O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, repudiou neste sábado (03) o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, adotando uma postura que contrasta diretamente com a posição cautelosa e ambígua mantida por seu governo diante da invasão russa à Ucrânia. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a ação norte-americana como uma “afronta gravíssima” e afirmou que Washington teria ultrapassado uma “linha inaceitável”, elevando a tensão na América Latina.
A declaração chamou atenção não apenas pelo tom duro direcionado aos Estados Unidos, mas também pela incoerência apontada por críticos em relação à postura do presidente em outros conflitos internacionais. No caso da guerra na Ucrânia, Lula evitou condenar de forma direta a Rússia, chegou a atribuir responsabilidades compartilhadas ao governo ucraniano e defendeu uma narrativa de neutralidade, o que gerou críticas de países ocidentais e especialistas em política internacional.
A repercussão da fala deste sábado foi majoritariamente negativa nas redes sociais. A maioria dos comentários questionou a coerência da política externa brasileira e acusou o presidente de sair em defesa de um regime autoritário. Para muitos usuários, ao condenar os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, relativizar ou silenciar diante de ações de governos aliados ideologicamente, Lula reforça a percepção de alinhamento seletivo e de dois pesos e duas medidas na condução da diplomacia brasileira.
Analistas e opositores também destacaram que a manifestação do presidente brasileiro contribui para o desgaste da imagem do Brasil no cenário internacional, ao demonstrar tolerância com ditaduras e hostilidade a democracias consolidadas. O episódio reacende o debate sobre os rumos da política externa do atual governo e sobre até que ponto posições ideológicas têm prevalecido sobre princípios como a defesa da soberania, da democracia e do direito internacional.




