O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, nas últimas semanas, o mapeamento do cenário político nacional e das sucessões estaduais, ao mesmo tempo em que trabalha na montagem de uma ampla reforma ministerial. A movimentação no Palácio do Planalto está diretamente ligada ao calendário eleitoral deste ano e deve provocar mudanças significativas na Esplanada dos Ministérios até o início de abril.
A estimativa é de que cerca de 20 ministros deixem seus cargos para disputar eleições, sobretudo governos estaduais, vagas no Senado e nas assembleias legislativas. Com isso, Lula busca não apenas garantir competitividade ao campo governista nos Estados, mas também preservar o equilíbrio político da gestão federal durante o período eleitoral.
Nesse contexto, a ministra adjunta da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou ao presidente um mapa estratégico do governo, com uma avaliação detalhada do desempenho de cada ministério e de seus respectivos titulares. O documento reúne indicadores de execução, visibilidade política e capacidade de entrega, além de traçar perfis considerados mais adequados para as substituições que devem ocorrer nos próximos meses.
A análise tem servido de base para as decisões do presidente, que pretende alinhar a reforma ministerial a dois objetivos centrais: fortalecer a articulação política do governo no Congresso e garantir continuidade administrativa nas áreas estratégicas. A expectativa no Planalto é que as mudanças sejam concluídas até o prazo legal de desincompatibilização, marcado para o começo de abril.
Aliados do presidente afirmam que Lula conduz o processo com cautela, ouvindo lideranças partidárias e avaliando o impacto de cada troca tanto no desempenho do governo quanto no tabuleiro eleitoral. A reforma, portanto, tende a ser ampla, mas cuidadosamente calibrada, refletindo o esforço do Planalto em conciliar governabilidade, projeto político e disputa eleitoral.




