paraíba e pelo GAECO do Ministério Público da Paraíba revelou um suposto esquema de corrupção e associação com o tráfico de drogas que teria alcançado o interior das forças de segurança do Estado. A ofensiva, batizada de Operação Perfidus, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (2) com o cumprimento de nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões.
A investigação descreve uma organização criminosa considerada de alta complexidade, formada por traficantes e agentes públicos, incluindo policiais civis, que teriam utilizado informações privilegiadas, acesso a estruturas estatais e prerrogativas funcionais para favorecer atividades ilícitas.
As suspeitas vão além da simples proteção ao tráfico. Segundo a nota oficial da operação, os investigados recebiam informações sobre imóveis e veículos utilizados por grupos criminosos para armazenar drogas. A partir desses dados, realizavam incursões e abordagens que aparentavam ser ações policiais legítimas. Entretanto, conforme a investigação, parte dessas operações teria servido para a apropriação clandestina dos entorpecentes encontrados.
Mandados de prisão cumpridos na Operação Perfidus
- Eduardo Jorge Ferreira do Egito (vulgo Mão Branca)
- Everton Rychelyson da Silva Aires (vulgo Bomba)
- Braz Morroni de Paiva Júnior
- João Wicttor Alves de Lima
- Brendo Roberth Fernandes Sobral
- Paulo Ricardo Barbosa de Souza (vulgo Galinha)
- José Alexandrino de Lira Júnior (vulgo Júnior Lira)
- Vanessa Dantas Fernandes
- Dankennedy Vieira Brito da Silva (vulgo Babau)

Drogas desviadas teriam sido revendidas até dentro do sistema prisional
Um dos pontos mais graves revelados pelas autoridades é a suspeita de que drogas apreendidas acabavam sendo desviadas e recolocadas em circulação. Segundo os investigadores, parte dos entorpecentes subtraídos era destinada à comercialização ilegal, inclusive dentro do sistema penitenciário, gerando lucros repartidos entre integrantes da organização.
A apuração também identificou indícios de manipulação de procedimentos policiais. Conforme os elementos reunidos, parte das drogas era formalmente apresentada em registros oficiais, enquanto outra parcela teria sido desviada, criando uma aparência de legalidade para dificultar a descoberta do esquema.
Retirada clandestina em unidade policial
Outro trecho da investigação chama atenção pelo grau de comprometimento institucional apontado pelas autoridades. Os investigadores afirmam ter encontrado elementos que indicam a retirada clandestina de entorpecentes armazenados em uma unidade policial, drogas oriundas de apreensões anteriores e que já estavam oficialmente registradas.
O BC1 apurou que a suspeita levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno e custódia de material apreendido, uma vez que a eventual participação de agentes públicos em desvios dessa natureza exige acesso a áreas restritas e conhecimento dos procedimentos institucionais.
Vazamento de operações para traficantes
As investigações apontam ainda para o suposto repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes do tráfico. O objetivo, segundo os investigadores, seria evitar prisões, frustrar ações repressivas e garantir a continuidade das atividades criminosas.
A prática, caso confirmada ao longo do processo judicial, pode configurar um dos aspectos mais sensíveis do caso, já que comprometeria diretamente a capacidade operacional dos órgãos de segurança no combate ao crime organizado.
Nome da operação faz referência à traição da confiança pública
O nome Perfidus tem origem no latim e significa “traidor”, “desleal” ou “infiel à confiança depositada”. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a escolha faz referência à conduta atribuída aos investigados, que teriam utilizado a estrutura estatal e a condição de agentes públicos para beneficiar organizações criminosas.
Em nota, as instituições destacaram que a operação representa um esforço para preservar a integridade dos órgãos públicos e reforçaram que desvios de conduta envolvendo servidores serão investigados com rigor técnico e observância ao devido processo legal.




