A proposta de acabar com a escala 6×1 está sendo vendida como um grande avanço para o trabalhador. Mas é preciso ir além do discurso fácil. O que vemos é mais uma manobra eleitoreira, prometendo benefícios imediatos sem avaliar as consequências de longo prazo.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, enviou proposta da deputada Erika Hilton à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cujo texto prevê redução da jornada para 36h semanais.
Reduzir a jornada sem reduzir salários pode parecer simples no papel. Na prática, porém, muitos setores não têm flexibilidade para absorver esse aumento de custo. Comércio, serviços, pequenas e médias empresas podem ser diretamente impactados. E quando a conta não fecha, o resultado é encolhimento de negócios.
Há ainda outro efeito preocupante: a substituição de mão de obra por automação. Se o custo médio do trabalho sobe, empresas tendem a investir em máquinas e tecnologia, reduzindo postos de trabalho. Além disso, o aumento de despesas pode pressionar preços e alimentar a inflação, atingindo justamente quem se pretende beneficiar.
Sem falar na possível maior rotatividade no mercado de trabalho.
A redução de jornada já está prevista na Constituição — e deve acontecer por meio de negociação coletiva, respeitando a realidade de cada setor. O que não se pode é transformar um tema complexo em slogan de campanha e deixar a conta para depois.
Ivandro Oliveira é jornalista




