Mais da metade dos donos de motos no Brasil não tem CNH, diz ministro dos Transportes

Foto: Valter Campanato/Agência Brasi

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou estar impressionado com o elevado número de motociclistas circulando sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil. Em declaração ao programa Tá na Área, ele revelou um dado alarmante: 54% dos CPFs registrados como proprietários de motocicletas no país não possuem habilitação.

A informação acende um alerta sobre segurança no trânsito e fiscalização. De acordo com o ministro, o cenário revela um descompasso entre o crescimento da frota de motocicletas — impulsionado principalmente pelo aumento dos serviços de entrega e pela busca por alternativas de mobilidade mais baratas — e o cumprimento das exigências legais para condução.

Nos últimos anos, a motocicleta se consolidou como um dos principais meios de transporte em cidades de pequeno e médio porte, além de periferias dos grandes centros urbanos. O veículo, mais acessível financeiramente e com menor custo de manutenção, tornou-se alternativa para trabalhadores informais e formais, especialmente em um contexto de recuperação econômica lenta e mercado de trabalho ainda instável.

No entanto, a ausência de habilitação entre proprietários de motos preocupa autoridades pela relação direta com o aumento de acidentes e mortes no trânsito. Dados de órgãos de segurança viária apontam que motociclistas estão entre as principais vítimas de ocorrências graves nas estradas e áreas urbanas.

Renan Filho não detalhou quais medidas o governo federal pretende adotar diante do diagnóstico, mas sinalizou que o tema está no radar do Ministério dos Transportes e deve envolver ações conjuntas com estados e municípios, responsáveis diretos pela fiscalização.

Especialistas defendem que, além do reforço na fiscalização, é necessário ampliar políticas públicas que facilitem o acesso à habilitação, reduzindo custos e desburocratizando processos, sem abrir mão da formação adequada dos condutores.

O dado apresentado pelo ministro reacende o debate sobre educação no trânsito, responsabilidade individual e o papel do poder público na promoção de um tráfego mais seguro. Enquanto isso, o número revela um desafio significativo: regularizar milhões de condutores que hoje circulam à margem da lei.

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