Duas pesquisas de opinião realizadas nas últimas semanas acenderam um sinal de alerta no cenário político nacional. Segundo os levantamentos, mais da metade dos eleitores pretende escolher seus candidatos ao Senado com base em um único critério: o compromisso público com a abertura de processo de impeachment contra um ministro do Supremo Tribunal Federal.
O alvo dessa insatisfação é o ministro Alexandre de Moraes, que se tornou uma das figuras mais centrais — e controversas — do Judiciário brasileiro nos últimos anos. A disposição de parcela significativa do eleitorado em transformar o tema em critério decisivo de voto indica que a disputa pelo Senado tende a ganhar contornos ainda mais ideológicos e polarizados.
Pela Constituição, cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF em casos de crime de responsabilidade. Embora pedidos de impeachment contra integrantes da Corte não sejam novidade, eles raramente avançam. O dado revelado pelas pesquisas, contudo, sugere que o assunto pode deixar de ser apenas pauta de nichos políticos e se tornar elemento estratégico nas campanhas eleitorais.
Nos bastidores, pré-candidatos já avaliam a necessidade de assumir posicionamentos mais claros sobre o tema. A tendência é que o debate sobre os limites de atuação do Judiciário, a relação entre os Poderes e o papel do Senado ganhe protagonismo no próximo ciclo eleitoral.
Se confirmado nas urnas, o movimento poderá alterar significativamente a composição e o perfil da próxima legislatura, reforçando o Senado como epicentro das tensões entre Executivo, Legislativo e Judiciário.




