Câmara tem menos de 20% de funcionários efetivos

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Um retrato da estrutura de pessoal da Câmara dos Deputados revela um desequilíbrio significativo entre servidores efetivos e cargos de livre nomeação. Atualmente, os funcionários concursados somam 2.610 — número que não chega a 20% do total de trabalhadores da Casa.

Em contrapartida, os cargos comissionados, de livre escolha dos parlamentares, alcançam 12.247 pessoas. Nesse grupo, estão desde assessores técnicos até indicações políticas, incluindo aliados estratégicos como lideranças comunitárias e até parentes de gestores locais, figuras frequentemente valorizadas em períodos eleitorais.

A estrutura cresce ainda mais quando entram na conta os trabalhadores terceirizados, que somam 3.828 pessoas atuando em funções como limpeza, vigilância e serviços de copa. Além disso, há 1.687 ocupantes de cargos de natureza especial (CNE), cujos salários ultrapassam os R$ 23,7 mil.

Outro contingente relevante é o de secretários parlamentares, que não têm obrigatoriedade de registro de ponto e recebem salários superiores a R$ 9,3 mil — valores que podem aumentar consideravelmente com gratificações.

O quadro de pessoal da Câmara inclui ainda 196 estagiários e 16 servidores atualmente afastados. A soma geral não considera os 513 deputados federais, que também integram a estrutura institucional.

Os números reforçam o peso dos cargos políticos dentro da Casa Legislativa e levantam debates recorrentes sobre a composição do serviço público, transparência e critérios de nomeação no Congresso Nacional.

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